segunda-feira, 23 de maio de 2011

O que faz falta é entreter a malta

Não será demasiado difícil entender a razão pela qual o PS e o PSD evitam criticar o programa eleitoral um do outro: ambos, expressa ou secretamente, mais malvadez, menos malvadez, no seu essencial, são cópias do memorando de capitulação que assinaram com a troika conjuntamente com o CDS. Como tal, na falta desse que seria “o” assunto, criam factos políticos. E a comunicação social vai atrás.


O que agendaram para hoje está relacionado com nomeações alegadamente secretas que um ou uma infiltrada do PSD terá descoberto à custa de mil perigos.


Alguém, algures no meio da multidão de jornalistas, poderia bem perguntar: logo os senhores, líderes dos dois partidos campeões da aparelhização da Administração Pública, que há 30 e tal anos a usam como agência de emprego dos servidores dos respectivos? O que é que pretendem? Apenas estardalhaço ou comprometerem-se com o que realmente interessa?


É que não seria nada má ideia que estes senhores aproveitassem a deixa para se comprometerem com medidas concretas no sentido de acabarem com o objecto do fogo cruzado dos discursos alucinados em que se envolveram. Por exemplo, limitar as nomeações políticas ao nível de Director-geral, deixando os níveis inferiores para profissionais de carreira. Já agora, centralizar as admissões na AP, criando uma central de recrutamento onde os candidatos prestem provas longe dos padrinhos e da porta do cavalo que a última “reforma necessária” da Administração Pública escancarou, em nome de um mérito esqusitíssimo e do tal combate aos “poderosos interesses corporativos” que se esqueceu das cúpulas.


Mas não. É pedir demais. tudo isto não interessa nem aos digníssimos candidatos a responsáveis, nem aos putativos jornalistas. Especializaram-se em poeiras e ruídos que turvam a percepção geral. E em vomitar sondagens. O que faz falta é animar a malta. Eles são a garantia do direito a um futuro da agência de empregos rosa-laranja.

A esquerda destes camaradas


Aqui está a esquerda deles, um mix do “trabalho comunitário” que Passos Coelho reclama para moralizar o desemprego que quer criar e dos vales-mercearia com os quais Paulo Portas quer ajudar a roubar o que resta da dignidade dos mais pobres, que se propõe a tornar ainda mais pobres. Não existe no nosso espectro partidário, mas haverá direita à esquerda desta que paga em sandes o entusiasmo de agitadores de bandeiras que, ou não falam, ou quase não entendem uma palavra de português. Éntretanto, parece que já os fizeram desaparecer. Sobre a esquerda deste PS, estamos conversados.

Vitória da direita sobre a direita

Uma esquerda sem palavra, prostituta do poder económico e travestida de políticas de direita não faz sentido. Para comprová-lo, os espanhóis preferiram o original à má qualidade da cópia: o PSOE alcançou uma das suas maiores derrotas de sempre em eleições regionais e municipais. Com a derrocada do PSOE, do bipartidarismo resultante de um sistema eleitoral que abafa qualquer alternativa não podia esperar-se outro cenário que não o de uma vitória retumbante do PP. E assim foi. Mas, por toda a Espanha, milhares e milhares de espanhóis protestaram e continuam a protestar contra o afunilamento da sua democracia. Até há algum tempo atrás, estavam condenados a ser governados ou pelo PSOE ou pelo PP, mas havia esquerda e havia direita. Hoje, não é assim. Assim andaríamos em Portugal, a comemorar vitórias sucessivas da direita sobre a direita, caso o número de deputados do nosso Parlamento fosse reduzido. E andam para aí movimentações nesse sentido.

(editado)