sexta-feira, 24 de junho de 2011

O argumento da insuficiência

Esta manhã, na rádio, a propósito da eleição de Assunção Esteves para presidir à AR e da dúvida suscitada sobre como chamar-lhe, se “Presidente”, se “Presidenta”, um linguista esclarecia que chamar-lhe “Presidenta” seria o mesmo que chamar “Presidento” a Cavaco Silva. Muito honestamente, confesso que jamais me ocorreria chamar-lhe tal coisa. Acho pouco.

À margem daquela conversa das "utopias"

Da proposta, menos. Mas toda a gente se lembrará das reacções à ideia defendida em campanha pelo Bloco de Esquerda de envolver os credores na renegociação das dívidas soberanas. Repetem-no e fica no ouvido: os “radicais de esquerda”, sempre utópicos, do lado errado da História, a querer que fizéssemos figura de caloteiros. Porém, hoje, lemos que a maioria da banca europeia estará disposta a participar voluntariamente no segundo pacote de resgate à Grécia, o que deverá representar 25 mil milhões a 30 mil milhões. Puf! A utopia deixou de ser utopia. Quanto ao resto, tudo na mesma. Os comentadores alinham a prosápia ao discurso dominante: “como era óbvio, os credores particulares teriam que ser envolvidos”. Para a maioria, o Bloco continua utópico, radical e passadista. E saltamos para nova “utopia”.


O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, e o economista da Universidade de Coimbra José Castro Caldas são duas das figuras que subscrevem o texto de apelo público para que seja feita uma auditoria à dívida portuguesa com a participação da sociedade civil. O texto, intitulado “Apelo a Iniciativa Unitária por uma Auditoria à Dívida Portuguesa”, é assinado por 38 figuras ligadas à academia e ao movimento sindical e defende uma auditoria da dívida “com participação da sociedade civil e do movimento dos trabalhadores” como forma de “determinar que partes da dívida são ilegais, ilegítimas, odiosas ou simplesmente insustentáveis”. “É urgente, neste contexto, a constituição de uma comissão popular, aberta e de convergência unitária, para uma auditoria à dívida portuguesa”, lê-se no texto do apelo que acrescenta que uma auditoria nestes moldes “oferece aos trabalhadores o conhecimento e a autoridade necessários para a definição democrática de políticas nacionais perante a dívida”. Segundo os subscritores, esta auditoria “incentiva igualmente a responsabilidade, a prestação de contas e a transparência da administração do Estado”.


“A austeridade e as medidas de privatização pressionam em primeiro lugar os mais pobres, enquanto as ‘ajudas’ são para quem está na origem da crise. Se as medidas de austeridade anti-populares não forem postas em causa, terão um impacto considerável na Europa durante muitos anos, modificando de forma drástica a relação de forças em favor do capital e em prejuízo do trabalho”, conclui o texto. (daqui)

Ler os outros: sobre o entusiasmo à volta da ideia do cheque ensino

«Não percebo o entusiasmo à volta da ideia do cheque ensino. Quem põe os filhos num colégio, não procura apenas a excelência do ensino, o rigor e a exigência. Procura, sobretudo, a segurança da segregação social. É a segregação social que dá garantias de sucesso. Quem opta por certos e determinados colégios fica sossegado por saber que deixa os filhos numa espécie de condomínio privado, onde se ensina a caridade, se cultiva comedidamente a piedade, enobrece sempre o carácter, mas longe de pretos, ciganos, brancos que são como pretos, demais proscritos. É por essa razão, sobretudo por essa, que sujeitam os filhos a avaliações psicológicas, que se sujeitam eles próprios a entrevistas, onde explicam o que fazem e onde moram. Esmiúçam, ansiosos, detalhes e valores familiares, para se enquadrarem no perfil pretendido. O cheque ensino, em abstracto, elimina constrangimentos financeiros, permitindo que famílias mais pobres possam optar por estabelecimentos de ensino privados, mas não apaga o resto. Quem é da Brandoa, da Buraca, de Unhos, do Catujal, será sempre desses lugares. Os pais que escolhem o ensino privado, se, de repente, vissem a prole acompanhada pela prole das suas empregadas, procurariam rapidamente outro colégio onde a selecção se continuasse a fazer. Não condeno as preocupações dos pais que assim agissem. Percebo-os perfeitamente. Se a escola dos meus filhos fosse, assim de repente, por imposição do governo, inundada por camafeus pequenos, tratando-se por você, armados ao pingarelho, também eu correria a tirá-los de lá. Gosto pouco de misturas..» - Ana Cássia Rebelo (retirado daqui)

A especulação a rir e eles a sorrir



Na foto, retirada daqui, a estreia de Passos Coelho no CE. Quanta alegria. Conclusão: "Cimeira não podia ter corrido melhor a Portugal".