quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Afinal, não é nada com eles

João Almeida, vice-presidente da bancada do CDS e porta-voz do partido, sugeriu esta tarde no Parlamento que os consumidores podem tirar consequências da deslocalização do principal accionista da Jerónimo Martins para a Holanda, grupo detentor dos supermercados Pingo Doce, adaptando "o seu comportamento de consumo". Ou seja, assumiu que o Governo não tem vontade política para criar mecanismos fiscais que tornem desvantajoso o chico-espertismo do segundo mais rico de Portugal e, como o Governo não tem nada que ver com nenhum assunto que implique pôr os ricos a contribuir tanto como contribuem os pobres, cabe aos consumidores retaliar e optar por outro supermercado. Suspeito que, quando esta “ética social na austeridade” for confrontada com a realidade e se souber que todos os donos dos outros supermercados se anteciparam e fizeram o mesmo que o dono do Pingo Doce, toda esta prosápia será transformada ou num apelo para que cada um de nós se dedique ao cultivo do que consome, ou, mais adequado ainda "aos tempos que o país atravessa”, que, pura e simplesmente, abdiquemos de comer. Sacrifícios "necessários", já sabemos. O que cada vez sabemos menos é para que serve esta espécie de classe política que, posicionando-se sistematicamente contra os seus cidadãos, se recusa a defender os interesses do seu país.

Sem comentários: