quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Grécia, um paraíso na terra onde meia dúzia de gatos-pingados representaram uma tragédia para entreter os turistas



Abaixo, algumas citações que ilustram o jogo de percepções que a imprensa de serviço procura comandar. É com base na informação produzida por esta comunicação social que quem não tem outra fonte faz as suas escolhas eleitorais.


Antes: “Os polícias dispersaram um grupo de 400 manifestantes de esquerda que estavam reunidos diante do Hotel Hilton, perto do centro da capital grega. Os manifestantes, que tentavam reunir-se na praça Sintagma, foram dispersados à custa de gás lacrimogéneo.”, em que 400 são as centenas de milhar que todos vimos.


Durante: “Larga maioria no Parlamento dá o “sim” ao novo pacote de austeridade”, em que “larga maioria” são 155 em 300 deputados, mais 4 do que os necessários para a maioria mínima.


Grécia aprova plano-chave para garantir financiamento europeu”, em que “plano chave” é uma originalidade que revela alguma criatividade.


Depois: “”Os confrontos entre grupos de jovens e as forças de segurança continuam no centro de Atenas, depois da aprovação por maioria no Parlamento grego do novo pacote de austeridade apresentado pelo Governo socialista de George Papandreou.”: afinal, foi só um pequeno grupo de jovens radicais que fizeram a barulheira do costume. Está tudo mais que controlado.

O nosso futuro está a ser transmitido em directo neste preciso momento

A Grécia tornou-se um dos maiores consumidores de gás lacrimogéneo e balas de borracha do mundo. Estes são os argumentos que restam a um poder que usa a polícia para tentar calar uma indignação que está na rua há mais de um mês e, incendiada pela brutalidade da repressão policial, cresce em número e em violência a cada segundo que passa. Hoje, no Parlamento grego, foi aprovado novo pacote de contrapartidas exigido pela mesma troika nossa conhecida para a concessão de mais um empréstimo que, antes do empréstimo seguinte, tapará o buraco cavado pelo pacote de austeridade anterior. Os gregos, fartos de ceder a ameaças de bancarrota sucessivas, já não se deixam levar por argumentos, também utilizados por cá, que utilizam expressões como “reformas necessárias”, “este plano deveria ter sido implementado mais cedo” ou “o plano anterior foi insuficiente ou mal executado”. Mais de um ano serviu para perceberem que aceitar mais austeridade hoje implica serem confrontados com terem que aceitar ainda mais austeridade daqui a um par de meses. Definitivamente, a austeridade, tal como a liderança europeia, não servem. Centenas de milhares de gregos gritam-no hoje nas ruas, ao mesmo tempo que perguntam: “para onde vai, para onde foi o nosso dinheiro?” Veja a manifestação aqui. O nosso futuro está a ser transmitido em directo.

Aulas práticas sobre voto útil: desmantelamento económico e social


Um exemplo prático de como dar definitivamente cabo de uma economia e de uma sociedade em pouco tempo pode ser lido aqui. Chamamos a atenção do leitor para os efeitos nocivos sobre o sono do programa de incentivo à emigração em massa nele contido.