Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

Adeus, 2011

Termina 2011, um ano que, à semelhança do anterior, foi melhor do que será o seguinte. E aqui seguem os meus destaques do tradicional balanço que sempre fazemos em cada final de ano.


Figura do ano (internacional): Merkozy. A dupla formada por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy soube aproveitar o que resta de mandato a cada um deles para, através de uma blindagem do BCE providencial para proporcionar lucros fabulosos à banca dos respectivos países, obter um sucesso retumbante na condução de uma reconfiguração social na Europa que levará gerações a recuperar. Terão sentenciado a morte do euro, é certo, mas conseguiram enriquecer e empobrecer quem e como quiseram por muitos e bons/maus anos.


Figura do ano (nacional): Passport. Passos Coelho e Paulo Portas, outra dupla com objectivos em tudo iguais à da dupla anterior mas bastante mais subserviente e menos centrada no melhor para o seu país. Como o próprio nome indica, Passport, a dupla não tem pejo algum em promover a emigração de cérebros para países com governantes competentes para aproveitá-los e em trazer para Portugal abutres que saibam converter em riqueza a pobreza de um povo que, por acção ou abstenção, voltaria a deixar cair-lhes nas mãos o poder de lhes continuarem a roubar o futuro.


Super brand (internacional): A ®Goldman Sachs tomou de assalto o BCE, a Itália, a Grécia e ainda semeou um moedas em Portugal.


Super brand (Portugal): 80 por cento de portugueses preferiram ®troika.


Pragas do ano: borbulhas tecnocráticas na democracia, demagogia moralista na política, inevitabilidades na regressão social e civilizacional e o voluntariado nas relações de trabalho já tendencialmente gratuitas.


Idiotas do ano: apareceram por aí uns campistas que se dizem reinventores da democracia que nunca conheceram para garantir um sono tranquilo a um poder político que conhece a sua alergia a boletins de voto.


Profissão do ano: um misto de ladrão de subsídios de Natal, de prestações sociais e de horas de trabalho não pagas, de demolidor de serviços públicos, de inventor de impostos e de vendedor de empresas públicas ao desbarato.


E a lista já vai longa. Fico-me por aqui. Desejo-lhes um 2012 melhor do que 2013.

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Demagogia a custo zero

A partir de 1 de Janeiro, os deputados da Assembleia da República vão passar a voar em classe económica nas viagens com duração inferior ou igual a quatro horas, sendo permitido viajar em executiva apenas em deslocações de duração superior. É mais uma daquelas medidas simbólicas que não aquecem nem arrefecem mais do que a demagogia. Duvido que se poupe o que quer que seja, mas, ainda que se poupe alguma coisita, preferia que poupassem no que interessa: nos juros que pagamos à especulação financeira sem que o Governo exija que o BCE forneça liquidez aos Estados sem intermediação parasitária, na exorbitância que pagamos pelas parcerias público-privadas que a mesma demagogia se recusa a renegociar ou nos pareceres que o Estado português, AR incluída, encomenda a escritórios de advogados de uns amigos com direito a tratamento de primeira. Aqui, sim, teríamos poupança, mas preferem poupar na vontade política.

Álvaro, o 769º







Nos últimos cinco anos, 769 portugueses foram deportados do Canadá. Não é que se dÊ muito por ele, mas um chama-se Alvaro Santos Pereira. Diz-se para aí que Álvaro, o desemigrado, é Ministro da Economia de um Governo que aconselha viagens no sentido contrário.

Cérebros para exportação, um investimento sem retorno

O número de doutorandos em Portugal aumentou 134,4% em Portugal nos últimos cinco anos. No último ano lectivo, estiveram inscritos no ensino superior 16.377 doutorandos e 105.409 mestrandos, segundo os indicadores sociais de 2010 revelados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os trabalhadores com contratos com termo aumentaram 6,34%, enquanto os contratos sem termo diminuíram 1,5%, o que dá conta da crescente precariedade laboral. Se recuarmos a 2004, temos que em seis anos o número de trabalhadores por conta de outrem com contratos sem termo diminuiu 2,3%.

Os "empreendedores"

Segundo o Tribunal de Contas, os encargos plurianuais das PPP, em 2009, ascendiam aos 50 mil milhões de euros. Já em 2010 o encargo daquele ano com as PPP era de 1.127,7 milhões de euros, um acréscimo de 19% face ao previsto inicialmente. Dos 50 mil milhões de euros de gastos plurianuais previstos com as PPP’s em Portugal, 8 mil milhões pertencem ao sector da saúde. Só neste ano de 2011 vão ser gastos 228 milhões de euros, mais 32,5% do que em 2010. Os gastos públicos vão aumentar significativamente nos próximos 10 anos e só terminarão no ano de 2042. Estes aumentos nos gastos públicos com PPP’s têm sempre tendência a aumentar, não só pela sempre presente renegociação dos contactos mas também pela exigência de reequilíbrio financeiro. Sempre que o Estado procede a uma modificação unilateral no contrato, os parceiros privados exigem um processo de reequilíbrio financeiro para garantir a manutenção das condições de lucro inicialmente contratualizadas, que é assegurado com dinheiro público. Como exemplo, as duas PPP’s na saúde que estão já em marcha (Hospital de Cascais e Hospital de Braga) foram sujeitas a ajustamentos nos contratos no mesmo mês em que estes tinham sido assinados, que exigiram ao componente público gastos acrescidos que ascendiam, no caso do Hospital de Cascais, a 80 milhões de euros


De acordo com a auditoria que o tribunal de contas realizou em 2009 às PPP’s, a distribuição do risco entre o Estado e o consórcio privado é extenso e complexo. Pela sua análise podem-se concluir dois factos imediatos: em primeiro lugar o parceiro privado não assume NENHUM risco isoladamente, sendo sempre partilhado com o Estado, em muitos casos em percentagens muito desiguais com prejuízo para o Estado; em segundo lugar, os riscos com maior impacto e probabilidade de ocorrência são assumidos inteiramente pelo Estado. Os riscos financeiros, são os únicos descritos com probabilidade de ocorrência elevada prendem-se sobretudo com a inflação e a revisão dos preços e é assumido na totalidade pelo Estado. Em termos práticos, a entidade privada fica salvaguardada das oscilações da economia real e mantém a sua renda anual, proveniente dos dinheiros públicos, blindada às variações que se poderão registar nos mercados nos próximos anos.


As PPP’s e todo o seu processo ao longo dos últimos 10 anos são uma evidência forte de corrupção, promiscuidade e conflitos de interesses entre o Estado e os grupos privados, com benefício para os últimos. São vários os concedentes públicos do passado que são hoje administradores de grupos privados. Em muitos casos é a mesma pessoa que atribui uma concessão a um grupo privado e que depois vai liderar essa concessão nessa entidade. Na saúde destaco dois: Luís Filipe Pereira, foi sempre administrador do grupo Mello Saúde só o tendo interrompido durante 3 anos para ser ministro da saúde do governo de Durão Barroso, tendo sido nessa fase o responsável pelas PPP’s na área da saúde que mais tarde atribuíam ao grupo Mello dois hospitais públicos. Pedro Dias Alves, começou por ser administrador do Hospital Amadora-Sintra pelo Grupo Mello para depois ser o responsável público pela avaliação das propostas de PPP’s para o Hospital de Lisboa Oriental e Algarve. Actualmente é administrador dos HPP. (Bruno Maia)

Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Um Governo preocupado com o desemprego dos outros

Do número anual de portugueses que emigram para o Luxemburgo, quase dois terços acabam por regressar a Portugal. Maioritariamente sem formação, a população portuguesa neste país representa já cerca de um terço do total dos desempregados. Um fenómeno que é extensível a outros dos principais destinos actuais da emigração portuguesa e que, diz-se aqui, está a preocupar o Governo. Não deixa de ter a sua lógica. Um Governo que o máximo que consegue fazer para diminuir o desemprego no seu país é apelar aos portugueses que emigrem em massa é natural que se preocupe com a notícia de que nos países de destino dessa emigração a vida também não está fácil. Para além do desincentivo que a notícia encerra, é fazer as contas para quanto subiria a taxa de desemprego caso os 120 mil portugueses que emigraram só no último ano - serão bem mais - regressassem à base e se juntassem aos mais de 700 mil desempregados que, sem eles, têm uma correspondência numa taxa de desemprego record a passar os 13 por cento. Cada regresso pesa.

A 50 euros a isenção

Os epilépticos terão que submeter-se a juntas médicas para manterem a isenção nas taxas moderadoras. Acho muito bem que se limite ao máximo a fraude. O que não me parece nada bem é o tempo que se espera por uma junta médica depois do muito que já se esperou para realizar todos os exames necessários, o que se paga por ela, 50 euros, e como costumam decorrer: “Ai é epiléptico? OK, atesto.” Esta burocratização do exercício de um direito elementar é uma fraude tão fraude como a que tenta evitar-se.

Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

O Estado, esse papão

O Ministério da Justiça devia em finais de Novembro 9,8 milhões de euros a uma sociedade anónima de capitais públicos pertencente ao universo da Parpública, a holding que gere parte do património do Estado. Reza a explicação oficial que a dívida do Estado ao próprio Estado – zero? – resulta do facto de o ministério não ter ainda desocupado o Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), vendido em 2006 por 62,3 milhões de euros a uma empresa do grupo Parpública e de nos últimos anos não ter tido capacidade financeira para pagar a renda mensal, que custa à tutela cerca de 220 mil euros por mês. Porém, olhando para o número e para a área em causa, que valerá muito, mas mesmo muito mais do que os 62,3 milhões, até um atrasado mental imediatamente identifica mais uma daquelas negociatas que põe o património público ao dispor de uma máfia que nem precisa de grande imaginação para enriquecer à custa de todos nós: ninguém se chateia e a Justiça colabora.


Moral da história: o Estado, e não estes senhores do arco da corrupção, é um cancro para as finanças públicas. Como tal, acabe-se com o Estado, venda-se tudo ao desbarato, mas mantenha-se o arco. Necessitamos deles para nos dizerem que vivemos acima das nossas possibilidades e para nos mandarem emigrar.

A saída possível: antes mentir em campanha do que ir parar à prisão

O plano de resgate financeiro da Madeira, que envolve um empréstimo cujo valor Alberto João Jardim não quis revelar, implica a transferência da gestão da dívida pública da Madeira para o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, proibindo a região de mais endividamento. A Madeira perde também as competências administrativas dos Assuntos Fiscais que são transferidos para a Autoridade Tributária e Aduaneira. O presidente do governo madeirense nega que as medidas traduzam o fim da autonomia da região: “É o acordo possível, mas sem este acordo seria pior porque estava em causa a sustentabilidade da dívida pública”, declarou Jardim ao anunciar, esta tarde, a Carta de Intenções enviada no dia 23 ao primeiro-ministro para obter a assistência financeira do Governo da República e os termos do contrato de financiamento intercalar.


E cá estamos nós, novamente, diante de uma situação em que se constata ter havido alguém que sefez eleger através de um contrato eleitoral que sabia à partida nunca iria cumprir. Voltamos também a verificar que, diante de um problema que, porque a cidadania não o solucionou, caberia à Justiça resolver, a solução adoptada passa por uma fórmula austeritária que, ao mesmo tempo que sacrifica um povo que não quis utilizar o voto para mudar o seu destino, enclausura a Madeira numa ultra-periferia da Europa moralizada pelo sacrifício dos seus habitantes.


Mas o jardinismo fica, juntamente com a austeridade. E não haverá desenvolvimento possível sem investimento público, tal como não haverá investimento público que produza desenvolvimento com Alberto João Jardim no poder. Pode ser que algum dia se perceba, sobretudo os madeirenses, que o problema não era investimento público a mais, era mau investimento público, e que apenas com uma classe política de palavra e descomprometida com enriquecimentos espontâneos será possível trazer para a região o desenvolvimento que os madeirenses ainda não fizeram por merecer..

Azar nítido

Fizeram o que puderam para ajudar na redução de salários. E conseguiram. No comércio, há gente a ganhar pouco mais de 2 euros à hora, sem quaisquer regalias ou sequer garantias de que haverá mais trabalho no dia seguinte. Agora, queixam-se que há saldos sobre saldos, que venderam pouquíssimo no Natal e que, redduzam o que reduzirem os preços, não vendem nada de nada. Os patrões do comércio descobriram que os colegas “empreendedores” dos outros sectores tiveram a mesma estratégia de maximização de lucros. Está na hora de juntarem todo o seu potencial “empreendedor” e inventarem o consumo sem salários. Se não conseguirem, sei lá, é tentar exportar… e verificar que os empreendedores dos outros países não tiveram ideia melhor do que a sua. É muito azar junto.

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

"Democratizar a economia": a "democratização" deles

1. Ou prescindem do subsídio de Natal e aceitam um corte adicional de 20% nos salários do próximo ano, ou o negócio fecha portas dentro de seis meses. Foi nestes termos que a administração de uma empresa da região de Lisboa e Vale do Tejo se dirigiu, no início de Dezembro, aos seus cerca de cem trabalhadores.Na última segunda-feira do ano, o Jornal de Negócios resume uma das certezas de 2012: "no novo ano haverá menos emprego em Portugal, mas mais horas de trabalho para quem tiver emprego. Tudo isto por menos dinheiro, tanto através dos salários, como no apoio a quem estiver desempregado".


2. Mais de um milhão de pessoas vai perder a isenção total no acesso aos cuidados de saúde e passará a ter isenção apenas parcial já a partir do próximo ano. A redução das isenções é assumida pelo Governo no documento da segunda revisão do cumprimento do programa de ajustamento em Portugal, apesar de o discurso governamental dos últimos meses apontar para um aumento das isenções.


3. A redução do valor do subsídio de desemprego vai obrigar os futuros desempregados a aceitar salários mais baixos. Este é um dos efeitos indirectos do novo valor máximo de 1.048 euros (em vez de 1.258 euros), bem como da norma que prevê a redução do valor da prestação em 10% a partir dos primeiros seis meses.


4. Os cinco helicópteros ao serviço do INEM custam dez milhões de euros por ano, mas três deles poderão deixar de trabalhar à noite, segundo o presidente deste organismo. Em média, os helicópteros do INEM, que só são utilizados para os casos mais extremos e para socorrer quem vive longe dos hospitais, efectuam meia saída por dia, um quarto de saída por noite. Fazendo as contas, a poupança de três milhões de euros num ano poderá custar ao país 3 mortos em cada 4 noites , num total estimado de 275 pessoas que ficarão sem assistência. A medida fixa o preço da morte em cerca de 11 mil euros. Recorde-se que a celeridade da assistência proporcionada pela existência de helicópteros foi um dos argumentos para encerrar urgências.


5. Os pensionistas que recebam mais de uma pensão cujo valor supere os 246 euros poderão ver estas prestações congeladas no próximo ano, de acordo com as novas formas de cálculo que o Governo aplicará para a actualização das reformas e dos cortes nos subsídios de Natal e de férias.

Entrevista a Éric Toussaint: outro caminho

Esteve recentemente em Lisboa para ajudar a lançar a Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública. Éric Toussaint é presidente do Comité para Anulação da Dívida do Terceiro Mundo e fez parte da equipa que realizou, entre 2007 e 2008, a auditoria sobre a origem e destino da dívida pública do Equador, ao serviço do novo Governo de esquerda do país, num processo que levou ao julgamento de vários responsáveis políticos e à decisão unilateral de não pagar parte da dívida equatoriana, que lhes valeu o regresso ao crescimento económico (ler aqui). Acredita que o mesmo pode acontecer na Europa. Mas isso implica romper com as exigências da troika. Abaixo, algumas passagens de uma entrevista que pode ler-se na íntegra aqui.


“Esta é uma crise que vai durar 10 ou 15 anos, porque o problema fundamental não é a dívida pública, mas sim os bancos europeus. E não estou a falar dos pequenos bancos portugueses ou gregos. O problema é que os grandes bancos – Deutsche Bank, BNP Paribas, Credit Agricole, Société Generale, Commerzbank, Intesa Sanpaolo, Santander, BBVA – estão à beira do precipício. Isso é muito pouco visível no discurso oficial. Só se fala da crise soberana, quando o problema é a crise privada dos bancos.”


“Em Portugal, a reestruturação está muito na moda, mas não gosto dessa palavra. Na história da dívida, a reestruturação corresponde a uma operação totalmente controlada pelos credores. Quando o devedor quer tomar a iniciativa, tem de suspender os pagamentos da dívida, para obrigar os credores a sentarem-se à mesa e discutir condições. Uma reestruturação é o que a troika vai fazer na Grécia, impondo um corte de 50% na dívida dos bancos privados, em troca de mais austeridade no país. Contudo, sem redução da dívida à troika, que se tornou o maior credor da Grécia e, ainda por cima, privilegiado, este tipo de reestruturação só alivia de maneira conjuntural o pagamento da dívida. Não é uma solução de verdade.”


“Sei que esta ideia está fora do debate público, mas, para mim, se um país quiser sair desta crise, tem de romper com a troika. Tem de dizer: senhores, as condições que nos impõem são injustas e não nos servem a nível económico.”


“A Alemanha beneficia com o euro, pelas suas exportações e, inclusive, pelos empréstimos a Portugal. Quando vai financiar-se ao mercado, a Alemanha paga 1%, mas empresta a Portugal a 5%. Não é generosidade, é um bom negócio para a Alemanha. O que Portugal precisa é de uma política soberana em que o Estado declarasse não querer sair da zona euro, mas dissesse que as condições impostas pela troika são inaceitáveis para os cidadãos e para o interesse do país. Caso contrário, a troika só fará mais exigências, que não permitirão ao país sair da situação em que se encontra. Se Portugal disser não à troika, esta seria obrigada a sentar-se à mesa e renegociar a dívida e as condições que impõe. E não me parece que a troika queira a saída de um país do euro.”


Vale a pena continuar a ler.

Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Mensagem do coveiro aos tontos

Explicando o que quer dizer com democratização da economia, o primeiro-ministro utilizou a mensagem de Natal para afirmar que quer “colocar as pessoas, as pessoas comuns com as suas actividades, com os seus projectos, com os seus sonhos, no centro da transformação do país”. E “que o crescimento, a inovação social e a renovação da sociedade portuguesa venha de todas as pessoas, e não só de quem tem acesso privilegiado ao poder ou de quem teve a boa fortuna de nascer na protecção do conforto económico”. Traduzindo a treta de Natal por miúdos, a “democratização da economia” de Passos Coelho é a concretização do sonho de fazer de cada português um precário sem direito a protecção no desemprego, de nos pôr a trabalhar mais de um mês à borla e subtrair-nos mais de dois salários por ano, de aumentar os impostos e os preços de serviços públicos essenciais como nunca ninguém aumentou, não se importar que isso traga atrás de si encerramentos de empresas em barda, uma aceleração record do desemprego e um recuo histórico do PIB, de vender empresas públicas ao desbarato e pôr-nos a pagar uma renda a quem as compre durante as próximas gerações, desmantelar os nossos serviços públicos para abrir negócios aos privados e, democracia das democracias, manter as grandes fortunas e o sector financeiro à margem de qualquer sacrifício, ao mesmo tempo que insulta quem sacrifica dizendo-nos para nos irmos embora do país e lembrando-nos que vivemos acima das possibilidades de uma riqueza que nunca provámos. Prefiro não escrever mais nada. Sinto-me insultado sempre que este tipo abre aquela boca.


Actualização: na meia hora a seguir a escrever este post, no facebook, recebi mais dois pedidos na aplicação Castle Ville e um noutra palermice do género. Afinal, deve estar tudo bem.

Orelhas de burro

The Pogues - "Fairytale of New York"

Sábado, 24 de Dezembro de 2011

Natal


Os enfeites da árvore de Natal mudaram na luminosidade,na cor e no cheiro. A corrente artística tecnocrática é muito detalhista.

Regras são regras


E esta é uma regra económica básica que nada tem que ver com moralidade ou com a lógica da esmola que gosta de auxiliá-la na perpetuação de riquezas e pobrezas: apenas teremos presente e, porque não, futuro, quando toda a gente tiver direito a almoçar e a jantar. Economia não é o antónimo de Justiça social, antes pelo contrário.

Mais prendinhas


1. A duração do subsídio de desemprego será reduzida até 75%. Os actuais trabalhadores têm os seus direitos adquiridos consagrados no projecto do Governo, mas apenas até à próxima machadada, que isto tem que ser aos bocadinhos, para ninguém se revoltar.


2. Várias empresas de transportes já estão a avisar os passageiros de que haverá aumentos nos preços dos passes e dos bilhetes a 1 de Janeiro, apesar da lei obrigar a que o Governo publique previamente o valor da subida, o que ainda não aconteceu. Nos “tempos que o país atravessa”, a lei é o que menos importa, apenas há que pagar ou pagar.


3. "A crise está aí e veio para ficar", comenta o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas. O representante dos hoteleiros acha que o facto de o fim do ano calhar a um sábado, sem direito a "pontes" para fazer mini-férias, não estimulou as propostas de promoção para fazer "férias cá dentro". As previsões apontam para que a ocupação fique por metade daquilo que acontecia antes, apesar da baixa de preços.


4. Mas descansem os portugueses: muito mais importante, o duque de Edimburgo, marido da rainha de Inglaterra, essa personalidade a quem tanto devemos, passou bem a noite” após uma operação de urgência, sexta-feira à noite, a uma artéria coronária obstruída. Para reconfortar as almas, temos ainda um bebé que sobreviveu ao desemprego suicidário da mãe e um rapazinho que regressa a casa depois de sete anos em que andou perdido após sobreviver ao tsunami.


Estão a ver? Temos é que ser positivos e encher a boca de bacalhau e fritos. O Natal é sempre lindo. Inventem felicidade. Sorriam.

Democracia, o presente de Natal mais pedido na China

Pela primeira vez, o “modelo China”, baseado na produção de baixo custo destinada ao exterior, mostra os seus limites: o crescimento desacelera, e o governo de Pequim teme que o vírus da instabilidade da zona euro se espalhe pelo Oriente.


Símbolo das revoltas que sacodem a segunda potência económica do mundo é o povoado de Wukan, no condado de Shanwei, coração do riquíssimo Guangdong. Há cinco dias, os 20 mil habitantes da cidade, divididos entre pesca, agricultura e indústria, estão sob o cerco do Exército. Para reprimir a revolta, que começou em setembro, as autoridades ordenaram o bloqueio aos alimentos e, no domingo, ninguém pode entrar ou sair. Mil agentes circundam a região e contínuos confrontos armados com a população ameaçam degenerar num dramático conflito. Postos de bloqueio e de censura impedem a entrada em Wukan. Os habitantes que conseguiram fugir através dos campos, testemunham os ataques das forças armadas de Pequim, que também atacam mulheres e crianças com canhões de água e gás lacrimogéneo. São dezenas de feridos, enquanto 13 líderes da revolta foram capturados e presos.


O que fez explodir a raiva popular foi a morte na prisão do chefe dos insurgentes, Xue Jinbo, de 43 anos. Segundo a polícia, tratou-se de uma paragem cardíaca súbita. Os familiares, aos quais o corpo não foi devolvido, descrevem, pelo contrário, um corpo torturado pelos espancamentos e pelas queimaduras. Pela primeira vez desde os dias do massacre da Praça Tiananmen, imagens captadas por telemóvel mostram uma multidão enfurecida que exibe faixas que invocam “o fim da ditadura” e a “morte dos funcionários comunistas corruptos”. (ler mais)

Democracia, o presente de Natal mais pedido na Rússia

Milhares de pessoas juntaram-se hoje em Moscovo para protestar contra a fraude eleitoral no escrutínio de 4 de Dezembro que deu vitória ao partido do primeiro-ministro Vladimir Putin. Nas ruas ouviu-se gritar “A Rússia sem Putin” ou “Novas eleições, novas eleições”. A oposição garante que saíram para a rua cerca de 120 mil manifestantes, a polícia reconhece apenas cerca de 29 mil. O protesto atingiu, sem dúvida alguma, uma dimensão maior do que aquele que se realizou há duas semanas, pouco após as eleições em que foi dada vitória ao partido Rússia Unida de Putin, sublinhou a AFP.

Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

Feliz Natal uma ova


Cá está ela, a nossa tradicional canção de Natal. É a mesma do ano passado, de há dois e não sei se também de há três e há quatro anos. Não se queixem, o Natal é sempre assim. As músicas passam de uns anos para os outros. Esta está cada vez mais actual. Feliz Natal uma ova. Estamos a meio de um funeral.

Gostei de ler: «Carlos Moedas para Grupo Carlyle:" a minha esposa trata disso"»

«Toda a gente já percebeu a minha queda pelo Moedas. Cada um com a sua fraqueza. A minha é conhecer quem me lixa, mesmo que seja com voz suave e cara de bom aluno. E tenho cá para mim que o Moedas também me conhece, pois de todos os membros deste Governo este é, com certeza, o que mais pesquisa o próprio nome no google.

Agora, o que eu acho que toda a gente gostaria de saber é porque é que este jovem senhor bem composto, o Secretário de Estado da troika, anuncia em Agosto que se encontra em "processo de alienação de todas as participações que tem naquelas empresas", sendo uma dessas empresas a Crimson Investment Management, empresa do qual era o principal gestor e que funciona como testa-de-ferro de um fundo de 2,2 bi do Grupo Carlyle e, em 10 de Dezembro, na 4º Conservatória do Registo Comercial de Lisboa, esta, que era uma sociedade anónima detida pelo Moedas, Miguel Pais do Amaral, João Brion Sanches, Filipe de Button e Alexandre Relvas, passa a ser detida, em exclusividade pela esposa de Carlos Moedas.


Aceitam-se palpites (quiçá até do próprio Moedas, que honra seria)» - Adriano Campos

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Parece que temos equipa


Um ex- embaixador de Portugal no Senegal e a sua encarregada de negócios foram acusados pelo Ministério Público de terem auxiliado a imigração ilegal. Ora aqui estão dois elementos com experiência comprovada que, com toda a certeza, poderão revelar-se de extrema utilidade na prossecução da política oficial do Governo. Apenas há que safá-los da Justiça, mas, que diabo, se o conseguiram com Isaltino, Duarte Lima, Dias Loureiro, Paulo Portas e tantos, tantos outros, o mais difícil agora será mesmo acordar os honorários. A actual situação do país não se compadece com burocracias desnecessárias.

Aulas práticas sobre voto útil: transparência


Foi apenas com os votos do Bloco, PCP e Verdes que a lei passou, mas nem o PSD, nem o CDS, nem o PS ousaram impedir o alargamento de três para seis anos do período de impedimento para os gestores e governantes que com tanta ferquência passam para empresas do sector privado com quem negociaram enquanto ocupavam cargos públicos. Para o Bloco de Esquerda, e julgo que para todos os que acompanhem a vida pública com o mínimo de atenção e esclarecimento, a realidade demonstrou que o limite de 3 anos era manifestamente insuficiente para a transparência da vida democrática e do sistema político". Estamos a pagá-lo bem pago.

Amigos para siempre

O Governo português prepara-se para aceitar que o seu homólogo chinês nacionalize a eléctrica portuguesa. Será a China a rentabilizar, em proveito próprio, o investimento em energias renováveis que nos foi e será cobrado pelo tal “défice tarifário” que o regulador consegue encontrar nos mais de 5 milhões de euros de lucros diários que vão reforçar os laços entre os dois países. Dirão os chineses: eles aceitam pagar-nos uma renda por toda a vida que, ao pesar na competitividade do país com uma das tarifas mais inflacionadas de toda a Europa, ainda compensam quer com diminuição de dias de férias e supressão de feriados, quer com salários cada vez mais parecidos com os dos chineses. Calamba! Os portugueses são mesmo amigos.

Aulas práticas sobre voto útil: portagens

O fim da cobrança das portagens na A22, A23, A24 e A25, proposto por Bloco de Esquerda e PCP, foi chumbado hoje com os votos do PSD, CDS e PS, este último com as excepções de seis votos contra e duas abstenções. A votação indica quem quer ver os portugueses a pagar duas vezes as mesmas auto-estradas: as PPP e as portagens. Votos úteis foram novamente os votos na esquerda. Fazem o que podem maximizando a utilidade dos poucos votos que lhes foram confiados.


Uma curiosidade: António José Seguro diz que não há sentido de justiça e solidariedade em Portugal e reafirmou que não existe uma “repartição justa e equilibrada do esforço que está a ser pedido aos portugueses”. Mas votou contra o fim das portagens. O costume.

Também escolheram não mudar para melhor

O novo ministro da Economia do governo espanhol era o presidente do Lehman Brothers para Portugal e Espanha quando se deu a falência do gigante da banca. E o ministro da Defesa foi representante da empresa que vendeu bombas de fragmentação a Khadafi.

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

De costas voltadas para a democracia


"Que emigrem todos os políticos". Esta é a reacção que mais leio por aí depois do apelo à emigração repetido por pelo menos quatro políticos imbecis. Então e os outros? Os que nos defendem e sempre nos defenderam? Qualquer dia são estes os que emigram, logo a seguir a emigrar a paciência para os combates que travam diariamente com um poder que apenas é diminuto porque a ingratidão também é desconfiada e pouco amiga de arriscar. Então é que estaríamos mesmo tramados: em democracia, nunca viveremos sem políticos. Ou será que acreditam que vem para aí a Virgem Maria, uma prima dela ou o próprio Jesus para nos salvar? Ou serão saudades do botas das sardinhas para sete e do pobrezinhos mas honrados e limpinhos? Enquanto este povo não aprender a viver em democracia, haveremos de sofrer este inferno por muitos e maus anos.


Isto só pode continuar a descambar. Quando a democracia mais necessita dos cidadãos, quando os cidadãos mais precisam da democracia, estes voltam-lhe as costas para, cada um por si, se entreterem a dizer mal dos políticos, dos que provaram e dos que nunca ousaram provar, porque “são todos iguais”, políticos, palavra malvada. Não admira, pois, que segundo este ranking, ultrapassado por Cabo Verde, Portugal tenha descido um lugar na tabela, passando a figurar entre os países que têm democracias com falhas. Os selvagens que permitem aos imbecis a escolha dos Governantes cuja eleição se recusam impedir estão, eles próprios, a mandar emigrar a democracia para outras paragens onde seja melhor cuidada e merecida. O convite é igualzinho àquele que lhes incendeia a inconsequência. De que se queixam, afinal? Estes selvagens parecem todos iguais.

Olha, que giro, uma troika

A Coreia do Norte vai ser governada por Kim Jong-un, um tio e um militar. Aqui está uma Troika que, fosse quem fosse a constituí-la, apesar da austeridade, miséria e repressão ao extremo,mereceria sempre, como tenho a certeza que merecerá, a bênção do PCP. Teimosia palerma.

Nisto somos mesmo bons

Há uma mão, invisível mas poderosíssima, que está a empurrar Duarte Lima da Justiça brasileira para o aconchego da Justiça Portuguesa. Será a primeira vez que o Brasil abdica de julgar um crime, e logo um homicídio, e confiar essa parcela da sua soberania à Justiça do país do acusado. Bom, se acontecer, já sabemos como isto vai acabar, não sabemos? O mais difícil estará feito. A matéria de prova recolhida pelas autoridades brasileiras não terá qualquer valor em Portugal. Glória aos ladrões e assassinos. Nisto somos mesmo bons. Acho que nem vale a pena dizer que o Rei vai nu. Anda nu há tanto tempo que tem um bronze de fazer inveja ao próprio Mantorras.

Assim na terra como no céu

A partir de 1 de Janeiro de 2012, todas as companhias aéreas que aterrarem ou descolarem na Europa terão de compensar as emissões do dióxido de carbono (CO2) que emitirem durante os voos através da compra de licenças, conforme prevê um sistema europeu que já penaliza refinarias, centrais eléctricas e outras indústrias. Serão novamente os cidadãos europeus os penalizados com esta globalização a dois mundos que lhes leva os empregos para onde não existem nem restrições ambientais, nem condições de trabalho condignas e lhes traz estas últimas juntamente com a ordem de desmantelamento do Estado social que o achatamento salarial assim importado deixa de poder pagar.

Feliz Ano Novo


Qualquer cuidado de enfermagem no âmbito dos cuidados de saúde primários terá um custo de quatro euros para os utentes que não estão isentos, mas esta é apenas uma das novidades do postal de feliz ano novo publicado numa portaria conjunta dos ministérios da Saúde e das Finanças que se sobrepõe em importância à própria Constituição da República Portuguesa. A nossa Lei Fundamental consagra o “direito à protecção da saúde” “através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito”. O OE 2012, pela via da desorçamentação, condiciona a qualidade do serviço prestado pelo SNS. E a Portaria consagra uma concorrência desigual com um sector privado que agradece a oportunidade de negócio nascida sobre o cadáver da CRP.

Patrocínio:

Quem quer comprar um radical da incompetência?

Eles insistem. O eurodeputado do PSD Paulo Rangel sugeriu na terça-feira a criação de uma agência nacional para ajudar os portugueses que queiram emigrar, considerando que essa pode ser uma “segunda solução” para quem não encontra trabalho em Portugal. A primeira solução - e a segunda nada soluciona - seria termos um Governo que criasse emprego. Como não temos, a agência que se ocupe de oferecer os seus serviços. Pode ser que haja algum país de brutos que esteja interessado em ser governado por uma corja de radicais da incompetência mais descarada. Reforce-se que ao senhor Rangel não o exportámos para o local mais condizente com as suas desqualificações, o que demonstra que todo o cuidado é pouco com estes senhores. É todo um percurso político, e não apenas a crítica circunstancial, que diferencia quem é digno de confiança e quem não passa de mais um incompetente vendido com cara de bem intencionado.

Uma "reforma estrutural" na primeira pessoa

Segue, abaixo, aquilo que é simultaneamente uma descrição da “reforma estrutural” da Saúde na primeira pessoa e, apesar dos indícios de ter ficado pelo menos um livro amarelo por preencher, um exercício de cidadania raro, com um valor acrescido por ter sido escrito por alguém que pedia cama e não teclas. A Maria João quis minimizar a surpresa de todos nós os que venhamos a recorrer a este SNS que, pelas mãos de uma perigosa quadrilha ao serviço de interesses bem identificados, se prepara para racionar pelo preço o direito à Saúde que era nosso, ao mesmo tempo que poupa em aspectos essenciais para a prestação de um serviço público com mínimos de qualidade e fiabilidade. Rápidas melhoras para ela, Maria João Brito de Sousa

Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

PORTUGAL ESTÁ A SAQUE

A CP tentou vender junto de museus ferroviários europeus o comboio histórico de via estreita estacionado na Régua, mas a Federação Europeia das Associações de Caminhos-de-Ferro Turísticos (Fedecrail) boicotou essa tentativa, pedindo aos museus que renunciassem à compra, mesmo que estivessem interessados. "Essa proposta pareceu-nos escandalosa, porque o material em via métrica português é raro e é uma composição que está em bom estado", disse ao PÚBLICO Jacques Daffis, vice-presidente da Fedecrail, que tomou a iniciativa de informar o Museu Nacional Ferroviário português, que desconhecia esta tentativa de venda por parte da CP. "O que é incrível é que a CP tenha proposto a sua venda sem informar previamente o museu português", disse, explicando que a posição da Fedecrail é de que o património deste tipo só deve ser vendido ao estrangeiro "se não houver nenhuma possibilidade de preservação no país de origem e/ou se estiver em perigo".


A EDP, a REN, a TAP, a ANA, a Águas de Portugal e outras empresas bastante lucrativas com interesse estratégico nacional serão igualmente postas à venda a preços de saldo e também com evidentes perjuízos para o país, mas os escrúpulos das aves de rapina que se acotovelam para se apoderarem de uma renda a pagar por todos nós durante gerações impedem-nos de também expressarem bem alto, para que niguém possa dizer que não ouviu, que PORTUGAL ESTÁ A SAQUE.

Aulas práticas sobre voto útil: irresponsáveis, arrogantes, radicais, imbecis

O comissário europeu dos assuntos sociais, Laszlo Andor, mostrou-se hoje muito preocupado com a emigração de jovens europeus para outras paragens, nomeando "Brasil, Angola e Moçambique", numa mensagem que parece desenhada para chocar com o apelo à emigração feito pelo primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho. Andor não apenas critica a perda de uma "geração inteira" como também recorda o "custo financeiro" que isso acarreta. (daqui)


Os jovens licenciados portugueses com menos de 25 anos são os mais atingidos pela quebra das taxas de emprego registada na última década, enquanto na média europeia os mais lesados neste grupo foram os que tinham qualificações mais baixas. Os incapazes não conseguem cumprir com a função que é sua de rentabilizar a aposta na Educação que todos pagámos ao longo das últimas décadas. O país apenas teria a ganhar com a emigração destes ladrões de presentes e de futuros.

O elixir da vida mansa

A justiça alemã condenou hoje dois ex-executivos da Ferrostaal a dois anos de prisão, com pena suspensa, e ao pagamento de coimas por suborno de funcionários públicos estrangeiros, na venda de submarinos a Portugal e à Grécia. Apesar do Estado português ser um dos dois lesados por este crime, a Justiça portuguesa, em silêncio, mostra não querer chatices com o poder político que garante as vidas mansas ao seu pessoal.

Aulas práticas sobre voto útil: confiança

Numa audição no Parlamento na Comissão Eventual de Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, Vítor Gaspar explicou que, com as medidas extraordinárias tomadas este ano, o défice orçamental “ficará na casa dos 4%”, em vez dos 5,9% previsto. Primeira mentira: sempre havia a tal “almofada” que garantiram não existir para roubar metade do subsídio de Natal deste ano. O argumento bizarro da “situação de emergência” que serviu ao Tribunal Constitucional também cai por terra.


O ministro das Finanças afirmou também que os cálculos do Governo sugerem que “não há qualquer necessidade de medidas adicionais de austeridade” e salientou que a questão será discutida em detalhe no âmbito do orçamento rectificativo do próximo ano. Segunda mentira. No mesmo dia, o Governo anunciou a necessidade de tornar os despedimentos quase gratuitos já em 2012, outra pedrada na Constituição que consagra a garantia de segurança no emprego no seu artigo 53º.


Ironias do destino


A Academia Americana de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou, esta segunda-feira, a lista das músicas candidatas ao Óscar na categoria melhor canção original, onde surge o fado de Camané “Já não estar”, especialmente gravado para o filme igualmente nomeado “José e Pilar”, co-produzido pelos realizadores Fernando Meirelles e Pedro Almodôvar. A letra é de Manuela de Freitas e a música de José Mário Branco. Depois da consagração do fado como património imaterial da humanidade, é curioso verificar como, empurrado por mão estrangeira, o fado descola da ideologia dos três FFF para terrenos tão à esquerda como os que pisa José Mário Branco e aqueles por onde José Saramago deixou para sempre as marcas indeléveis do seu trajecto de vida. Ironias do destino.

Partida

Cesária Évora - "Partida"

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Uma perversão com cara de absurdo

Os países da zona euro acordaram hoje reforçar os recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) com 150 mil milhões de euros para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) possa reemprestar 150 mil milhões de euros aos países da zona euro. Absurdo? Não há absurdos quando há tantos milhões a escorrer de uma pobreza para uma riqueza. O resto é uma agenda política de desmantelamento de direitos sociais e laborais que vai agarrada aos milhões e regressa com o rótulo de “nós até nem queríamos , eles é que nos obrigam e são eles que têm o dinheiro que tanto necessitamos”. São mais 150 mil milhões de euros em poder para impor mais santa austeridade acrescidos de outra fortuna em juros que não teríamos que pagar caso o Banco Central Europeu assumisse o papel que é delegado naqueles amigalhaços do FMI.

Mais emigração

O número de cirurgias diminuiu drasticamente na maioria dos hospitais, que estão a programar mais operações dentro dos horários normais. O Ministério admite que o fim do pagamento de cirurgias adicionais e horas extras levou a esta situação, mas ainda não recomendou a todos os doentes à espera de cirurgia a emigração em massa que reduziria a zero as filas de espera. Tivemos um Governo que contornou com prémios imorais o fim do regime de ubiquidade que é a excepção ao princípio da exclusividade vigente em toda a Administração Pública, segundo o qual ninguém pode acumular no privado funções conexas com as desempenhadas no público. Temos agora outro Governo que tentou contornar o mesmo princípio com discursos moralistas que encolhem salários e afastam utentes através do preço. O resultado será o regresso à casa da partida ou mais atrás ainda: porque esta tipologia de governantes se recusa a emigrar, os médicos vão continuar a poder angariar no SNS os clientes que depois operam nas clínicas privadas onde trabalham. Paga quem pode, espera quem não. E emigra quem consegue. Não está fácil.

Uma morte com mais de 69 anos de atraso

O “querido líder” norte-coreano Kim Jong-il morreu, este sábado, de ataque cardíaco durante uma viagem de comboio que se atrasou mais de 69 anos. Tratando-se de um ditador, seria perferível ter morrido à nascença. Ou até antes, por questões sanitárias.

Domingo, 18 de Dezembro de 2011

Quem é que não nos faz falta

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sugere que os professores desempregados emigrem para países lusófonos, realçando as necessidades do Brasil. Tenho a certeza que o sentimento é recíproco. Aliás, não serão apenas os professores desempregados a desejar uma rápida emigração de toda a corja de políticos cuja competência, como não dá para criar emprego ou criar riqueza, é mascarada por um moralismo imaginativo na punição e na glorificação da pobreza e do sacrifício geral que usa como pretextos para roubar salários, roubar direitos, roubar futuros, ao mesmo tempo que enriquece uma minoria clientelar. Se não dão para mais, que dêem lugar a outros. Governantes sem soluções é que não fazem falta mesmo nenhuma.

A brincar, a brincar

Este é o post nº 5000.

Orelhas de Burro

Gostei de ler - "Europa: A grande regressão"

«Agora está claro: não existe, no interior da União Europeia, nenhuma vontade política de enfrentar os mercados e resolver a crise. Até há pouco, atribuiu-se a lamentável actuação dos dirigentes europeus à sua desmedida incompetência. Mas esta explicação, ainda que correcta, não basta, sobretudo depois dos recentes “golpes de Estado financeiros” que puseram fim, na Grécia e na Itália, a certa concepção de democracia. É óbvio que não se trata só de mediocridade e incompetência, mas de cumplicidade activa com os mercados.


A que chamamos “mercados”? A este conjunto de bancos de investimento, companhias de seguros, fundos de pensões e fundos especulativos (hedge funds) que compram e vendem essencialmente quatro tipos de ativos: moedas, acções, papéis da dívida dos Estados e produtos derivados dos três primeiros.


Para ter ideia da sua força colossal, basta comparar duas cifras: em cada ano, as empresas de bens e serviços criam, em todo o mundo, uma riqueza estimada (se medida pelo PIB) em cerca de 45 biliões (milhões de milhões) de euros. Ao mesmo tempo, em escala planetária, os “mercados” movem capitais avaliados em 3.450 biliões de euros. Ou seja, setenta e cinco vezes o que produz a economia.


Consequência: nenhuma economia nacional, por poderosa que seja (a da Itália é a oitava do mundo), pode resistir aos assaltos dos mercados quando estes decidem atacá-la de forma coordenada, como estão a fazer há mais de um ano contra os países europeus depreciativamente qualificados como PIIGS [porcos, em inglês]: (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).


O pior é que, ao contrário do que se poderia pensar, estes “mercados” não são unicamente forças exóticas, vindas de algum horizonte distante para agredir as nossas gentis economias locais. Não. Na sua maioria, os “atacantes” são os nossos próprios bancos europeus (estes mesmos que foram salvos, com o nosso dinheiro, pelos Estados, na crise de 2008). Para dizer de outra maneira, não são apenas fundos norte-americanos, chineses, japoneses ou árabes os que estão a atacar maciçamente alguns países da zona euro.


Trata-se essencialmente de uma agressão de dentro, dirigida pelos próprios bancos europeus, as companhias europeias de seguros, os fundos especulativos europeus, os fundos europeus de pensões, as instituições financeiras europeias que administram as poupanças dos europeus. São eles que possuem a parte principal da dívida dos Estados1. E que, para defender em teoria os interesses dos seus clientes, especulam e obrigam os Estados a elevar as taxas de juros que pagam, a ponto de levar vários (Irlanda, Portugal, Grécia) à beira da falência. Com o consequente castigo para os cidadãos, que devem suportar medidas “de austeridade” e brutais ajustamentos decididos pelos governos europeus para “acalmar” os mercados-abutres – ou seja, os seus próprios bancos.


Estas instituições, além de tudo, conseguem facilmente dinheiro do Banco Central Europeu a 1,25% de juros, e emprestam-no a países como Espanha ou Itália a… 6,5%. Daí a importância escandalosa das três grandes agências de avaliação de riscos (Fitch Ratings, Moody’s e Standard & Poor’s): da nota que atribuem a um país2 depende o nível dos juros que este pagará para obter um crédito dos mercados. Quanto mais baixa a nota, mais altos os juros.


Estas agências não apenas costumam equivocar-se – em particular na sua opinião sobre as hipotecas subprime [de segunda linha] norte-americanas, que deram origem à crise actual – mas desempenham, num contexto como o de hoje, um papel perverso e execrável. Como é óbvio que todos os planos “de austeridade” de cortes de direitos e ataque aos serviços públicos irão traduzir-se em queda do índice de crescimento, as agências baseiam-se nisso para rebaixar a nota do país. Consequência: este deverá reservar mais dinheiro para o pagamento da sua dívida. Dinheiro que precisará obter cortando ainda mais o orçamento. Provocando queda inevitável da actividade económica e das próprias perspectivas de crescimento. E então, de novo, as agências rebaixarão a sua nota.


Este ciclo infernal de “economia de guerra” explica porque a situação da Grécia se foi degradando tão drasticamente, à medida que o seu governo multiplicava os cortes e impunha uma férrea “austeridade”. De nada serviu o sacrifício dos cidadãos. A dívida da Grécia baixou ao nível dos “títulos lixo”.


Deste modo, os mercados obtiveram o que queriam: que os seus próprios representantes cheguem ao poder, sem precisar submeter-se a eleições. Tanto Lucas Papademos, primeiro-ministro da Grécia, quanto Mario Monti, presidente do Conselho de Ministros da Itália, são banqueiros. Os dois, de uma maneira ou de outra, trabalharam para o banco norte-americano Goldman Sachs, especializado em colocar os seus homens nos postos de poder.3 Ambos são, também, membros da Comissão Trilateral.


Estes tecnocratas planeiam impor — custe o que custar socialmente e nos marcos de uma “democracia limitada” — as medidas que os mercados exigem (mais privatizações, mais cortes, mais sacrifícios) e que alguns dirigentes políticos não se atreveram a tomar, por temerem a impopularidade que tudo isso provoca.


A União Europeia é o último território no mundo em que a brutalidade do capitalismo é mitigada por políticas de protecção social. Isso que chamamos “estado de bem-estar”, os mercados já não toleram e querem demolir. Esta é a missão estratégica dos tecnocratas que chegam ao centro do governo graças a uma nova forma de tomada de poder: o golpe de Estado financeiro. Apresentado, é claro, como compatível com a democracia…


É pouco provável que os tecnocratas desta “era pós-política” consigam resolver a crise. Se a sua solução fosse técnica, já teria sido adoptada. Que se passará quando os cidadãos europeus constatarem que os seus sacrifícios são em vão e que a recessão se prolonga? Que níveis de violência os protestos alcançarão? Como se manterá a ordem na economia, nas mentes e nas ruas? Haverá uma tripla aliança entre o poder económico, o mediático e o militar? As democracias europeias converter-se-ão em “democracias autoritárias”?» - Artigo publicado em Le Monde Diplomatique em espanhol, traduzido por António Martins para Outras Palavras, revisto por Carlos Santos para esquerda.net


______


1 Na Espanha, por exemplo, 45% da dívida pública é controlada pelos próprios bancos espanhóis. Dos 55% restantes, dois terços são detidos por instituições financeiras do resto da União Europeia. Significa que 77% da dívida espanhola foi adquirida por europeus e que apenas os 23% restantes se encontram em mãos de instituições estrangeiras à UE.



2 A nota mais alta é AAA, que no final de novembro só possuíam no mundo poucos países: Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Dinamarca, França, Finlândia, Holanda, Reino Unido, Suécia e Suíça. A nota dos Estados Unidos foi rebaixada, em agosto, para AA+. A da Espanha é atualmente AA, idêntica às do Japão e China.



3 Nos Estados Unidos, o Goldman Sachs já conseguiu, por exemplo, fazer de Robert Rubin secretário do Tesouro do presidente Clinton; e de Henry Paulson, o ocupante do mesmo posto no gabinete de George W. Bush. O novo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, foi também vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa, entre 2002 e 2005.

Sábado, 17 de Dezembro de 2011

As auditorias que eles não querem

Para todos aqueles que pensam que uma auditoria à dívida é ideia apenas defendida em Portugal, em Itália defende-se o mesmo e com argumentos em tudo iguais aos nossos: “é justo reclamar a anulação da parte ilegítima da dívida, aquela que foi contraída para sustentar os benefícios, para garantir a especulação dos grandes bancos”. (continuar a ler aqui sobre Itália e aqui sobre Portugal



A dignidade que nos resta

Depois de preguiçosos, bêbados. A direita amiga dos credores, que tanta barulheira fez por causa de uma exigência legítima de um deputado que constatou que os nossos representantes se limitam a aceitar as imposições de Bruxelas sem o mínimo esforço para tentar minimizar a catástrofe a que nos conduzem,, cala-se. Miguel Portas e Marisa Matias questionaram por escrito o Presidente do Banco Central Europeu sobre as declarações de Jens Weidmann, conselheiro do BCE e presidente do banco central alemão, que comparou os países endividados a bêbados viciados em dívida. Questionado no Parlamento, Passos Coelho deu uma gargalhada antes de responder a Louçã que não tem que justificar "as imagens metafóricas" do banqueiro alemão. Claro. Eles aceitam o que quer que seja. Ainda bem que os políticos não são todos iguais, senão não teríamos quem mostrasse que não somos um povo curvado e de mão estendida.

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

Mas qual paz, qual amor, o Natal não é nada disso

Apregoa-se que o Natal é amor, é perdão, é tudo o que um homem quiser. Mas não será bem assim. Uma troca no ficheiro enviado em anexo a um e-mail de Boas Festas deverá levar à suspensão do comandante da Polícia Municipal (PM) de Coimbra, que ontem se tornou alvo de um processo disciplinar. Isto, porque, por engano, segundo o próprio, Euclides Santos enviou para todos os funcionários da Câmara de Coimbra uma apresentação em Powerpoint de 25 páginas na qual se lia que esta é uma belíssima época, em todo o mundo, para desejar que haja paz, que se tenha saúde, que se viva com amor, que blah… blah… blah…”, pode ler-se na introdução. Depois de várias páginas com fotos de mulheres pouco vestidas, a mensagem continua: “E basta de farsas e de palavreado inútil! O que eu desejo, de todo o coração, é que tenhas relações sexuais incríveis, uma vida alegre e feliz, que trabalhes muito e que te paguem bem!”. “E agora não digas que não sou um teu grande amigo”, conclui o senhor comandante, após mais uma sequência de fotos e frases do mesmo género. Conclusão mais do que óbvia: nem paz, nem amor, muito menos perdão. O Natal é mesmo fodido. Nem mesmo o menino Jesus poderá agora fazer alguma coisita para safar o homem das garras da impiedosa moralidade que idolatra o-das-palhas. Dizer que tamanho puritanismo fecha os olhos a isto aqui mas arregala-os e arreganha-se com isto aqui.


(actualizado)

Mensagem da presidenta

Lê-se em toda a comunicação social que o Presidente da República deixou uma mensagem de Natal no site da Presidência da República, mas, depois de ver o vídeo, percebe-se facilmente que não foi o Presidente e sim o Aníbal que lá deixou a dita: aparece uma senhora com ar de cozinheira que não me lembro de ver em nenhum boletim de voto e que, como tal, deveria ter ficado na cozinha. Depois queixam-se dos ácaros da democracia que invadem espaços que não lhes pertencem.

Estamos assim


A imagem de marca do país: toda a gente a ver um edifício social que implode e desaparece rapidamente para dar lugar a um local aprazível só para ricos. Somos mesmo nós.

Ainda sobre a polémica em redor do óvio

Ainda sobre as declarações do deputado do PS Pedro Nuno Santos e também sobre as declarações de Pedro Passos Coelho, hoje, no Parlamento.


Primeira questão: vamos conseguir pagar a dívida nas actuais condições de financiamento e com o estrangulamento económico que é sua consequência directa? Resposta óbvia: não. E fingir que a questão não existe é agravar e adiar um problema.


Segunda questão: os nossos governantes representam o interesse do seu povo ou dos credores do seu povo? Resposta óbvia: do seu povo, embora se esqueçam de onde lhes provém o poder.


Terceira questão: o que é que acontece quando, numa negociação, as duas partes puxam ambas para o mesmo lado? Resposta óbvia: a parte cujos interesses não estão representados sai inevitavelmente prejudicada.


Quarta questão: por que razão, então, as declarações do deputado do PS geraram tanta polémica? Resposta possível: graças ao excelente trabalho desenvolvido em parceria pelo poder político e meios de comunicação social , afastando as questões anteriores de qualquer debate, implantaram-se ideias absurdas, entre as quais a imbecilidade de que há vantagens em mostrarmos que somos devedores amistosos que, a troco do elogio da nossa obediência canina, abdicamos de qualquer negociação.


Quinta questão: o que ganhamos em apresentar-nos como os melhores amigos de quem enriquece à nossa custa? A realidade mostra-o: pagarmos 5, 10, 20 vezes a taxa de juro que os bancos pagam pela liquidez que obtêm junto do BCE para depois nos emprestarem ao preço que querem, oferecer-lhes de mão beijada a diferença e ainda agradecer.


Pagar uma dívida é bem diferente de enriquecer bancos e especuladores. E pagar uma dívida implica ter meios para o fazer, meios que passam por emprego e crescimento económico que a tal estratégia do “empobrecimento necessário” inviabiliza por completo.

Nada mau

O Benfica vai defrontar o Zenit São Petersburgo nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Do sorteio realizado esta sexta-feira saiu um adversário que, quando chegarem as datas dos embates, estará em pré-temporada, após a paragem de Inverno. Como curiosidade, mal souberam da notícia, as claques russas expressaram o seu contentamento por finalmente terem pela frente uma equipa portuguesa a sério, capaz de lhes proporcionar o zénite deste ano na competição.

Esperteza saloia

Uma inusitada proposta de resolução sobre a Síria , posta a circular no Conselho de Segurança das Nações Unidas pela Rússia, condena a violência no país incluindo uma referência à “força desproporcionada usada pelas autoridades” e um apelo à boa vontade do Governo sírio para “pôr fim à repressão daqueles que usam os seus direitos de liberdade de expressão, reunião pacífica e associação, que actualmente o regime russo reprime no seu país, e sem incluir qualquer menção a eventuais sanções contra o regime do Presidente Bashar al-Assad caso este insista em prosseguir com os massacres. A Rússia tenta aliviar a pressão internacional que exige a repetição da gigantesca fraude que deu nova maioria ao Rússia Unida de Putin.

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Gostei de ler: "Dì qualcosa di Sinistra"


Caiu o Carmo e a Trindade. Os céus tremeram. Uma onda de indignação varre os blogues de direita. Deputados vociferam furiosamente no Parlamento contra a infâmia. Comentadores na televisão revoltam-se com a pouca vergonha. Jornalistas apresentadores de serviços noticiosos perdem a compostura e reclamam, olhos faíscando de ódio. É o horror, o horror... um deputado do PS, Pedro Nuno Santos - ainda por cima, um provinciano - atreveu-se a dizer qualquer coisa de esquerda. De esquerda! Há rumores de que em Kyoto ter-se-à sentido um pequeno terramoto. E milhares de peixes-gato deram à costa na Ilha de Páscoa. E que disse ele? Que não devemos agachar-nos perante os nossos credores; que a única arma que iremos ter, daqui a uns tempos, é o não-pagamento da dívida. Extraordinário! Extraordinário também porque vemos a direita ser anti-patriótica, a governar contra os interesses da pátria, e a esquerda - até o PS, imagine-se - a querer defender o país do saque que se prepara. Chegámos a um ponto essencial da nossa História, quando os valores tradicionais se começam a inverter. É agora ou nunca. Daqui a uns meses, será tarde; quando não pudermos mesmo pagar, quando a economia portuguesa estourar, seremos como peixes numa rede acabada de ser puxada do mar, à mercê das gaivotas. Será que nessa altura alguém se vai lembrar das palavras deste deputado, efémero herói da nação?


(É claro que um vice-presidente do PS vir afirmar o que será inevitável é completamente inoportuno. O muro erguido na comunicação social e na opinião pública em favor da austeridade, do respeito e da responsabilidade sofreu uma brecha. A unanimidade dos partidos do arco do poder quebrou-se. Alguém veio dizer que poderá haver alternativa ao desastre para onde estamos a ser conduzidos. E isso fere. É uma ameaça. A violência espoletada é a consequência da fragilidade do fio que une este Governo aos portugueses. As manifestações, os protestos, os apupos vão começando a aparecer. Como disse o Presidente da República, "os portugueses chegaram ao limite dos seus sacrifícios".)» - Sérgio Lavos, no Arrastão.

Qual produtividade

O Tribunal da Relação de Coimbra condenou os proprietários de uma loja de Aveiro a pagar 6.500 euros a uma trabalhadora que obrigou a cumprir o horário laboral sentada virada para a parede e sem nada fazer. É também este género de produtividade, tão bem fomentada por esta sub-espécie não invulgar de “empresário”, que vai ser revolucionada através do sacrifício da nossa identidade histórica, pelo roubo de meia hora de trabalho diário não pago e pela redução das indemnizações por despedimento sem justa causa. Aliás, pela cartilha de "democratização da economia nacional" Coelho-Portas, estar mal sentada contra a parede, sei lá, num ângulo desfavorável para a empresa, poderia bem ser considerada uma causa “atendível”.

Comprem, comprem


A revista Time elegeu o manifestante como a sua “person of the year” do ano de 2011. Em 2007, elegeu o ditador. Será intenção da publicação insultar os manifestantes de todo o mundo?

Maioridade só aos 25

As propostas de alteração ao Código da Estrada, enviadas pela Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) e pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP), já estão a ser analisadas pelo Governo. Para os condutores dos 18 aos 24 anos, aquelas entidades propõem a redução da taxa de alcoolemia permitida de 0,5 g/l para 0,2 g/l, devido ao elevado grau de sinistralidade rodoviária que se verifica nesta faixa etária.

Quem manda aqui

Segundo as apregoadíssimas leis de mercado deles, que nunca falham, sobrevivem as empresas capazes de gerar lucros para se manterem e, por antagonismo, morrem todas as que gerem proveitos insuficientes para justificar a sua existência. Pelo contrário, segundo a prática deles, os Estados europeus já gastaram seis vezes mais em ajudas aos bancos do que gastaram em resgates das dívidas soberanas, 1,6 biliões de euros contra 270 mil milhões de euros, que é para não referir a ajuda concedida pela via Merkozyiana que impede o Banco Central europeu de emprestar directamente aos Estados, proporcionando, assim, lucros fabulosos ao intermediário sector financeiro. O absurdo da não nacionalização do sector financeiro ditado pelas leis que, segundo eles, deveriam reger tudo, explica-se por um poder nascido à margem da democracia que, ainda assim, os povos vão tolerando, permitindo que as suas conquistas sociais sejam terraplanadas para suportar a voracidade deste poder económico que se sobrepõe ao poder democrático.


E existe ainda outro argumento que, só por si, justificaria por inteiro a nacionalização do sector financeiro: as consequências da falência de um banco não se confinam ao perímetro das suas paredes. Pelo contrário, provoca ondas de choque por toda a economia. A economia que, porque é de todos, é à democracia que pertence. Não foi a democracia que nos pôs a trabalhar para eles.