quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um coelho saído de uma cartola para um quinto de um Jardim



Seguindo a tradição dos coelhos que sempre saíam da cartola de Sócrates quando se sentia apertado na AR, Pedro Passos Coelho anunciou, durante debate quinzenal no Parlamento, a redução de 1712 cargos dirigentes na Administração Central e a extinção de 162 entidades públicas. O Estado poderá assim poupar 100 milhões de euros. Ou seja, se extinguir mais 648 (162 vezes 4) entidades públicas e reduzir mais 6848 cargos dirigentes na Administração Central, o buraco de 500 milhões da Madeira fica pago. O pior é que – e isto diz bem da dimensão do Jardinismo – não existem 6848 cargos dirigentes na Administração Central. Quanto ao apertão, do video junto, os media falam dele em 5 segundos para dizer que PPC o desvalorizou. No dia seguinte, voltamos ao coelho. E ficamos informados.

Os paraísos fiscais são nossos amigos

“Os chamados paraísos fiscais, habitualmente vistos com reserva pela generalidade da opinião pública, que os imaginam, por regra, utilizados para finalidades ilícitas, assentam num conceito e funcionamento que visam antes o desenvolvimento das regiões onde estão implantados e também o planeamento tributário, financeiro e comercial mundiais.” Esta catequese vem publicada no órgão de propaganda do Governo de uma região sem vestígios de corrupção, bastante desenvolvida, onde existe uma destas catapultas do progresso mundial: no Jornal da Madeira, que é pago pelos impostos de todos nós que vivemos num paraíso do apertão.


Há pouco, lia que, diariamente, há 9 milhões de euros que saem do nosso país para paraísos fiscais. Se fossem tributados, advogam os partidos que têm boicotado a tributação deste tipo de transacções (PSD, PS e CDS),, não sairiam. Fugiriam. E temos toda a vantagem em não deixá-los fugir.

Cuidado com os irresponsáveis

Quando PS, PSD e CDS assinaram de cruz um empréstimo que não negociaram e o Bloco de Esquerda e o PCP exigiram a renegociação da taxa de juro e prazo de pagamento então anunciados, foram chamados de tudo: radicais, irresponsáveis, anti-patriotas, etc. A não participação nas pseudo-negociações, recorde-se, teve custos eleitorais cuidadosamente maximizados por uma comunicação social alinhada com o poder.


Não foram necessários mais do que três meses e meio para a História demonstrar quem tinha razão: a Comissão acaba de propor uma redução de 2 por cento na taxa de juro que aqueles três partidos do centrão aceitaram pôr os portugueses a pagar, bem como um alargamento do prazo de reembolso. Não que os radicais da obediência o tenham negociado. Eles não negoceiam. Aceitam. Tratou-se de uma imposição da realidade que havia sido antecipada por quem, afinal, tinha toda a razão: nos moldes em que foi firmado, o empréstimo era incomportável para a economia portuguesa. Cuidado com os irresponsáveis que estão no poder.



Então e a realidade, pá?

“O sistema baseado apenas na cooperação intergovernamental não funcionou no passado e não funcionará no futuro”, defendeu Barroso. Neste modelo, sublinhou, as franjas eurocépticas num país podem paralisar a definição de uma posição nacional levando em consequência o respectivo governo a bloquear as decisões europeias. Desta forma, defendeu, “a única forma de parar o actual ciclo negativo é ter mais integração (...) baseada no método comunitário”, ou seja, em que as instituições europeias – Comissão Europeia e Parlamento Europeu têm um papel central.


Barroso salvaguardou no entanto que não se pode confundir a necessidade de aprofundar a integração europeia com a solução dos problemas mais imediatos, que enumerou: o cumprimento, por parte da Grécia, do programa de reformas com que o seu governo se comprometeu em troca de assistência externa, a aprovação urgente por parte dos governos e do Parlamento Europeu de um vasto pacote legislativo que está em discussão há mais de um ano para reforçar a governação económica europeia e a aprovação pelos parlamentos nacionais de uma série de medidas de flexibilização do fundo de socorro do euro que foram aprovadas pelos líderes da zona euro em Julho.


Comentário: Então e o Tratado de Lisboa, pá, que ia resolver tudo? Então e a austeridade, pá, que continua a acrescentar crise à crise e continua a ser imposta a países que precisam urgentemente de políticas de crescimento, pá? Não é nada porreiro, pá. Olha, pá: desta vez, só desta, até podes ter razão nalgumas coisas que agora dizes para o aplauso, pá, mas dessa casualidade tardia não resultará nada que se venha a ver na prática, pois não, pá?