domingo, 18 de setembro de 2011

Olé, olé, olé

Olé, o FC Porto empatou a zero, fora, com o Feirense. Olé, James Rodriguez foi expulso e não poderá defrontar o Benfica na próxima Sexta-feira. E, olé, o Benfica ganhou 4-1 à Académica e igualou o FC Porto no topo da tabela classificativa. Resumindo: olé, olé, olé!

Falta a estátua

aqui constatei as muitas semelhanças que existem entre o buraco da Madeira e o do BPN. Ontem à noite, o também Conselheiro de Estado que, para além da de Cavaco Silva, conta ainda com toda a confiança política de Pedro Passos Coelho, encarregou-se da difícil missão de diferenciar a sua obra subterrânea da do seu colega antecessor. Conforme poderão ler abaixo, tratou-se, afinal, de um acto heróico. Escusado será dizê-lo, a palavra prisão não cabe neste post. Que pena estarmos em crise e as estátuas custarem dinheiro. Os laranjas gostam tanto de peditórios, bem podiam organizar um que os pagasse, não apenas o monumento que o seu herói tanto fez por merecer mentindo deliberadamente, conforme admite, como ainda o tradicional desvio respectivo.


“O Sócrates, o Teixeira dos Santos e o seu deputado Maximiano [Martins, candidato do PS à presidência do governo], que fez esta pouca vergonha toda à Madeira, tinham uma lei em que o Governo da República podia aplicar sanções sobre o Governo regional, se o governo regional continuasse com obras a fazer dívida, porque eles não nos tinham dado o dinheiro e não nos autorizavam a fazer dívida”, argumentou ontem Jardim num jantar-comício, na Ribeira Brava. “Foi por isso que não era aconselhável, porque eles ainda nos tiravam mais dinheiro se andássemos a mostrar o jogo todo a um governo socialista que não era sério.” “Nós estávamos em estado de necessidade e, por isso, agimos em legítima defesa”.



No dia seguinte… : Negando o que todos ouviram e viram declarar em comícios, Jardim diz agora que “tem sido atribuída ao Governo regional da Madeira uma intenção dolosa de 'ocultar' dados que seriam devidos a Entidades da República Portuguesa”. “Para tal, manipula-se qualquer eventual frase ou 'lapsus linguae', normal na torrente discursiva e emocional de um comício, só por se ter chamado à atenção que, se por coincidência os acertos então em curso estivessem prontos para comunicação à República, poderiam implicar mais cortes de verbas por parte do Governo socialista”.

Tradução (do chico-espertês): discutam para aí a minha sanidade mental que, enquanto o fazem, o tema do crime que confessei fica a descansar.

O elevador social voltou a ser um luxo proibido

Na 1.ª fase de candidaturas ao ensino superior, houve menos 5279 alunos a concurso. É a primeira vez em seis anos que o número de candidatos diminui. Estamos a envelhecer, é verdade, e há menos jovens. Mas os factores demográficos não explicam uma quebra tão abrupta. Com a pobreza e o desemprego a alastrarem, as propinas cada vez mais caras e a acção social escolar a encolher a cada ano que passa, estudar está a tornar-se um luxo que os mais pobres voltaram a não poder pagar. E nem a velha máxima dos mais reaccionários “vão trabalhar” faz grande sentido nos dias que correm: não há trabalho nem para a reserva de mão-de-obra barata a que fica condenado quem quer e não pode estudar.