Não está cá ninguém. As publicações regulares deste blogue regressam quando o calor desapertar. Boas férias e até já.
Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
Terça-feira, 26 de Julho de 2011
Boas notícias para o sector financeiro
Aulas práticas sobre voto útil: enriquecer em tempo de crise
O Estado português vai abrir mão da golden share que detém na Portugal Telecom e, para esse efeito, foi convocada uma assembleia-geral da empresa para esta tarde. A golden share tem um valor, mas o Estado não receberá nem um cêntimo. Para além desta interpretação da defesa do interesse público, há a registar que existem outros países que detêm golden shares, mais precisamente nove, nomeadamente, a Alemanha, que detém 20 por cento da VW, a França, a Inglaterra, a Itália, a Irlanda, a Grécia, a Finlândia, a Bélgica e a Polónia, pelo que Portugal estava longe de ser caso único. Fomos afastados do grupo por uma obediência conveniente aos privados que ocuparão o espaço que os actuais e anteriores governantes aceitaram alienar. Agora, depois da consumação do acordado com a troika, É ir observando e verificando que interesses privados justificaram a decisão do poder que os representa. As privatizações farão a fortuna dos que estejam melhor colocados para participar num jogo de contrapartidas, para já, bastante opaco. Já o sabemos, conhecer-lhe-emos os beneficiários no dia anterior àqueles em que o caso será definitivamente esquecido.
Na alemã Volkswagen, o Estado da Baixa Saxónia detém mais de 20 por cento do capital, o que lhe dá direitos especiais definidos numa lei de 1960. Nomeadamente, a presença obrigatória de um representante na administração e a limitação dos direitos de voto de todos os accionistas, independentemente da participação no capital social. Há quase quatro anos que a Alemanha foi condenada pelo Tribunal de Justiça europeu, mas a situação mantém-se sem qualquer sanção.
O Estado britânico continua a ter uma golden share em duas grandes companhias: a BAE Systems e a Rolls Royce, ambas no sector da defesa. Os accionistas não podem aprovar algumas alterações aos estatutos sem o consentimento do Governo, nomeadamente, a cláusula que obriga a que tanto o presidente executivo (CEO) como o presidente do conselho de administração sejam de nacionalidade britânica.
O pedido de ajuda externa, feito em Abril pelo anterior Governo, precipitou a decisão de acabar com as golden shares
A Itália,, apesar de condenada pelas autoridades europeias, continua a manter direitos especiais em quatro empresas estratégicas - curiosamente, três são dos mesmos sectores da Galp, PT e EDP. Em causa estão a ENI (accionista de referência da Galp), a Telecom Itália e a Enel. (artigo completo aqui).
Domingo, 24 de Julho de 2011
Sábado, 23 de Julho de 2011
Atenção, POUCA atenção
Nada como uma notícia choque para induzir aquela sonolência tão necessária à concretização do sonho antigo de repor a paz social que o 25 de Abril roubou. Se lhe juntarmos as férias, o calor e a praia, o ambiente fica perfeito. Durasse o Verão mais um par de meses com notícias choque semanais e nem seria preciso suspender a democracia por seis meses para pôr tudo na ordem.Um adeus prematuro
Amy Winehouse foi esta tarde encontrada morta no seu apartamento em Londres. Se é sempre cedo para morrer, aos 27 impressiona. Muito. Mais ainda aquela imagem de solidão e abandono , revolta ver como ninguém nunca lhe deitou a mão. A decadência seria uma característica do produto vendido. We know she was so good. Teria sido melhor ainda sem tudo o que a levou.
Sexta-feira, 22 de Julho de 2011
Não deveria ser o Governo a pedi-lo?
Aulas práticas sobre voto útil: trocar um Sócrates por um Passos e um Portas
Apesar da diminuição da actividade que decorre da Caixa Geral de Depósitos estar obrigada a reorientar o seu foco para a actividade bancária, saindo de outras áreas como os seguros e as participações financeiras em empresas como a Portugal Telecom, EDP e Zon, entre outras, e apesar do discurso oficial do Governo de Passos Coelho apontar para uma diminuição de 15 por cento nos cargos dirigentes de toda a administração pública, com juras de que não haverá jobs for the boys, a CGD vai ter mais administradores do que os actuais 7: serão 11. Passos Coelho engorda o lado mais gordo do Estado ao mesmo tempo que lhe vai emagrecendo o lado mais magro, aquele que faz falta às pessoas.
Quinta-feira, 21 de Julho de 2011
Era uma vez ... "utopias"
Reduzir a taxa de juro e alargar o prazo de pagamento que os partidos da troika nacional assinaram de cruz, que Bloco de Esquerda e CDU exigiam fossem reivindicados, eram, até há instantes, parte da “utopia” oficial que foi vendida como capaz de destruir a confiança dos mercados deste mundo e do outro e, por essa via, fazer Portugal mergulhar nas trevas mais profundas. Pois confirma-se que parte dessa “utopia”, que condicionou decisivamente o último processo eleitoral, afinal, não era utopia nenhuma. Era, simplesmente, algo que a cobardia política dos representantes de um povo resignado a sobreviver curvado e de mão estendida não foi capaz de reivindicar mas que, sem qualquer esforço nesse sentido, acabou por cair dos céus.
E qual a reacção do nosso Pedro das Utopias? Toda a naturalidade de mais um grande triunfo para Portugal. Segundo o nosso vencedor improvável da noite, as agências de notação e os mercados não terão mais razões para duvidar das condições de sucesso do programa de austeridade desenhado para Portugal, que até pode aspirar a regressar mais cedo aos mercados. Sim, sim.
Ainda não o saberá, e seguramente que tão-pouco será demasiadamente importante para um mendigo que se limita a aceitar o que lhe dão, mas o Nobel da Economia Paul Krugma não está tão optimista assim. Pode ser que, até que se confirme que Krugman acertou outra vez, a auditoria à nossa dívida, à qual estes senhores se opõem para proteger as clientelas partilhadas, deixe também de ser “utopia”. Seria importante que cada um de nós não fosse obrigado a pagar dívidas que não contraímos, tal como seria importante que finalmente aceitassem a evidência de que a austeridade é a utopia que está a matar a Europa. Mantêm-na. No essencial, estamos na mesma.(editado)
Aulas práticas sobre voto útil: "arco governativo"
Cerca de um terço dos deputados da anterior legislatura – 70 dos 230 – tinham também assento em empresas do Estado, muitas vezes com interesses cruzados com os assuntos que defendiam no Parlamento. Na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, quase metade dos deputados eram administradores de empresas privadas de obras públicas. A Comissão de Ética do Parlamento branqueia todo e qualquer conflito de interesses. Estas são algumas das constatações que foram condensadas num relatório que foi entregue à troika pela Associação Pela Transparência E Integridade – Associação Cívica, representante nacional da organização de luta contra a corrupção Transparência Internacional.
Aulas práticas sobre voto útil: transportes públicos
Vamos aumentar o consumo e as importações de combustíveis. Vamos aumentar as emissões de gases poluentes. Vamos incentivar o uso do transporte individual e, dessa forma, aumentar os engarrafamentos que melhoram a competitividade do país. Vamos manter os administradores das empresas de transportes e promover uma colecta solidária que pague toda a sua reconhecida competência. Vamos suprimir as carreiras para zonas onde devia ser proibido morar. Vamos transformar os transportes públicos num serviço de luxo que garanta que toda a gente tenha mais do que dez lugares sentados à disposição. Vamos aumentar o preço médio dos transportes públicos em 15 por cento. Constatemos como um aumento do preço de um serviço pode fazer diminuir as receitas das empresas que o prestam. é um esforço grande, mas é para o nosso bem. Todos juntos, vamos conseguir. O nosso Governo sabe o que anda a fazer.
Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
Neo quê?
1. As economias planificadas condenavam toda a gente a ganhar o mesmo mínimo. O nosso liberalismo também, embora não garanta nem trabalho, nem um mínimo para todos.
2. Os regimes comunistas tinham profunda aversão ao debate democrático. O primeiro-ministro tem urgência na aprovação das alterações ao Código do Trabalho. A troika quer a revisão apresentada já em Julho e, por isso, propôs que a discussão no parlamento se faça antes da consulta pública.
3. Nas economias planificadas, as respostas políticas aos problemas estavam amarradas a um dogmatismo ideológico exacerbado: Estado. No nosso liberalismo, também: mercados.
4. Nas antigas Repúblicas Socialistas, quase tudo era nacionalizado, a produção era fortemente subsidiada e havia grandes monopólios estatais. O nosso liberalismo nacionaliza e subsidia prejuízos a um sector financeiro ao qual aplica um regime tributário de favor e põe os monopólios a enriquecer rendeiros privados que exploram recursos que são de todos..
5. Os partidos comunistas tinham um comité central que decidia tudo. O presidente francês Nicolas Sarkozy irá encontrar-se com a chanceler alemã Angela Merkel hoje em Berlim para preparar a cimeira extraordinária da zona euro, que se realiza amanhã.
6. As economias de direcção central produziram desastres ecológicos colossais, que escondiam. Fukushima é muito pior do que se imagina. Pela primeira vez, a União Europeia revelou qual o melhor destino final para os resíduos nucleares dos seus 143 reactores. Contentores debaixo do solo, diz, são a forma mais segura para armazenar os 50 mil metros cúbicos produzidos todos os anos.
Aquela minudência chamada realidade
Salários a minguar e relações laborais cada vez mais instáveis não se dão bem com o cumprimento mensal das obrigações de créditos contraídos para a compra de habitação a liquidar ao longo de períodos de duas e mais décadas. Evidência desta incompatibilidade, nos primeiros seis meses do ano, houve 3060 imóveis que foram devolvidos aos bancos, ou por incapacidade de pagamento das obrigações respectivas no presente, ou porque a antecipação dessa mesma incapacidade se reflectiu numa quebra abrupta na procura no mercado imobiliário.
E como é que o poder político responde a esta realidade? Embaratecendo os despedimentos, ou seja, tornando ainda mais instáveis relações laborais já demasiadamente instáveis à partida e, dessa forma, facilitando a substituição de trabalhadores que aufiram salários mais elevados por outros que se sujeitem a desempenhar as mesmas funções recebendo um salário tendencialmente mínimo: o número de pessoas a receber o salário mínimo nacional em Portugal praticamente duplicou desde 2006 e mais do que duplicou entre os licenciados. Diante de um problema, a resposta política é, assim, não uma tentativa de contrariar a evolução negativa das variáveis que o determinam, é antes a de um esforço para lhes reforçar a tendência de partida. O liberalismo é assim. Superior a essa minudência chamada realidade.
Terça-feira, 19 de Julho de 2011
Aulas práticas sobre voto útil: regressão social
O Governo vai apresentar no Parlamento, até ao final deste mês, uma alteração ao Código de Trabalho para reduzir de 30 para 20 dias as indemnizações por rescisão de contrato e que será alargada aos contratos mais antigos a partir de Janeiro de 2012. Adeus, direitos adquiridos. Adeus, segurança no trabalho. Ter ficado em casa no dia das eleições ou ter desperdiçado a utilidade do voto vai custar bem caro a todos os que vivem do seu trabalho. José Manuel Pureza, José Soeiro, Helena Pinto, José Gusmão e tantos outros fazem agora muita falta na AR para travar este ajuste de contas com o 25 de Abril. Os portugueses preferiram eleger quem vai votar pelo desmantelamento do edifício social que tanto custou a construir.
Convicções de um activista laranja
Depois de ter sido um feroz opositor da introdução de portagens na Via do Infante no âmbito do programa de alteração do projecto, Macário Correia afirmou hoje, em declarações à TSF, que compreende o ponto de vista do Governo e que as portagens naquela via que cruza o Algarve são “inevitáveis”. O PB sabe que Macário Correia está também a ultimar a versão definitiva da frase que substituirá a sua obra maestra “beijar uma fumadora é como lamber um cinzeiro”.
Regras da sagrada mama
A partir de agora, as regras são bem claras para todos os que frequentam as instalações da Católica em Lisboa, alunos e professores: "Modos de trajes e formas de apresentação próprias de local de lazer e de desporto não são adequados na universidade."A orientação foi tomada pelo Conselho Académico (CA) da Universidade Católica, que considera que a vida académica deve "processar-se com a dignidade indispensável a uma universidade e a uma instituição da Igreja". Por sorte, trata-se de uma universidade católica e não muçulmana, senão a notícia poderia bem ser a da obrigatoriedade do uso da burca na vida académica. Também por sorte, bastante mais sorte, apesar de privada e de haver outras universidades públicas que prestam o mesmíssimo serviço de formação, a Universidade Católica continua a ser um sorvedor de recursos públicos, senão não contaria com o dinheiro de todos nós, contribuintes , para financiar estas beatices anacrónicas contrárias à liberdade de expressão duma República laica.
Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
O que nos tiram, em PPP
O Estado português vai gastar 1.500 milhões de euros até ao final de 2011 com as parcerias público-privadas. As PPP na área da saúde, onde avultam as despesas com os hospitais de Braga e Cascais, custarão 228 milhões de euros ao erário público. No primeiro trimestre de 2011, a despesa com as parcerias público-privadas (PPP) da área da saúde subiu 22%, em relação a igual período de 2010. Até ao fim do ano, as despesas com as PPP nesta área custarão ao Estado português 228 milhões de euros, mais 32,5% do que em 2010. Ao mesmo tempo, esta é também uma boa notícia: a despesa pode reduzir-se por outra via que não a dos cortes e recortes nas remunerações dos trabalhadores da Administração Pública ou a da vaga de "rescisões amigáveis" anunciada por Passos Coelho. É tudo uma questão de opções, de haver ou não coragem política.
Domingo, 17 de Julho de 2011
Relações perigosas
Lá fora, os proveitos que se trocam no submundo das relações obscuras entre o poder detido pelos grandes grupos de média e um poder político que supostamente emana da democracia dão um ar da sua graça com o caso das escutas do News of the world. Por cá, um artigo de péssimo gosto, ontem publicado, pintava um cenário ficcionado de funcionários públicos com salários propositadamente inflacionados (1) para desbravar terreno na opinião pública para o anúncio de hoje de Pedro Passos Coelho de que brevemente haverá novos cortes na despesa (2). Assalta-me a dúvida: fará o dito artigo sentir o seu peso na despesa pública que é paga por todos nós ou a retribuição do serviço de desinformação será objecto de compensação a outros níveis?
Sobre a tal "ajuda": o défice português pesa no superavit alemão
Os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda têm sido favoráveis para os países que concederam garantias a Lisboa e a Dublin, admitiu este domingo o presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), Klaus Regling, em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung. “Até hoje, só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos, e a diferença reverte a favor do orçamento alemão”, adiantou Regling, acrescentando que “é o prémio pelas garantias que a Alemanha dá só que os contribuintes alemães não acreditam”. Deixe lá, Sr. Regling, os contribuintes portugueses acreditam pelos dois.
Sábado, 16 de Julho de 2011
Desta vez, não saiu disparate
Não costumo concordar com Cavaco Silva, mas hoje lembrou-se de dizer que a política cambial da UE prejudica a competitividade das exportações europeias e tenho que aplaudi-lo. Que pena não o tenha dito antes com toda a insistência e que pena não tenha referido que prejudica muito mais a competitividade de países periféricos como Portugal do que a das economias do centro: a procura externa de automóveis da Audi ou de frigoríficos da Bosch ressente-se muito menos de um euro em constante valorização do que a procura de têxteis sem marca ou de vinhos portugueses, que são muito mais facilmente substituíveis por produtos de idêntica qualidade produzidos noutras partes do mundo sem sacrificar a satisfação de quem os compra.
Compreensivelmente, já há para aí reacções negativas que dizem que cavaco há-de querer inflação. Não me surpreende. Quem o diz prefere uma inflação selectiva que garanta a tal competitividade através do desmantelamento dos direitos laborais, nomeadamente os despedimentos tendencialmente gratuitos que permitem a substituição de trabalhadores com salários acima do mínimo por outros a quem o desespero obrigue a aceitar aquela remuneração mínima como contra-prestação pelo mesmo trabalho. Um euro forte e toda a gente a receber pelo mínimo realmente também aumenta a competitividade. Apenas requer o cuidado de ir ajustando e obrigando ao mínimo dos salários para compensar os máximos na cotação do euro.
Um caso para o inspector Marcelo
Esta manhã, o Expresso noticiava que o Governo pôs a polícia secreta a investigar Bernardo Bairrão, tese que explicaria ter sido descartado poucas horas após ser uma certeza como Secretário de Estado na actual equipa governativa. Pouco depois, o Governo desmentiu a investigação. A seguir, o Expresso reconfirmou a notícia da manhã. Naturalmente, a Secreta nem tuge, nem muge. O Marcelo é que deve tirar isto a limpo. O homem está sempre dentro destas coisas.
Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
Uma no Crato
Substituir as horas de “Estudo Acompanhado” e de “Área de Projecto” pelo reforço da carga horária das disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática parece-me muito bem decidido. Nuno Crato retira recursos de um folclore que pouco ou nada acrescenta ao ensino e aposta em duas disciplinas que são ferramentas essenciais da aprendizagem em todas as áreas do conhecimento. Gostei. Mas já não gostei disto.
Herança do socialismo banqueiro: Saúde
O saldo financeiro de 2010 do SNS foi de 448,9 milhões de euros, mais 111,8 milhões de euros que no anterior. Mais uma vez, confirma-se que não basta introduzir um modelo de gestão empresarial, pejá-lo de tercearização de serviços e de PPPs, e os problemas desaparecem por magia. Muito pelo contrário, os resultados operacionais agravaram-se drasticamente e, pior ainda, a qualidade dos serviços também se deteriorou. Haveria que inverter a marcha, avançar até ao ponto de onde se recuou e, partindo novamente daí, caminhar no aperfeiçoamento de um modelo de gestão que, apesar de melhor do que o actual, também não era perfeito, bem como no da promoção de melhorias na qualidade dos serviços prestados. Porém, ao apodrecer o SNS, o socialismo banqueiro deu o contributo decisivo à criação de condições para pôr a Saúde a enriquecer o sector financeiro. Agora, com o liberalismo no poder, se ninguém se opuser, a privatização é já a seguir.
(editado)
Difícil em 2º grau
O Benfica vai defrontar o Trabzonspor, vice-campeão turco, na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Teria sido preferível que do sorteio saísse um adversário mais fácil, como Odense (Dinamarca), Zurique (Suíça) ou Vaslui (Roménia). Não saiu o Rubin Kazan (Rússia), já não foi mau. A Liga russa já vai a meio: seria um adversário complicado também pelo ritmo competitivo, que o Benfica actualmente não tem.
Demagogia barata também no Ministério das Catingas e do Chulé
A gravata é de uso obrigatório? Não. As senhoras usam gravata? Não. Os funcionários homens usam todos gravata? Não. A maioria usa? Não. Apenas os que usam gravata sentem calor? Mão. Manter o ambiente de trabalho a uma boa temperatura aumenta a produtividade? Sim. E a produtividade e as condições de trabalho não estão entre as prioridades na organização de um serviço? Pois. Dizem que a senhora Ministra tem falta de tempo. Se calhar não era mal pensado que se concentrasse na Agricultura e deixasse a catinga e o chulé para outras núpcias.
Sobre aquela cantiga da banca não poder financiar a economia porque ajudou o país e comprou dívida pública
quando se fala das dificuldades de acesso ao crédito por parte das actividades económicas, os habituais comentadores avançam com a conversa do costume: a banca não pode financiar a economia, porque teve que comprar muita dívida pública … De tanto repetidas, estas afirmações ganham estatuto de veracidade. Mas escondem a realidade, de como o sector financeiro anda a tramar o país na questão da dívida.
Comparando os 19 mil milhões de euros de dívida pública portuguesa adquirida pelos bancos com os 16 mil milhões de dívida detida pelos particulares através de certificados de aforro e do tesouro, fica bem evidente que a banca, as seguradoras e as restantes entidades do sector financeiro decidiram não comprar dívida pública portuguesa. Escolheram forçar a intervenção da troika FMI/BCE/U.E e a ascensão do PSD e CDS à governação do país. Decidiram comprar dívida soberana de outros países e adquirir outros títulos de empresas privadas para prencher as suas carteiras de activos, fizeram as suas escolhas. Mas não queiram agora fazer de conta que aconteceu o inevitável ou que a banca se rege por qualquer outro critério que não os do risco ou do lucro..
Os últimos números dos empréstimos concedidos pelo sector financeiro (INE-Junho 2011 – pág. 39.A) confirmam que, no 1º trimestre de 2011, os empréstimos concedidos para habitação própria - 121 mil milhões de euros, continuam a ser superiores aos concedidos à indústria, agricultura, comércio e serviços – 119 mil milhões de euros, dos quais 16,3 mil milhões a grandes empresas e 92,5 mil milhões a pequenas e médias empresas. Esta distorção na concessão de empréstimos não surge por acaso, é o resultado das escolhas da banca por generosas rendas de longo prazo (quase perpétuas), de baixo risco e com altas garantias. (ler artigo completo aqui)
Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
Aulas práticas sobre voto útil: equidade social na austeridade
Foi com todo o descaramento que Vítor Gaspar apareceu hoje a explicar a medida que o Governo anunciou como um corte no subsídio de Natal mas que é, afinal, um agravamento do imposto sobre o rendimento das famílias. Confirmou-se o anúncio de uma medida sem estudo prévio, nem sequer quanto ao montante arrecadado: os 800 milhões anunciados eram, afinal, 1025 milhões, se é que as contas foram bem feitas. Nem uma palavra sobre a mais do que previsível vaga de encerramentos de estabelecimentos comerciais logo a seguir à época de saldos de Verão. E toda a naturalidade no anúncio da previsão de 185, milhões a pagar por centenas de milhar de precários que não têm direito a subsídio de Natal. Nas palavras do Ministro, “equidade social na austeridade”.
E, se sobre responsabilidade e competência ficámos esclarecidos, quanto a repartição equitativa dos sacrifícios ficámos ainda a saber que as empresas, por mais lucrativas que sejam, têm um tratamento em sede deste agravamento extraordinário igual ao das famílias mais pobres entre as mais pobres e do Américo Amorim especulador bolsista melhor sucedido: pagarão ZERO. Diz o senhor Ministro que às empresas já lhes foi agravada a carga fiscal em 2,5% em sede de IRC e a título permanente, argumento que não valeu para isentar os funcionários públicos do novo imposto extraordinário, apesar do anterior Governo os ter isentado do recebimento de um subsídio de Natal (ou mais) na totalidade. Silêncio sobre a manutenção da classe especuladora à margem do imposto. Na sua vez, o Ministro realçou que metade das pessoas abrangidas pelo imposto extraordinário pagará menos de 150 euros e que 22 por cento não pagará mais do que 50 euros. Na sua vez a pagar, quis dizer: 150 euros não é nada para uma família que vive com 600 euros, mas faz toda a diferença para uma empresa que lucra milhões, para um especulador que enriqueça no jogo da bolsa ou um detentor de uma grande fortuna que viva dos juros dos seus depósitos. Esses não pagam nem 150, nem merda nenhuma. Têm que ser poupados a tudo o que for possível para terem dinheiro para a privatização da água e outras sortes grandes a distribuir por quem já é rico e quer viver à sombra de uma renda a cobrar a quem pagou do seu bolso - e continua a pagar - o que estes afortunados comprarão a preço de saldo.
Sócrates & Alberto João, ajustes directos LDA
Num relatório sobre o acompanhamento das medidas de apoio à reconstrução da Madeira, divulgado esta quinta-feira, na sequência do temporal de 20 de Fevereiro de
Ler os outros: "Lei orgânica do governo: a tutela em rede e os perímetros indefinidos"
«A leitura da lei orgânica do Governo diz bem das dificuldades em clarificar funções e atribuir responsabilidades. Abundam as tutelas conjuntas, as tutelas "articuladas". A redução de ministros resultou menos em superministros que em ministros enredados nas intertutelas. E também tem o seu quê de curioso o perímetro de acção do Ministro dos Assuntos Parlamentares, que passa a incluir as autarquias.
Quando os serviços da PCM (ou será agora do PM?) fizerem o organigrama do governo vão ter uma certa dor de cabeça, dadas as àreas sobrepostas e indefinidas nos perímetros dos ministérios. O caso mais engraçado é o da tutela conjunta de dois ministérios em articulação com um terceiro.» - Paulo Pedroso
Testes de stress à Educação baratinha: o sucesso escolar do socialismo banqueiro
Um poema de Álvaro de Campos baralhou os alunos do 12.º ano que, no mês passado, realizaram o exame nacional de Português. As perguntas de gramática também não ajudaram. O resultado foi uma média negativa, a mais baixa em 14 anos de exames nacionais no ensino secundário. Numa escala de
Bastou aumentar um pouco o nível de exigência para que a herança de analfabetismo certificado do socialismo banqueiro ficasse exposta. Foram seis anos a promover um sucesso artificial como forma de reduzir custos através da diminuição do número de repetentes, seis anos dos quais fica também a memória da tentativa gorada de introduzir a medida da colaboração com este passe-vitte como critério de avaliação da classe docente.
Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Se quiserem ajudar a Grécia, mandem mail: totos@fitch.gr
A agência de notação Fitch cortou a nota de risco da dívida da Grécia em três níveis. O rating, que já estava em “lixo”, fica agora a um nível do patamar considerado “incumprimento”. Tal como cá, os gregos continuam na rua a mandar emails ao inimigo externo e a manifestar apoio aos seus amigos no poder, que não hesitam em poupar o povo grego a sacrifícios desnecessários e têm sido incansáveis na tarefa de melhorar o seu nível de vida e bem-estar. Um esforço que, ao mesmo tempo que é merecedor do reconhecimento popular, conforme se vê no vídeo junto, gravado ainda com o rating da semana passada, tem também irritado os mercados de sobre maneira. Os gregos têm que fazer o esforço patriótico de mandar muito mais emails. "Agora é que eles vão ver com que povo é que se meteram", grita-se nas ruas de Atenas.
Passos, o incendiário bombeiro
Ao mesmo tempo que diz que anda a trabalhar para transmitir confiança aos mercados, Passos Coelho anda a regar-lhes a desconfiança com gasolina. Fê-lo quando argumentou que o memorando que assinou conjuntamente com Sócrates e Portas era insuficiente e que, por isso, desprezando os impactos que a medida teria sobre a economia – aguardemos pelo fim dos saldos para assistir a uma vaga de encerramentos de estabelecimentos comerciais -, tinha tomado a decisão de cortar nos subsídios de Natal sem qualquer estudo prévio que sustentasse a medida. Depois disso, veio o corte da Moody’s. Embalado pelo apoio popular-patrioteiro, Passos não quis aprender. Hoje, vemo-lo novamente de jerrycan na mão, a insinuar um “desvio colossal” nas contas públicas entre os números anunciados pela máquina de Sócrates e a realidade constatada pela sua. O mesmo filme da Grécia, que os mercados conhecem tão bem . Vão adorar. E o mesmo filme tão nosso conhecido, nas versões anteriores com os actores Durão a acusar Guterres e Sócrates a acusar Santana Lopes, numa repetição também na falta de um processo de averiguações com vista a aplicar os procedimentos de responsabilização financeira e (eventualmente) criminal que a lei prevê. A pesporrência é outra vez a capa da inabilidade.
Terça-feira, 12 de Julho de 2011
Estado a menos e Estado a mais: ressaca do socialismo-banqueiro
- Quase metade da população portuguesa estaria em risco de pobreza não fossem as prestações da Segurança Social: 43,4 por cento, segundo o Instituto Nacional de Estatística, cujo relatório sobre rendimentos e condições de vida relativo a 2009 foi ontem divulgado. Para 2010, o cenário das conclusões adivinha-se mais negro, por causa das medidas de austeridade que introduziram profundos cortes nos apoios sociais.
- Os bancos portugueses pagaram menos impostos em 2010. Segundo o relatório da Associação Portuguesa de Bancos (APB), ontem divulgado, o IRC pago pelas instituições do sector no ano passado caiu 63%, ou 207 milhões de euros, apesar da subida da taxa de imposto.
A banda toca, o navio afunda
O presidente permanente do Conselho Europeu admite convocar uma cimeira extraordinária do Eurogrupo para a próxima sexta-feira, para tentar acalmar as tensões que afectam os mercados de dívida de vários países da zona euro. Estes senhores hão-de pensar que nos convencem que acreditam que acalmam mercados apenas por se reunirem. Da reunião de ontem não saiu nem a sopa de optimismo da praxe, nem o xarope de confiança do costume: nada, à twiter, em 140 caracteres. À noite , Durão Barroso disse umas larachas sobre regulação das agências de rating, seja lá o que isso for. Talvez a introdução da regra “ou escrevem o que nós quisermos, ou deixamos de vos encomendar serviços, perdem o poder que vos demos e deixam de ganhar o vosso.”. Esta manhã, os juros das dívidas portuguesa, espanhola e italiana continuavam a bater recordes. Alguém se lembra do Tratado de Lisboa, o tal que iria agilizar a União Europeia e que, depois de convenientemente afastado o cenário de um referendo, foi aprovado no nosso Parlamento por PS, PSD e CDS?
Lixo ao fundo do túnel
Ler os outros: “Medidas alternativas de combate ao crime: o exemplo das casas na Holanda”
Segunda-feira, 11 de Julho de 2011
Estes gajos estão a revelar-se uns radicais de esquerda
Eles podem?
1, 2, 3, o rating do Paraíso
Pode ser da água
Coristas especialistas
Domingo, 10 de Julho de 2011
Finalmente, responsabilidade
Sábado, 9 de Julho de 2011
Aulas práticas sobre voto útil: Pois
Ler os outros: São José Almeida
E o povo a ver
Observação: a notícia desapareceu rapidamente da página principal da publicação em causa, onde esteve não mais de 15 minutos. Apareceu depois, corrigida.
Ler os outros: "Afinal, os mercados não são amigos dos nossos aspirantes a liberais"
Quem manda nas agências de rating?
É considerada a entidade mais poderosa do mundo a actuar nos mercados financeiros e talvez seja uma das mais discretas. A Capital Group é, através de uma das suas empresas, a Capital World Investors, a maior accionista da entidade que detém a agência de ‘rating' Standard & Poor's e tem uma participação de mais de 10% na Moody's. Além disto, através de fundos de investimento, a Capital World Investors detém ainda milhões em dívida soberana, onde se incluíam no final de 2010, pelo menos, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. Este valor pode ser superior, já que diz respeito apenas a dois fundos direccionados para o retalho de uma das cinco entidades do Capital Group.


