quinta-feira, 2 de junho de 2011
O papa-tontinhos
Há um par de dias, em campanha, apresentou-se de cravo vermelho para se dizer à esquerda em questões sociais. Estranho. Sempre recusou o cravo na lapela em todas as comemorações do 25 de Abril. Os vales-mercearia e a ferocidade com que se lança ao RSI são tudo menos esquerda. São direita, duma direita bem à direita. Duma direita que anda sempre de mérito na boca para não falar de sobreiros e de submarinos. E, hoje, diz que não quer o poder a qualquer preço. Paulo Portas há-de pensar que somos todos tontinhos. E as sondagens dão-lhe alguma razão.
Duas histórias obscenas: descubra as diferenças
À frente do Governo, ele deixava de ser o representante do interesse público e passava a chamar-se Lobby. Lobby banca PPP e Magalhães, um nome que condizia com o rosto de um socialista travestido, com ar sério e sotaque de Cascais. Era com uma representação desta personagem que inventara que se apresentava no mundo virtual em que os média transformaram a política, onde “mergulhava” comodamente à procura de relações amorosas com os seus eleitores. O assédio eleitoral era feito através das televisões, rádios e jornais, mas também da internet. O problema é que sempre se ficou pelas fantasias. Quando as suas vítimas manifestavam o desejo de verificarem pessoalmente a concretização do que prometia, faltava sempre. E quando, impacientes, acabavam por se afastar, perseguia-os, ameaçando-os, chantageando e negando que continuaria destruindo a sua vida privada e provocando danos psicológicos e materiais, refere a acusação. O homem está agora a ser julgado, em milhares de mesas de voto, em todo o país, juntamente com outros dois cromos do mesmo calibre que tomam balanço para lhe seguir as pisadas..
A verdade, cem omissões e mil mentiras, em votos
Uma breve observação para sublinhar que as sondagens teimam em mostrar como uma mentira dita por um engenheiro formado ao Domingo e viciado em mentir vale muitíssimos mais votos do que mil verdades ditas por alguém que, para além de não se lhe conhecer uma única mentira, é ainda um reputadíssimo economista de renome mundial. E isto já para não falar no campeão das preferências do povo maravilhoso deste país, outro alguém também viciado em dizer de manhã o que desdiz à tarde, que compensa a experiência que não tem nem como Presidente de Junta com a facilidade com que sempre se ajoelha diante dos mais fortes e com os sacrifícios que reserva para os mais fracos, quando não lhes promete o contrário. A este par de jarras junta-se um terceiro nas preferências, um farsolas que agora anda para aí de cravo na mão a disfarçar o nojo que lhe causa o cheiro a suor dos mais pobres e uma vocação inata para negócios manhosos.
Estes três ídolos da Nação andam pelo país a caçar votos com as palavras ocas que preenchem o tempo que a honestidade que não têm mandaria ocupar com a explicação detalhada do cardápio de malvadezes que acordaram administrar, depois das eleições, a quem vive do seu trabalho. Ocupam-se com a ocultação das mais do que previsíveis consequências desastrosas a muito curto prazo. E disfarçam o que não querem que seja ouvido com as larachas que vão trocando entre si. Mas está à vista que resulta.
E como resulta. Resulta mesmo. O outro é que mente, embora sempre se confirme o que diz. O outro não apresenta soluções, por mais soluções que apresente. O outro é um radical, por mais radicais que sejam as perdas de direitos e de salários, por maiores que sejam os roubos, por mais descarados que sejam os negócios e as vendas ao desbarato de recursos que são de todos, por mais brutal que seja o desmantelamento de serviços públicos, todos os anteriores, que os favoritos apadrinhem.
O país está mal? Pois está. Estranho seria se estivesse bem. E mais ainda será se não ficar pior. Antes, porém, temos o Domingo. Cada um que faça a sua parte. E que não deixe de fazê-lo na ilusão de que não vale a pena. Vale sempre. Na Segunda-feira, há-de continuar a valer a pena querer mudar. Para melhor.
