sábado, 28 de maio de 2011

O homem que sujava os joelhos

Passos foi hoje confrontado com a notícia do “Expresso” de que o Presidente da República terá dúvidas sobre o número de ministérios que o PSD necessitará para executar o plano de resgate assinado com a troika do FMI, BCE e União Europeia. Resposta do grande líder, adeus, Governo com dez ministérios: “Quando digo que estou preparado para construir um Governo com não mais do que 10 ministros, falo evidentemente da possibilidade do PSD ter uma maioria absoluta e poder responder por esse resultado. (…) Caso tal não aconteça, e essas “condições não existirem”, o PSD terá de “negociar um Governo que pode ter outras exigências”. Mais uma vez, o que ontem era uma verdade absoluta, hoje deixou de ser. Passos diz hoje para desdizer amanhã. E esta é uma das duas certezas que temos sobre Passos Coelho. A outra é a de que o instinto o manda ajoelhar-se sempre que é posto à prova por alguém que considera estar acima de si. Aconteceu com a troika, quando assinou de cruz um empréstimo sem saber a taxa de juro. Aconteceu quando Angela Merkel chamou preguiçosos aos portugueses e, em vez de defender os seus, Passos respondeu com a oferenda dos nossos feriados. Volta a ajoelhar-se hoje diante de um leve aceno de Cavaco, com uma questão tão simples como a do número de Ministérios.

Ler os outros - "O voto fútil"

“O PS é um case study. Faz campanha a comentar as escorregadelas dos seus adversários para não ter de discutir as suas propostas; chama "caloteira" à esquerda que propõe a auditoria e a – mais tarde ou mais cedo, inevitável – renegociação da dívida, acusando-a de não querer "honrar os compromissos" com a banca alemã; acena com o “perigo da direita” como se não tivesse sido o PS o principal promotor do programa de austeridade e desmantelamento do Estado social assumido no acordo com a troika; aliar-se-á com PSD ou ao CDS sem quaisquer problemas de consciência num futuro governo. O PS está no direito ser como é. Mas ter a lata de ainda assim apelar ao “voto útil” à esquerda, como o fez António José Seguro, ultrapassa os limites da decência. Será que não quereria dizer “voto fútil”?” – Miguel Cardina

Orelhas de Burro

Chew Lips - "Salt air"