A área social para reforçar o caciquismo da troca de votos por sopas, a Saúde para apodrecer na insuficiência orçamental das autarquias e assim criar condições para a privatização minimizando eventuais custos políticos e o Ambiente o Ordenamento do Território para pôr o lobo a guardar o rebanho. Não está nada mal visto.
sábado, 9 de julho de 2011
Ler os outros: São José Almeida
«Será que podemos pedir ao Governo que afinal não cobre um imposto extraordinário sobre o rendimento do nosso trabalho em 2011, como pensam fazer no final do ano? É que, ao que parece, as intenções que levam a tal sacrifício, em Portugal, não são entendidas pelos seus destinatários, as agências de rating.
O novo Governo do PSD e do CDS, chefiado por Pedro Passos Coelho, até fez uma profissão de fé neoliberal, prometeu e já começou a ir mais longe do que a receita neoliberal determinada no memorando assinado por Portugal com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Foi, assim, mais papista do que o Papa.
Registando, sem comentar, a facilidade e a rapidez com que as opiniões sobre este assunto mudaram em Portugal - apenas pergunto: então agora já não é preciso "acalmar os mercados"? -, aparentemente porque mudaram os partidos no Governo, confesso que a decisão da Moody"s de baixar o rating de Portugal era, para mim, expectável. O capitalismo financeiro não vive de boas intenções e, na guerra entre o dólar e o euro, não se deixa impressionar por profissões de fé ideológicas, por muito que elas estejam de acordo com cânones por que se rege o próprio sistema, desde que elas não sejam suficientemente úteis e não dêem o lucro pretendido. E a Moody"s segue as regras e quer mais e mais. E é preciso que a venda do património empresarial público que vai começar seja feita a verdadeiro preço de leilão.
Isto porque há coisas que não mudam e a história mostra-o. A essência do capitalismo, o que o move nas suas várias etapas, desde o seu início no século XIV, é o lucro. E a sua evolução na obtenção de formas de o engrandecer foi feita em combate com as forças que o tentaram regular: os Estados. É por isso que é permanente a guerra entre a "liberdade do mercado" e a sua regulação pelos Estados, a disputa pelo predomínio entre o poder político e o poder económico, a luta entre os vários momentos do liberalismo económico (renascido há trinta anos e rebaptizado de neoliberalismo) e as várias formas de estatismo, de esquerda ou de direita, democratas ou ditatoriais. É por isso que historicamente cabe ao capitalismo, e não só ao actual capitalismo financeiro, defender e aumentar as formas de obter lucro, bem como cabe aos Estados defender o interesse das populações - de formas mais ou menos democráticas, com soluções mais à esquerda ou mais à direita -, de modo a que haja equilíbrio na sua exploração pelo capitalismo e na defesa de algum bem-estar. E evitando-se assim o que se convencionou chamar de capitalismo selvagem.
Há uma coisa que a história também ensina e é que, para que haja lucro, é preciso que haja consumo, para que haja consumo, é preciso que haja produção e poder de compra e, para que isto exista, é necessário trabalho, que é a base do sistema, tal como o fim é o lucro. E, para que o sistema funcione, é preciso que quem trabalha seja pago para poder consumir aquilo que é produzido pelo seu trabalho. Ou então regressamos à escravatura. Ou seja, é pelo salário que recebe pela venda da sua força do trabalho que a população mundial tem assegurado o lucro do capitalismo. Quer pelo que recebe e gasta a consumir os produtos produzidos, quer, claro, através do que não recebe por ser pago abaixo do nível do que produz. Acresce a esta forma clássica, uma outra fonte de lucro, o do investimento não produtivo, o dos rendimentos no que se chama o mercado financeiro, e que é ele mesmo essencial à actual fase de capitalismo financeiro.
O lembrar destas evidências sobre o sistema serve aqui para situar a pergunta: como é possível alguém acreditar que é baixando drasticamente o poder de compra das populações e impossibilitando o estímulo do funcionamento da economia grega ou portuguesa ou irlandesa que se ultrapassa o bloqueio a que chegou o crescimento económico?
Até quando teremos que esperar que a União Europeia, como um todo, perceba que tem de encontrar novas regras de funcionamento e reinventar a forma de cumprir o seu papel histórico enquanto poder político e regulador do sistema, para conseguir equilibrar a sua relação de forças com o poder económico e financeiro? Quando vai a União Europeia retomar o seu papel de representante política das suas populações? Vai esperar que o euro rebente? Ou mesmo que a própria União colapse? Será assim tão grande a sua falta de autonomia em relação ao capital financeiro? (...)» - São José Almeida
E o povo a ver
Conclusão óbvia: Nem Cavaco, nem os seus camaradas de saque mudaram; os analistas é que tiveram um ataque de ignorância súbita. E o povo a ver.
Observação: a notícia desapareceu rapidamente da página principal da publicação em causa, onde esteve não mais de 15 minutos. Apareceu depois, corrigida.
Observação: a notícia desapareceu rapidamente da página principal da publicação em causa, onde esteve não mais de 15 minutos. Apareceu depois, corrigida.
Ler os outros: "Afinal, os mercados não são amigos dos nossos aspirantes a liberais"
«Os nossos aspirantes a liberais passaram os últimos anos a desenvolver uma teoria complexa de uma enorme profundidade ideológica: as coisas são como são. E pronto, é isto. Os mercados são como são. E sendo como são, só lhes devemos estar agradecidos por serem assim mesmo. São eles que nos emprestam dinheiro. E, como explicou o nosso Presidente, que é, ele próprio, como é, não devemos aborrecer os mercados. Porque se os mercados são como são, se ficarem aborrecidos são muito piores. E da mesma forma que os mercados são como são, as agências de rating, está visto, limitam-se a ser as mensageiras da realidade. Ela própria indiscutível, por ser como é.
Os nossos aspirantes a liberais sorriem quando falamos de especulação e ataques ao euro. "Ui, que malandros são os especuladores!", dizem com ar trocista. Os nossos aspirantes a liberais desprezam quem diz que as agências de rating se dedicam ao tráfico de influências que vai destruindo economias. "Sim, matem o mensageiro em vez de tratar da doença!", acusam. As agências só fazem o diagnóstico, acreditam eles.
Os nossos aspirantes a liberais chegaram ao governo. Apresentaram um plano de privatizações muito catita. Disseram que iam mais longe do que já era muito distante. E os especuladores, que são como são, nem quiseram saber. E os traficantes de ratings, que são como são, estão-se nas tintas. Ao contrário do que nos diziam os nossos aspirantes a liberais, o problema não era a credibilidade de quem fazia as propostas. Ao contrário do que sinceramente pareciam acreditar, o problema nem eram as propostas. O problema é que no casino a casa ganha sempre. E ou se põe fim ao jogo ou se sai de lá depenado. Quem acredita que a solução está em Portugal pode começar a preparar a falência e a saída do euro. Quem ainda não percebeu que a especulação também ganha com a nossa falência vive noutro tempo, quando o jogo era bem mais simples. Também se aposta na desgraça alheia. E os que estão a atacar o euro não esperam de nós soluções. Esperam apenas que nos verguemos. Com Sócrates, Passos Coelho ou outro qualquer. Eles querem lá saber...
A classificação da Moody's é um escândalo? É injustificada? É pouco fundamentada? Mas alguma vez foi séria, justificada ou fundamentada? Será que ainda ninguém percebeu a que se dedicam estas instituições? Para quem trabalham e como ganham a vida? O mais perturbante nos nossos aspirantes a liberais não são as suas "soluções". É mesmo a sua candura.» - Daniel Oliveira, no Expresso Online.
O mais perturbante nos nossos aspirantes a liberais é o apoio incondicional que conseguem através dos média que detêm de um povo desprovido de memória e senso crítico. Até há um par de meses, quem ousasse questionar as agências de rating era radical de esquerda, maluquinho, utópico e irresponsável. Hoje, questionar as agências de rating é qualidade indispensável para ser um bom patriota. A inconsciência geral nem sente a falta que fazem os deputados que arredaram ou deixaram arredar da Assembleia da República. O país caiu nas mãos dos eleitos para nos roubarem tudo a que puderem deitar mão.
Quem manda nas agências de rating?
«É accionista de referência da S&P e da Moody’s e tem participações de relevo em 36 países.
A reputação do Capital Group é de discrição quase absoluta. Raramente aparece na imprensa e nem sequer faz publicidade aos seus produtos e serviços. Uma das poucas vezes que a entidade financeira deu que falar aos jornalistas foi quando um dos seus analistas criticou, em 2003, o presidente da Time Warner. Meses depois, este foi demitido. O mesmo analista do Capital Group voltou ao ataque, criticando em 2008 o presidente-executivo da Yahoo por este ter rejeitado uma OPA lançada pela Microsoft. O guião repetiu-se e, meses depois, o homem forte da tecnológica foi forçado a sair do comando.
A Bloomberg refere que a Capital Group opera com "luva de veludo" no controlo e influência das empresas onde está investida. Já o britânico "Independent" refere que a instituição "é quase patologicamente receosa dos media". Mas a sua influência é inversamente proporcional ao seu ‘modus operandi' recatado.
Um estudo publicado no ano passado por dois investigadores do Swiss Federal Institute of Technology concluiu que o Capital Group era a instituição financeira com maior poder nos mercados globais. A investigação incluiu 48 mercados, concluindo que o grupo é "uma accionista proeminente do controlo simultaneamente em vários países", concluem Glattfelder e Battiston. O ‘ranking' feito pelos investigadores pode ser encarado como "uma medida de controlo e de poder potencial (nomeadamente, a probabilidade de determinada entidade conseguir atingir os seus próprios interesses em oposição a outros actores). Dadas estas premissas, não podemos excluir que os maiores accionistas com vasto poder potencial global não exerçam esse poder".
A Capital Group tem mais de 10% da Portugal Telecom [Quem não se lembra das centenas de milhões do perdão fiscal aprovado na AR por PS, PSD e CDS ao negócio da Vivo e daquela conversa da golden share que não podia ser detida pelo Estado?]
O montante canalizado para dívida nacional por dois dos veículos geridos pela Capital World Investors, o American Capital World Bond Fund e o American Funds Insurance - Global Bond Fund, ficava-se pelos 19,5 milhões de euros no final de 2010, aplicados em Obrigações do Tesouro que vencem em 2020, segundo a Bloomberg.
No entanto, os investimentos do Capital Group em Portugal não se ficam pela dívida. Uma outra empresa pertencente ao universo da sociedade de investimento mais influente do mundo, a Capital Research & Management, detém 10,09% da Portugal Telecom, posição avaliada em perto de 600 milhões de euros aos preços actuais da operadora liderada por Zeinal Bava transacciona em bolsa. É mesmo o maior accionista da operadora portuguesa.
Os fundos geridos pela Capital Research & Management construíram uma participação qualificada na PT, isto é, acima de 2%, a 12 de Agosto, já depois da empresa nacional ter decidido vender a posição que detinha na brasileira Vivo à Telefónica. No final desse mês, a Capital Research reforçou a posição 5,07% e a última posição conhecida era de 10,09%, podendo ser superior sem que tenha de ser comunicada.
Poder de fogo do Capital Group é igual ao do mega-fundo da UE
Em Maio, a União Europeia, em conjunto com o FMI, tentou impressionar o mercado, com a criação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira com um poder de fogo de 750 mil milhões de euros. Mas o arsenal financeiro do Capital Group não fica atrás do valor astronómico colocado à disposição por Bruxelas. As estimativas apontam que a sociedade financeira sediada na Califórnia tenha activos sob gestão superiores a um bilião de dólares (mais de 743 mil milhões de euros). O número é quase cinco vezes superior à riqueza produzida anualmente em Portugal.» - Rui Barroso
Ler os outros: "Carlos Moedas, ao seu dispor"
«Aos 42 anos, ainda vai um burocrata na sua primeira juventude. Carlos Moedas é o mais jovem entre os juvenis homens de confiança de Passos Coelho. Um Secretário de Estado adjunto do Primeiro-Ministro na primeira e ascendente curva da vida política que vale a pena conhecer.
Diz que os melhores anos da sua vida foram passados na Harvard Business School, o ninho dos gestores de elite da economia mundial, para onde foi depois de uma passagem pela gigante francesa Suez-Lyonnaise des Eaux, empresa que abocanhou boa parte das privatizações de águas públicas na Europa, sudeste asiático e América latina. A passagem por Boston rendeu-lhe as boas graças da Goldman Sachs, sim a mesma Goldman Sachs que já nessa altura emitia lixo financeiro a partir da especulação imobiliária, contribuindo com a sua parcela da crise financeira de 2007/2008, Carlos Moedas rumou a Londres para trabalhar em… “aquisições e fusões na área imobiliária”, António Borges foi seu conselheiro e companheiro de jornada. O bom trabalho valeu-lhe a transferência para o Eurohypo Investment Bank (Grupo Deutsche Bank), onde contribuiu com o seu saber na aquisição da imobiliária sueca Tornet pelo Grupo Lehman Brothers, sim esse mesmo.
Um fôlego para recuperar e continuemos a jornada do Moedas. Em 2004 volta a Portugal e aqui ocupa o cargo de director geral da Aguirre Newman, empresa de consultoria imobiliária que determina boa parte do mercado português. O futuro Secretário de Estado aprende rápido e o seu conhecimento da mecânica imobiliária vale-lhe nada mais que um padrinho chamado Grupo Carlyle, o império do armamento e petróleo (o mesmo grupo a quem Durão Barroso ofereceu 45% da Galp em 2004), que fez a Moedas uma proposta que ele não pôde recusar. Sai da Aguirre Newman e lança, em Novembro de 2008, o Crimson Investment Management, com a ajuda e participação dos seus amigos Miguel Pais do Amaral, João Brion Sanches (Norfin), Filipe de Button (Logoplaste) e o agora Ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. Segundo o próprio Moedas, a aventura começou quando o Grupo Carlyle “decidiu assinar connosco um contrato de exclusividade para procedermos à procura e à gestão dos activos que eles futuramente irão deter em Portugal através do seu fundo número 3”. E o Grupo Carlyle confirma, lembrando que já possui parte do Freeport em Alcochete.
Depois desta odisseia pelos mares do capital mundial, Carlos Moedas julgou que era altura de dispor o seu saber ao serviço do país. Filiou-se no PSD assim que soou a derrota de Manuela Ferreira Leite e se ouviu o afiar das facas, apostou num cavalo errado chamado Paulo Rangel mas rapidamente percebeu que o Passos é que era.
Passado pouco mais de um ano, Carlos Moedas decide, sentado a uma mesa com a Troika, a nossa vida.» -Adriano Campos, no Adeus Lenine.
Três anos mais tarde:
Depois de ter sido um dos homens de mão da troika em Portugal durante o período
de ocupação, o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Carlos
Moedas, deixa Lisboa e segue para Bruxelas, indicado pelo executivo para membro
da Comissão Europeia. (1
de Agosto de 2014)
Subscrever:
Mensagens (Atom)

