quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

E siga a fanfarra

O subsídio de desemprego chega apenas a um em cada dois desempregados. Em Dezembro, estavam inscritas nos Centros de Emprego 605 134 pessoas sem trabalho das quais 288 mil não recebiam qualquer apoio social. Apesar de ser um novo máximo histórico, esta calamidade social definitivamente que não é um problema para o Governo: já avançou ou prepara-se para avançar com medidas que facilitam despedimentos e reduzem a duração, o montante e o leque de abrangidos pela, à partida, parca protecção social no desemprego. Entende-se. O objectivo é a redução generalizada de salários e o desespero é o seu trunfo para acelerar o processo.
Em breve ouviremos falar numa nova escalada da insegurança e em mais desemprego como resultado de outra e outra redução no consumo interno, ajustamentos à diminuição da massa salarial. Mais adiante, o tema será a redução do montante das pensões de reforma e os aumentos sucessivos da idade mínima para ter direito a recebê-los. Estão a ceifar-nos o presente e a condenar-nos à pobreza na velhice, mas não é este roubo monumental o tema de conversa mais frequente e muito menos o motivo principal que faz correr a indignação. Um Presidente, um Governo, uma maioria. O Presidente distrai, o Governo subtrai. A maioria toca o bombo. E siga a fanfarra.

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