sexta-feira, 20 de maio de 2011

Duponpsd VS Dupontps

Era uma tarefa difícil. Os dois camaradas dos PEC I, II e III, que se separaram no IV mas que, pouquíssimo tempo depois, não tardaram a juntar-se novamente no V triunfal da troika, partiram para o espectáculo da noite com o firme propósito partilhado de mostrarem como são diferentes. Mas foram iguais.


Ambos sugeriram ter negociado o empréstimo que todos sabemos assinaram sem sequer conhecer a taxa de juro que dizem ter negociado. Ambos se referiram ao memorando que assinaram como uma alavanca de crescimento económico que não ocorrerá. Ambos se assumiram defensores do Estado social que assinaram desmantelar. E ambos os sócios apostaram em demonstrar que as propostas de cada um são melhores do que as do outro e que as responsabilidades próprias pela situação a que o país chegou são incomparavelmente menores do que as do camarada da frente.


Houve diferenças no estilo, é certo. Sócrates com rábulas mais conseguidas, Passos Coelho mais engasgado mas com um ar melhor cuidado de grande governante que nunca foi, nem numa Junta de Freguesia. Achei-o melhor penteado do que Sócrates, embora a gravata deste fosse bastante mais gira do que a de Passos Coelho. Mas estas diferenças que as discutam os tontos que se resignam a escolher entre o mau e o pior, que, como tal, viram o debate com olhos de quem não vê os actuais líderes dos dois partidos que nos desgovernam há 37 anos a disputar o voto de quem assinaram apertar como nunca antes em democracia. Dispenso-lhes a honra de escolher o vencedor do frente-a-frente.

Domingho há missa, Sexta há sondagem

Nova Sexta-feira, nova sondagem. E novamente a proposta de um Benfica-FC Porto, com um Sporting mais pequenino atrás da porta, prontinho para ajudar qualquer um dos seus “rivais” colegas de memorando. O resto é o resto. Não tem futebol. A sondagem que interessa é no dia 5 de Junho, mas a rapaziada vai treinando. E pagando sondagens, diz que resulta para ganhar adeptos e desencorajar resistências e apostas noutros futebóis..


Escrevo estas linhas antes da entrada para o relvado dos dois primeiros, que têm direito a mais 15 minutos de frente-a-frente que os demais. A esta hora e a este minuto, isto das sondagens tem a uma precisão ao pentelho, os garantes de novo agravamento da austeridade selectiva que acordaram implementar somam 82,6 por cento nas intenções de voto dos seleccionados para o apertão. Muitas linhas abaixo nas notícias sobre este espectáculo, as alternativas, que os voluntários atrás referidos rejeitam, somam 14,3 por cento. E continua a haver um grupo com 23,1 que está indeciso entre resistir ou oferecer-se ao sacrifício e outro com 17,5 que advoga não ter nada a ver com o assunto.


Bem sei que não tem nada, rigorosamente nada, nadinha que ver com o assunto acima, mas... Em 1998, no último estudo sobre literacia de adultos em que Portugal participou, 80 por cento dos avaliados não chegaram ao nível dois. Existem cinco. Considera-se que o limiar mínimo para a participação na sociedade e o desenvolvimento económico é o nível 3.


Bom, os candidatos a regente da colónia estão quase a entrar em campo. Vou ver como se combinam para mostrar que são diferentes.

Esta é para quando os ouvirem falar nos salários e na estabilidade dos outros

Cerca de 20 administradores acumulavam funções em 30 ou mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de mil lugares de administração, entre eles os das sociedades cotadas", lê-se no relatório anual sobre o Governo das Sociedades Cotadas em Portugal, ontem divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O caso mais extremo refere-se a um administrador que pertencia aos órgãos de administração de 62 empresas. (...) Os dados são referentes ao ano de 2009, e demonstram que esta prática não é uma excepção: mais de 75% dos 426 administradores desempenhavam funções de administração em mais de uma empresa.


Por cada um destes lugares recebiam, em média, 297 mil euros por ano, ou, no caso de serem administradores executivos, 513 mil euros. O valor máximo registado para a remuneração média paga a este tipo de administradores foi de 2,5 mil milhões de euros e o valor médio mínimo foi de 49 mil euros. Regalias quase exclusivas do sexo masculino e com mais de 50 anos, já que apenas 5,6% dos cargos de administração (25) eram exercidos por mulheres, enquanto a idade média dos administradores executivos era de 53,6 anos e a dos não executivos de 56,2 anos.


Como é bom de ver, administram que se fartam. Depois, dizem umas coisas sobre a estabilidade e os salários dos outros, sobre trabalhos forçados para desempregados e vales-mercearia para os mais pobres, porque Portugal precisa de ética e moralidade. E de sacrifícios "necessários".


O rei vai bêbedo

Uma magistrada do Ministério Público foi detida em Cascais por um agente da Polícia Municipal por estar a conduzir em contramão e com uma taxa de alcoolemia de 3,08g/litro de sangue, o que constitui crime. No entanto, mais tarde foi libertada por um procurador seu colega, noticia o Correio da Manhã. Lacuna imperdoável, não apuraram se o colega também estava a cair de bêbedo. E era importante sabê-lo.

Debate com O-dos-submarinos



Não assisti ao frente-a-frente entre Francisco Louçà e Paulo Portas de ontem à noite, mas, pelo que vejo no resumo junto, o CDS acentuou a aposta no discurso incendiário que coloca pobres contra pobres para os desviar do essencial. Esta demagogia moralista que trata a pobreza como uma malandragem que merece um castigo é um vómito. Comprometem-se com políticas que agravam drasticamente a situação dos mais pobres para, depois, SE lançarem na tarefa de moralizar essa pobreza que ajudam a criar, por exemplo, propondo que parte do RSI seja pago em vales de mercearia. Portas diz que prefere contratos definitivos a contratos a prazo, contratos a prazo a recibos verdes e estes a desemprego. Também será preferível um salário pago em malgas de arroz, como acontece na China, a não ter qualquer salário: Portas tem imensas alternativas para completar as suas lengalengas. O certo é que o resultado do capitalismo defendido por esta direita mais trauliteira, onde também cabe o PSD, não anda muito longe do DO comunismo que diz estar nos seus antípodas.

Preparativos para a subida das taxas moderadoras

A ministra da Saúde afirmou esta quinta-feira na Lourinhã que os portugueses recorrem a “demasiadas consultas médicas”, o que agrava o consumismo no Sistema Nacional de Saúde. Os portugueses devem mentalizar-se de uma vez por todas que, com governos PS-PSD-CDS, os impostos que pagam não são para financiar serviços públicos de qualidade. Os acordos firmados de cruz com troikas predadoras, as PPP, os negócios submarinos, os estudos e os pareceres manhosos fazem de qualquer canceroso um hipocondríaco em potência.