quarta-feira, 22 de junho de 2011

Milagres da Saúde de mercado



Este é um milagre apenas possível em países mais desenvolvidos do que nós, onde não existe um sistema público de Saúde posto à disposição de todos, havendo, na sua vez, seguros de saúde apenas ao alcance de alguns. Não era o caso do protagonista desta história. James Verone, 59 anos, não tinha nem seguro de saúde nem dinheiro e precisava de assistência médica urgente. Como tal, planeou um assalto a uma agência bancária, no estado da Carolina do Norte. Entrou com um bilhete na mão onde estava escrito: "isto é um assalto, por favor, quero um dólar". Verone esperou calmamente pela polícia para ser detido. O norte-americano está desempregado e explicou que a sua estratégia passava por ser tratado gratuitamente na cadeia. Comprovadamente, conforme atesta o exemplo, os bancos são um elemento fundamental em qualquer sistema de Saúde.

Eventualmente, a primeira carta de demissão copiada da nossa História

A directora do Centro de Estudos Judiciários (CEJ), a desembargadora Ana Luísa Geraldes, demitiu-se hoje. Os motivos da sua demissão são ainda desconhecidos. Sabe-se apenas que Ana Geraldes pediu a sua demissão do lugar, como refere um lacónico comunicado do Ministério da Justiça, divulgado ao início da noite, que dá conta de que a nova ministra, Paula Teixeira da Cruz, aceitou a demissão. O cargo é de nomeação política.

Pois

O líder parlamentar dos Verdes europeus, Daniel Cohn-Bendit, disse hoje que Rui Tavares lhe comunicou a decisão de se juntar a esta família política na semana passada. Pouco depois, desmentiu as afirmações, dizendo que o contacto só terá sido estabelecido na segunda-feira. Rui Tavares nega tudo.

Era uma vez uma birra verde-estalinista

O menino foi para o cargo porque o líder confiou nele. O menino usou a confiança do líder para o descredibilizar publicamente. O líder foi-se calando por respeito ao princípio da liberdade de opinião e para não facilitar uma onda de histeria que lhe apontaria um estalinismo pronto a comer da conveniência do menino. O menino foi esperneando, esperneando, cada vez mais. Não parava de escoicear. Um dia, dois jornais publicaram uma versão de uma história cuja proveniência associaram ao menino. O líder manifestou estranheza e desagrado. Em vez de perguntar aos jornais por que carga de água o seu nome tinha sido associado à história que publicaram, sem ser estalinista, o menino não gostou que o líder também pudesse ter opinião. Primeiro, pediu que se retratasse e, como a birra estalinista não deu o fruto desejado, lembrou-se depois de dizer ter perdido algo que não era seu, a confiança que o líder lhe tinha depositado, que lhe valeu o cargo que ocupava, para se demitir sem perder o salário, passando a representar-se a si próprio. Ele, que sempre tinha apelado à união das esquerdas, abandonava a sua. Era agora verde, livre de continuar a comentar o estalinismo que tanto gostava de colar aos outros.

Os Tratados são só para quando dão jeito

O restabelecimento temporário dos controlos nas fronteiras no interior do espaço Schengen vai passar a ser autorizado em caso de pressão migratória anormal, embora apenas em circunstâncias excepcionais e mediante condições estritas para evitar decisões unilaterais.

Bom trabalho de equipa

A líder parlamentar interina do PS, Maria de Belém, defendeu que Portugal deve distinguir-se pela positiva dentro da zona euro e reafirmou a necessidade de cumprimento do memorando da troika para responder aos objectivos de crescimento económico determinados na União Europeia, numa alusão ao crescimento do centro e favorecimento do sector financeiro alemão e francês à custa do declínio da periferia. No artigo original, a autora Sofia Rodrigues conclui a primeira frase com um “numa alusão à situação da Grécia”. Maria de Belém insinua que o resultado depende da capacidade de obediência dos portugueses. A jornalista ajuda, deixando de fora a Irlanda e os 170 fracassos de outras tantas intervenções do FMI. Se a execução do plano de austeridade desenhado para Portugal resultasse, seria a primeira vez. Mas assinale-se mais este exemplo do excelente trabalho de equipa que o poder político e o jornalismo militante têm desenvolvido conjuntamente, aqui, sim, com grande sucesso..

Estimular a poupança: das palavras aos actos

O resgate massivo de Certificados de Aforro continuou em Maio, atingindo 566 milhões de euros, um um pouco abaixo do recorde de 737 milhões de euros retirados em Abril. Desde o início do ano, o total de resgates eleva-se a quase dois mil milhões, superando, em apenas cinco meses, o total retirado em 2010. As novas subscrições de CA também não param de diminuir. Em Abril ficaram-se pelos 33 milhões de euros, perto do mínimo histórico de 30 milhões registado em Fevereiro. Tudo isto graças ao favor que a governação Sócrates fez ao nosso sistema financeiro de diminuir drasticamente o juro dos certificados de aforro, o que, imediatamente e sem qualquer esforço, tornou os produtos financeiros oferecidos pelos bancos bem mais atractivos.


Ontem, Passos Coelho insistiu na necessidade de estimular a poupança. Em bom rigor, o Estado português tem toda a vantagem em poder financiar-se junto dos aforradores privados , uma vez que, ao fazê-lo, paga uma taxa muito mais baixa do que aquela que é cobrada pelos amigos BCE-FMI e mais ainda se comparada com as taxas praticadas nos mercados secundários. Se passar das palavras aos actos, o Governo de Passos Coelho aumentará as taxas de juro dos certificados de aforro, actualmente fixadas nuns ridículos 1,6 por cento, sem medo das reacções negativas do sector financeiro. Concorrência é isto, não contar com os favores do poder político.