Escusado será dizer que estas imagens não passam nas nossas televisões. O motivo da ocultação é óbvio. A realidade é que a Grécia está há quase uma semana como se vê nos dois vídeos juntos. O que fará alguém arriscar-se a perder a vida como perderam os cinco manifestantes na greve geral anterior? O desespero. Sentir que já não se tem nada a perder. A Grécia também foi “ajudada”: o desemprego disparou, os salários e a protecção social encolheram, a precariedade alastrou, os serviços públicos que os gregos pagaram com os seus impostos apodreceram ou foram apropriados por mãos privadas. Para nada. As contas públicas gregas estão pior do que nunca. Com a “ajuda” apenas ganharam os bancos e os grandes grupos económicos. E, um ano depois, as pessoas não aguentam mais o resultado das mesmas políticas que PSD, PS e CDS se comprometeram a administrar em Portugal, agora com um empréstimo a um juro “negociado” tão bem que ainda é superior ao grego.
Domingo decidimos se queremos repetir o horror dos gregos. Custa a crer que quem vive do seu trabalho vai votar em quem vai trabalhar para facilitar o seu despedimento. Que funcionários públicos dêem o seu voto a quem lhes vai roubar dois meses de salários ou mesmo os salários todos: o memorando prevê despedimentos
Vamos todos para a forca. Uns levam a corda para oferecê-la aos carrascos, talvez na ilusão de alguma clemência. Outros ficam em casa a esconder o pescoço do nó, na ilusão de que basta acreditar para que a execução não aconteça. E há os que recusam a forca. Portugal não tem que repetir a tragédia grega. Orgulho-me de pertencer a este último grupo. Votarei no direito a um futuro melhor. Votarei nos meus interesses e nos do meu país. Darei força a quem sempre soube representar-me, representar-nos. O meu voto vai ser útil. Até para os entusiastas que ajudarão a fabricar a corda que também me está reservada.
