Substituir as horas de “Estudo Acompanhado” e de “Área de Projecto” pelo reforço da carga horária das disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática parece-me muito bem decidido. Nuno Crato retira recursos de um folclore que pouco ou nada acrescenta ao ensino e aposta em duas disciplinas que são ferramentas essenciais da aprendizagem em todas as áreas do conhecimento. Gostei. Mas já não gostei disto.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Herança do socialismo banqueiro: Saúde
O saldo financeiro de 2010 do SNS foi de 448,9 milhões de euros, mais 111,8 milhões de euros que no anterior. Mais uma vez, confirma-se que não basta introduzir um modelo de gestão empresarial, pejá-lo de tercearização de serviços e de PPPs, e os problemas desaparecem por magia. Muito pelo contrário, os resultados operacionais agravaram-se drasticamente e, pior ainda, a qualidade dos serviços também se deteriorou. Haveria que inverter a marcha, avançar até ao ponto de onde se recuou e, partindo novamente daí, caminhar no aperfeiçoamento de um modelo de gestão que, apesar de melhor do que o actual, também não era perfeito, bem como no da promoção de melhorias na qualidade dos serviços prestados. Porém, ao apodrecer o SNS, o socialismo banqueiro deu o contributo decisivo à criação de condições para pôr a Saúde a enriquecer o sector financeiro. Agora, com o liberalismo no poder, se ninguém se opuser, a privatização é já a seguir.
(editado)
Difícil em 2º grau
O Benfica vai defrontar o Trabzonspor, vice-campeão turco, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Teria sido preferível que do sorteio saísse um adversário mais fácil, como Odense (Dinamarca), Zurique (Suíça) ou Vaslui (Roménia). Não saiu o Rubin Kazan (Rússia), já não foi mau. A Liga russa já vai a meio: seria um adversário complicado também pelo ritmo competitivo, que o Benfica actualmente não tem.
Demagogia barata também no Ministério das Catingas e do Chulé
A gravata é de uso obrigatório? Não. As senhoras usam gravata? Não. Os funcionários homens usam todos gravata? Não. A maioria usa? Não. Apenas os que usam gravata sentem calor? Mão. Manter o ambiente de trabalho a uma boa temperatura aumenta a produtividade? Sim. E a produtividade e as condições de trabalho não estão entre as prioridades na organização de um serviço? Pois. Dizem que a senhora Ministra tem falta de tempo. Se calhar não era mal pensado que se concentrasse na Agricultura e deixasse a catinga e o chulé para outras núpcias.
Sobre aquela cantiga da banca não poder financiar a economia porque ajudou o país e comprou dívida pública
quando se fala das dificuldades de acesso ao crédito por parte das actividades económicas, os habituais comentadores avançam com a conversa do costume: a banca não pode financiar a economia, porque teve que comprar muita dívida pública … De tanto repetidas, estas afirmações ganham estatuto de veracidade. Mas escondem a realidade, de como o sector financeiro anda a tramar o país na questão da dívida.
Comparando os 19 mil milhões de euros de dívida pública portuguesa adquirida pelos bancos com os 16 mil milhões de dívida detida pelos particulares através de certificados de aforro e do tesouro, fica bem evidente que a banca, as seguradoras e as restantes entidades do sector financeiro decidiram não comprar dívida pública portuguesa. Escolheram forçar a intervenção da troika FMI/BCE/U.E e a ascensão do PSD e CDS à governação do país. Decidiram comprar dívida soberana de outros países e adquirir outros títulos de empresas privadas para prencher as suas carteiras de activos, fizeram as suas escolhas. Mas não queiram agora fazer de conta que aconteceu o inevitável ou que a banca se rege por qualquer outro critério que não os do risco ou do lucro..
Os últimos números dos empréstimos concedidos pelo sector financeiro (INE-Junho 2011 – pág. 39.A) confirmam que, no 1º trimestre de 2011, os empréstimos concedidos para habitação própria - 121 mil milhões de euros, continuam a ser superiores aos concedidos à indústria, agricultura, comércio e serviços – 119 mil milhões de euros, dos quais 16,3 mil milhões a grandes empresas e 92,5 mil milhões a pequenas e médias empresas. Esta distorção na concessão de empréstimos não surge por acaso, é o resultado das escolhas da banca por generosas rendas de longo prazo (quase perpétuas), de baixo risco e com altas garantias. (ler artigo completo aqui)
