Não, não são os festejos da vitória da selecção nacional de futebol. São os gregos que se manifestam há várias dias, todos os dias, nas suas ruas. Vão continuar assim, todos os dias, a sair à rua. As televisões nacionais optaram por manter estas imagens fora dos olhos de quem decidirá amanhã se daqui a muito pouco tempo estaremos também todos na rua a gritar bem alto que não aguentamos mais. Na Segunda-feira, se não houver votos que o travem, Portugal mergulha no PEC V, o mais violento de todos, que deliberadamente também foi deixado fora da campanha eleitoral. Os gregos já vão no segundo apertão. Não podem fazer nada quanto ao primeiro, tentam evitar o segundo. Nós podemos evitar o primeiro. Não têm eleições, resta-lhes a rua. Nós temos as duas. E não podemos dar-nos ao luxo de desperdiçar a oportunidade que a democracia nos dará amanhã de gritar bem alto que não queremos passar pelo mesmo que os gregos. O voto é a nossa voz. Um voto tem incomparavelmente mais força do que um grito.
sábado, 4 de junho de 2011
Campismo fora do parque, em democracia
Tenho profunda aversão por comportamentos que apenas revelam inaptidão para usar a democracia. No caso presente, estamos diante de dois exemplos. De um lado a polícia, a reprimir com uma violência exagerada um movimento que pacificamente faz dá uso à liberdade de expressão. Do outro, um grupelho de gente que, tão ocupados têm estado a fazer barulho, não tiveram tempo para ler os mais de 15 programas de outras tantas forças partidárias que a democracia lhes dá à escolha como destino para os seus votos nas eleições de amanhã.
O tempo não é elástico, pelo que até compreendo que eles, coitados, não se sintam representados por ninguém numa democracia que teimam em desconhecer e saber usar. E a democracia, desculpem lá, não é a vontade individual de 200 ou 300 almas. É colectiva. Tem regras. Uma delas é a da participação. Estes senhores e senhoras, ao não arriscarem por ninguém, nem mesmo por quem arrisca todos os dias por eles,, ao optarem por se porem à margem, arriscaram-se a que a polícia arriscasse por eles. Queriam espectáculo, protagonismo? Conseguiram. Nada mau para uma amálgama de inconsistências inconsequentes pejadas de imperativos estéticos.
Agora, palmas. E se até amanhã tiverem tempo para se inteirarem das diversas propostas que a democracia lhes oferece, se se dessem ao trabalho de se dirigirem a uma secção de voto durante o dia de amanhã, não seria nada mal pensado. Depois, se quiserem, criem uma nova ou juntem-se à força democrática com que se identificarem mais, mudem-na por dentro. Participem. Podem continuar a fazer barulho, mas, se não votarem, o barulho, só por si, de nada serve. Aprendemo-lo todos quando deixamos de ser bebés e a chantagem do choro deixa de resultar. Democracia verdadeira, já! Porque a vossa, para além de não ser nada democrática, resulta na perpetuação da distribuição de poderes no mundo que, dizem, só dizem, querer que mude.

