quarta-feira, 13 de julho de 2011

Se quiserem ajudar a Grécia, mandem mail: totos@fitch.gr




A agência de notação Fitch cortou a nota de risco da dívida da Grécia em três níveis. O rating, que já estava em “lixo”, fica agora a um nível do patamar considerado “incumprimento”. Tal como cá, os gregos continuam na rua a mandar emails ao inimigo externo e a manifestar apoio aos seus amigos no poder, que não hesitam em poupar o povo grego a sacrifícios desnecessários e têm sido incansáveis na tarefa de melhorar o seu nível de vida e bem-estar. Um esforço que, ao mesmo tempo que é merecedor do reconhecimento popular, conforme se vê no vídeo junto, gravado ainda com o rating da semana passada, tem também irritado os mercados de sobre maneira. Os gregos têm que fazer o esforço patriótico de mandar muito mais emails. "Agora é que eles vão ver com que povo é que se meteram", grita-se nas ruas de Atenas.

Muito bem

Dois agentes da PSP foram ontem condenados a uma pena considerada rara em Portugal: quatro anos e três meses de prisão efectiva, num caso, e quatro anos, noutro. Em Julho de 2008, agrediram um estudante alemão no interior da esquadra das Mercês, no Bairro Alto, com murros e pontapés. Os juízes da 5.ª Vara Criminal de Lisboa entenderam que as atitudes provadas durante o julgamento colocam em causa os próprios fundamentos do Estado.

Passos, o incendiário bombeiro

Ao mesmo tempo que diz que anda a trabalhar para transmitir confiança aos mercados, Passos Coelho anda a regar-lhes a desconfiança com gasolina. Fê-lo quando argumentou que o memorando que assinou conjuntamente com Sócrates e Portas era insuficiente e que, por isso, desprezando os impactos que a medida teria sobre a economia – aguardemos pelo fim dos saldos para assistir a uma vaga de encerramentos de estabelecimentos comerciais -, tinha tomado a decisão de cortar nos subsídios de Natal sem qualquer estudo prévio que sustentasse a medida. Depois disso, veio o corte da Moody’s. Embalado pelo apoio popular-patrioteiro, Passos não quis aprender. Hoje, vemo-lo novamente de jerrycan na mão, a insinuar um “desvio colossal” nas contas públicas entre os números anunciados pela máquina de Sócrates e a realidade constatada pela sua. O mesmo filme da Grécia, que os mercados conhecem tão bem . Vão adorar. E o mesmo filme tão nosso conhecido, nas versões anteriores com os actores Durão a acusar Guterres e Sócrates a acusar Santana Lopes, numa repetição também na falta de um processo de averiguações com vista a aplicar os procedimentos de responsabilização financeira e (eventualmente) criminal que a lei prevê. A pesporrência é outra vez a capa da inabilidade.