Não era minha intenção comentar nenhum dos nomes da equipa governativa que hoje foi anunciada. Não há políticas sem dinheiro e, para além de não haver dinheiro, como toda a gente sabe, as políticas foram ditadas de fora, pelo que pouca diferença farão os nomes. Mas Bagão Félix inspirou-me.
Há pedaço, sobre o elenco governativo, no exercício daquele comentário sempre isento, ouvi o nosso Bagão dizer aos microfones da rádio pública que é tudo gente séria e muito competente. E escolheu precisamente o super-herói Paulo Macedo para primeiro da lista que a seguir debitou. O tal, recorde-se, que se pirou a tempo, antes que o seu nome aparecesse nos jornais como o pai do entupimento dos Tribunais que resultou da sua obra-prima cobranças fiscais automáticas, a coberto de um argumento que incompatibilizava o preço de mercado de tanta genialidade concentrada numa pessoa só com a exiguidade de um salário superior ao de cinco ministros juntos. O Estado é cá uma chatice.
E, paf, lá saltou para o BCP. Ou, melhor, a vida de miséria que o seu salário podia comprar obrigou-o a saltar.
Agora, paf, volta a saltar para o Estado. Para surpresa geral, para a Saúde. Mas não para surpresa do meu muso Bagão, que teve a amabilidade de sublinhar que a equipa ministerial tem a grande qualidade de ter sido escolhida fora dos grandes interesses instalados. No meio destes pafs da banda sonora de “O génio que fugiu da penúria”, hei-de ter perdido a notícia de que a Medis deixou de pertencer ao BCP de onde vem o nosso super-herói do paga-e-não-bufes.
Afasto maus pensamentos. Paulo Macedo volta à casa materna resignado a receber um quinto do salário que antes já pecava por ser uma miséria espartana. A Medis não ganhará nada em tê-lo como ministro. E, porque a Medis não ganhará nada, não terá nenhuma razão para lhe pagar uns cafezitos a título de prémio por ter deixado de gostar de dinheiro. Que também não teria mal nenhum se pagasse, dadas as dificuldades da vida que a escolha acarretará. O génio que fugiu da penúria regressa para nos tratar da Saúde.
