quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Maldita cafeína

“Nunca a corrupção foi tão detectada e investigada como agora”, disse, esta manhã, o Procurador-Geral da República, no encerramento das conferências sobre corrupção organizadas pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Então, e porque é que ninguém dá conta? Uma explicação possível para a imperceptibilidade do que se passa neste mundo fantástico onde vive Pinto Monteiro encontramo-la numa entrevista que deu em 2007. Dizia então o PGR que não somos um país de corruptos porque não temos petróleo mas que existe uma pequena corrupção e tráfico de influências, a que chamou carinhosamente “de cafezinho” e circunscreveu a um ” para fazer andar a burocracia”. Ora, como, desde então, houve em Portugal tantas descobertas de petróleo como condenações por corrupção com penas de prisão efectiva, aquilo do “nunca a corrupção foi tão detectada e investigada como agora” seria a cafeína a trabalhar. Passou mesmo aqui uma velhota a praguejar que nunca se bebeu tanto café em Portugal como actualmente. Maldita cafeína.

1 comentário:

Anónimo disse...

Entendo... uma das medidas de combate levou ao encerramento do IGAL (Inspecção Geral da Administração Local). Organismo que fiscalizava as autarquias, através de inspecções rotina ou denúncia dos cidadãos, nomeadamente sobre licenciamentos de certas obras ou que as "licenças públicas não tivessem que ser pagas, também, a privados", etc. O curioso é que o senhor Inspector Geral (Orlando dos Santos Nascimento), no seu comunicado de 20 de Setembro de 2011, refere (a fls 3): "a corrupção ganhou!" Dizendo mais adiante: "por incómodos, fomos EXTINTOS!". Mas, de certeza que o Governo de Passos Coelho, como diz o Procurador-Geral da República, só quer a corrupção investigada e detectada como está a ser agora...