segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mais dois com cenas eventualmente chocantes para avestruzes



Abaixo esta esquizofrenia!

Marcelo Rebelo de Sousa alvitrou, no seu tempo de antena semanal na TVI, que os indecisos poderiam optar por “um mal menor”, entre o PS e o PSD. Entre um mal e outro mal. Nisto estamos de acordo. Mas há outras opções, boas opções, e ninguém é obrigado a votar mal. Marcelo sugere que sim. Aqui começamos a divergir.


E continuamos na abordagem proposta. Marcelo coloca as suas verdades professorais ao serviço de um campeonato em que uns dizem que votarão Sócrates e outros Passos Coelho. É como se os primeiros estivessem recenseados em Castelo Branco e os segundos em Vila Real. E não estão. É como se não fossemos eleger os deputados que nos representarão nas votações que decorram na AR, entre elas, de apenas uma delas, resultará o suporte parlamentar ao Governo que aquele que seja indigitado pelo Presidente da República venha a formar. E vamos. É como se os deputados fossem funcionários dos partidos respectivos e tivessem como única função aplaudir, vaiar, votar a favor ou votar contra seguindo ordens do chefe da divisão.


Para eles, é assim. É o campeonato que melhor os serve. Para eles e para a comunicação social para a qual também não importam os nomes, a sua competência, o trabalho que desenvolvem. É vota Sócrates, vota Passos Coelho ou, na pior das hipóteses, no outro troiko que escolheu esta campanha para estrear o peito com um cravo com a explicação da abolição das fronteiras entre a esquerda e a direita e a sua substituição pelos vales-mercearia que atestam a competência de quem compra submarinos muito bem comprados. Numa palavra: deseducação política. A mesma que depois os faz falar em aproximar eleitos de eleitores, de redução do número de deputados e de alteração do sistema eleitoral para outro que os sirva ainda melhor.


Faz-me impressão toda esta esquizofrenia. Obviamente, não votarei Louçã porque não concorre pelo meu círculo eleitoral. Votarei na lista encabeçada pelo José Manuel Pureza, a quem reconheço um excelente trabalho e que nunca esteve distante deste eleitor.


E o leitor? Vai votar em quem votará pela flexibilização do seu despedimento e pela privatização do Serviço Nacional de Saúde e da escola pública que pagou com os seus impostos? Vai eleger quem não quer uma auditoria a uma dívida que não é sua mas que será o leitor a pagar para que quem a fez aumentar não a pague? Em quem não hesitará em sacrificar a sua reforma para aumentar lucros e o justifica com a necessidade de aumentar uma competitividade que não consegue incentivar doutra forma? Faz mal. Não sou eu quem o diz. É o próprio Prof. Marcelo.

Farsa para já, tragédia para depois

Dramático, Passos Coelho diz que não quer para Portugal “a tragédia” que está a acontecer na Grécia. Mas, logo a seguir, explica a tragédia grega com um “por não ter conseguido cumprir o acordo com a troika da União Europeia, BCE e FMI”, como se políticas austeritárias tivessem alguma vez produzido outra coisa que não acrescentar crise à crise: para já, Passos Coelho quer farsa. A tragédia guarda-a para depois das eleições.