Não será demasiado difícil entender a razão pela qual o PS e o PSD evitam criticar o programa eleitoral um do outro: ambos, expressa ou secretamente, mais malvadez, menos malvadez, no seu essencial, são cópias do memorando de capitulação que assinaram com a troika conjuntamente com o CDS. Como tal, na falta desse que seria “o” assunto, criam factos políticos. E a comunicação social vai atrás.
O que agendaram para hoje está relacionado com nomeações alegadamente secretas que um ou uma infiltrada do PSD terá descoberto à custa de mil perigos.
Alguém, algures no meio da multidão de jornalistas, poderia bem perguntar: logo os senhores, líderes dos dois partidos campeões da aparelhização da Administração Pública, que há 30 e tal anos a usam como agência de emprego dos servidores dos respectivos? O que é que pretendem? Apenas estardalhaço ou comprometerem-se com o que realmente interessa?
É que não seria nada má ideia que estes senhores aproveitassem a deixa para se comprometerem com medidas concretas no sentido de acabarem com o objecto do fogo cruzado dos discursos alucinados em que se envolveram. Por exemplo, limitar as nomeações políticas ao nível de Director-geral, deixando os níveis inferiores para profissionais de carreira. Já agora, centralizar as admissões na AP, criando uma central de recrutamento onde os candidatos prestem provas longe dos padrinhos e da porta do cavalo que a última “reforma necessária” da Administração Pública escancarou, em nome de um mérito esqusitíssimo e do tal combate aos “poderosos interesses corporativos” que se esqueceu das cúpulas.
Mas não. É pedir demais. tudo isto não interessa nem aos digníssimos candidatos a responsáveis, nem aos putativos jornalistas. Especializaram-se em poeiras e ruídos que turvam a percepção geral. E em vomitar sondagens. O que faz falta é animar a malta. Eles são a garantia do direito a um futuro da agência de empregos rosa-laranja.
