quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Alerta brutalidade

Alguém fez o foco mediático incidir sobre o balanço aos supostos proveitos de uma brutalidade: as poupanças conseguidas em três anos e meio com o corte dos salários pagos aos funcionários na mobilidade especial representaram apenas cerca de 0,01% do PIB anual português, pouco mais de 18,6 milhões de euros. De facto, se para alguns é discutível que possa justificar-se privar pessoas do direito ao emprego, parece-me perfeitamente pacífico que, face a números tão irrisórios, uma violência tão tremenda se torna perfeitamente gratuita. Haveria que acabar com mais este elefante branco do socratismo. Porém, continuando a ler a notícia, deparamo-nos com uma comparação com a eficácia dos cortes salariais ocorridos no ano passado, infeliz por não contabilizar o que se perdeu em impostos e em consumo (logo, em emprego), mas que serve na perfeição para acomodar nas consciências mais permeáveis a necessidade postiça de novos cortes salariais ou, pior ainda, tal como aconteceu na Grécia, de despedimentos na Administração Pública. É ir estando atento. Há notícias que não brotam do acaso e, quando toca a encontrar alguém para pagar a crise, eles não costumam ser demasiado criativos.

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