O FC Porto selou uma época extraordinária com um expressivo 6-2 na final contra o V. Guimarães. Parabéns ao campeão e que vendam muitos jogadores. O país precisa de equilibrar as contas externas.
domingo, 22 de maio de 2011
O "estadista" dos joelhos sujos
Podia ter-se calado, e já seria mau. Podia ter protestado, devia. Podia ter dito bem alto que os 22 dias de férias a que os portugueses ganham direito depois de um ano inteiro de árduo trabalho está numa vizinhança muito próxima dos 21,5 dias da média europeia e muito distante dos 30 dias que a maioria dos alemães goza anualmente, apesar do mínimo legal ser de 20. Podia ter dito que é mentira que os portugueses se aposentam mais cedo do que os alemães, porque a idade de reforma é actualmente exactamente a mesma nos dois países. Angela Merkel lembrou-se de tentar ganhar uns votos mandando umas bocas xenófobas que alimentam o mito do latino preguiçoso, que insulta todos os portugueses. E Passos Coelho, em vez de defender os seus, reitera o insulto e volta a mostrar que a sua estatura política é a de um homem de joelhos, um baixinho para quem a identidade cultural do seu povo não vale um caracol. Hoje, o seu joelho direito disse o que se lê abaixo. Amanhã, não sabemos o que dirá o esquerdo. Teimam em contradizer-se, é o que vale.
A proposta e o comentário respectivo estão aqui.
A Europa muda à margem da agenda mediática
“As eleições que hoje se celebram em 13 das 17 comunidades autónomas espanholas e em 8115 municípios do país têm, como verdadeiro horizonte, as gerais de Março do próximo ano, que decidirão quem vai governar a Espanha. Por ser a primeira consulta de âmbito nacional com a crise económica, têm um indisfarçável sabor e odor a primárias”, dizem eles, com uma breve alusão de fundo de página ao que se vai passando na Puerta del Sol e um pouco por toda a Espanha, que é para não dizer Europa.
Contudo, à margem das notícias, o descontentamento alastra, numa reedição do que aconteceu e vai acontecendo no mundo árabe, quer das reivindicações do direito a um futuro que passa por mais justiça na economia, quer na multiplicação das manifestações de protesto, também elas proibidas e convocadas através das redes sociais. Em simultâneo, do outro lado da trincheira, concertadamente, os media trabalham afincadamente na defesa do regime que sustentam e que os detém. Vão mostrando como, em democracia, a censura é dispensável, pelo menos nos moldes tradicionais.
E são cada vez mais os que se dão conta desta realidade. À medida que aumenta o descontentamento e, com ele, o número dos que o manifestam, aumenta também o grupo dos que despertam para a sua captura pelo mesmo poder que os quer continuar a espoliar de todas as conquistas sociais de mais de um século.
Por que é que, por maiores que sejam, os protestos não têm a devida cobertura mediática ou, pura e simplesmente, não aparecem nas notícias? Por que é que a versão dos acontecimentos que os média oferecem é invariavelmente a mesma em todos eles? Por que é que, aumente o desemprego e a austeridade selectiva o que aumentar, os partidos que não hesitam em assumir-se como carrascos do povo que supostamente representam continuam a reunir as suas preferências nas intenções de voto? E por que é que as alternativas são tão marginalizadas e alvo preferencial de descredibilização pelos comentadores de serviço?
É cada vez maior o número dos que se apercebem do descaramento. A função de informar de televisões, rádios e jornais, os meios de comunicação social convencionais, foi substituída pelo condicionamento da percepção geral da realidade e, nessa medida, também das escolhas de quem os utiliza como única fonte de informação. E isto é lenha para mais dozes de Março e quinzes de Maio. Venham eles, pacíficos, como até aqui.
