quinta-feira, 2 de junho de 2011

E sai um tema irrelevante para 80% dos eleitores portugueses (e 95% dos comentadores)

Enquanto exige aos países da zona euro mais austeridade para reduzir o défice, a Comissão Europeia (CE) não tem refreado os seus próprios gastos. De acordo com uma investigação jornalística, os comissários europeus gastaram cerca de oito milhões de euros em jactos privados, festas e férias luxuosas.

O papa-tontinhos

Há um par de dias, em campanha, apresentou-se de cravo vermelho para se dizer à esquerda em questões sociais. Estranho. Sempre recusou o cravo na lapela em todas as comemorações do 25 de Abril. Os vales-mercearia e a ferocidade com que se lança ao RSI são tudo menos esquerda. São direita, duma direita bem à direita. Duma direita que anda sempre de mérito na boca para não falar de sobreiros e de submarinos. E, hoje, diz que não quer o poder a qualquer preço. Paulo Portas há-de pensar que somos todos tontinhos. E as sondagens dão-lhe alguma razão.

Duas histórias obscenas: descubra as diferenças

À frente do computador, ele deixava de ser homem. Passava a chamar-se Ana. Ana Sofia Sá Magalhães, um nome que condizia com o rosto de uma mulher loura, com ar nórdico e sotaque de Cascais. Era com uma fotografia desta personagem que inventara que se apresentava no mundo virtual onde “mergulhava” à procura de relações amorosas com outros homens. O assédio sexual era feito através da Internet. O problema é que não se ficou pelas fantasias. Quando os seus interlocutores manifestavam o desejo de se encontrar com ele pessoalmente, faltava sempre. E quando, impacientes, acabavam por se afastar perseguia-os, ameaçando-os, chantageando, devassando a sua vida privada e provocando danos psicológicos e materiais, refere a acusação. O homem está agora a ser julgado, no Campus da Justiça, em Lisboa, juntamente com outros nove arguidos.




À frente do Governo, ele deixava de ser o representante do interesse público e passava a chamar-se Lobby. Lobby banca PPP e Magalhães, um nome que condizia com o rosto de um socialista travestido, com ar sério e sotaque de Cascais. Era com uma representação desta personagem que inventara que se apresentava no mundo virtual em que os média transformaram a política, onde “mergulhava” comodamente à procura de relações amorosas com os seus eleitores. O assédio eleitoral era feito através das televisões, rádios e jornais, mas também da internet. O problema é que sempre se ficou pelas fantasias. Quando as suas vítimas manifestavam o desejo de verificarem pessoalmente a concretização do que prometia, faltava sempre. E quando, impacientes, acabavam por se afastar, perseguia-os, ameaçando-os, chantageando e negando que continuaria destruindo a sua vida privada e provocando danos psicológicos e materiais, refere a acusação. O homem está agora a ser julgado, em milhares de mesas de voto, em todo o país, juntamente com outros dois cromos do mesmo calibre que tomam balanço para lhe seguir as pisadas..

A verdade, cem omissões e mil mentiras, em votos

Durante a campanha eleitoral, no debate com o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, o primeiro-ministro disse que apenas irá aceitar uma descida “pequena” e “gradual” da TSU, salientando que essa medida está ainda “em estudo”. Contudo, no memorando assinado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – o chamado Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, que só hoje foi divulgado –, o Executivo comprometeu-se com uma “redução significativa da contribuição das empresas para a Segurança Social” ("major reduction", no original), conforme referiu Louçã com bastante insistência.


Uma breve observação para sublinhar que as sondagens teimam em mostrar como uma mentira dita por um engenheiro formado ao Domingo e viciado em mentir vale muitíssimos mais votos do que mil verdades ditas por alguém que, para além de não se lhe conhecer uma única mentira, é ainda um reputadíssimo economista de renome mundial. E isto já para não falar no campeão das preferências do povo maravilhoso deste país, outro alguém também viciado em dizer de manhã o que desdiz à tarde, que compensa a experiência que não tem nem como Presidente de Junta com a facilidade com que sempre se ajoelha diante dos mais fortes e com os sacrifícios que reserva para os mais fracos, quando não lhes promete o contrário. A este par de jarras junta-se um terceiro nas preferências, um farsolas que agora anda para aí de cravo na mão a disfarçar o nojo que lhe causa o cheiro a suor dos mais pobres e uma vocação inata para negócios manhosos.


Estes três ídolos da Nação andam pelo país a caçar votos com as palavras ocas que preenchem o tempo que a honestidade que não têm mandaria ocupar com a explicação detalhada do cardápio de malvadezes que acordaram administrar, depois das eleições, a quem vive do seu trabalho. Ocupam-se com a ocultação das mais do que previsíveis consequências desastrosas a muito curto prazo. E disfarçam o que não querem que seja ouvido com as larachas que vão trocando entre si. Mas está à vista que resulta.


E como resulta. Resulta mesmo. O outro é que mente, embora sempre se confirme o que diz. O outro não apresenta soluções, por mais soluções que apresente. O outro é um radical, por mais radicais que sejam as perdas de direitos e de salários, por maiores que sejam os roubos, por mais descarados que sejam os negócios e as vendas ao desbarato de recursos que são de todos, por mais brutal que seja o desmantelamento de serviços públicos, todos os anteriores, que os favoritos apadrinhem.


O país está mal? Pois está. Estranho seria se estivesse bem. E mais ainda será se não ficar pior. Antes, porém, temos o Domingo. Cada um que faça a sua parte. E que não deixe de fazê-lo na ilusão de que não vale a pena. Vale sempre. Na Segunda-feira, há-de continuar a valer a pena querer mudar. Para melhor.

Mais cenas eventualmente chocantes para avestruzes


As avestruzes continuam com a cabeça na areia a repetir que o Bloco não apresenta propostas, por mais propostas que apresentem. Aqui está mais uma.