quarta-feira, 18 de maio de 2011

Aqui ao lado, com proibição e sem resgate



Milhares de pessoas desafiaram a proibição dos protestos decretada pela Junta Eleitoral de Madrid e voltaram a juntar-se nesta quarta-feira ao final da tarde nas Portas do Sol, em Madrid. Mais de 500 polícias foram mobilizados para o local. A chuva prometia cair esta noite na Porta do Sol em Madrid. E cumpriu o prometido. Mas apesar do mau tempo e da ordem de ontem da Junta Eleitoral de Madrid, que o proibiu, para que este movimento 15M, de protesto, dispersasse, os manifestantes voltaram a dormir na rua. E já pensam em prolongar para além do dia 22 o protesto.

Banco de Portugal deixa recado ao eleitorado da troika nacional

Este é um aperitivo para o poder absoluto que aí vem depois das eleições. Os bancos podem, a partir de hoje, agravar as taxas de juro e outros encargos dos empréstimos sempre que identifiquem "razão atendível" ou "variações de mercado" que o justifiquem, desde que cumpram um “código de boas práticas” da autoria do Banco de Portugal. Nestas “boas práticas”, já se vê, está incluída a liberalização da alteração unilateral dos spreads dos contratos de crédito. A autorização do abuso supra tem a mesma proveniência.


(editado)

O Estado destes amigos

No meio da troca de bocas entre Sócrates e Passos Coelho sobre o novas oportunidades, ficamos a saber que o Estado tem pago uma auditoria externa ao programa que se limitou a avaliar a qualidade da percepção das pessoas envolvidas. Seja lá o que isso for, de fora ficou a aferição da qualidade da formação ministrada. Pergunta inevitável: para que raio serve uma avaliação que se fica pelo embrulho e não contempla o conteúdo, a qualidade e o rigor do processo de certificação? Deixo uma pista: a tal avaliação externa que todos pagámos foi confiada a uma equipa da Universidade Católica dirigida pelo ex-ministro da Educação do Governo PSD (1987-1991) Roberto Carneiro. Gostava mesmo de saber quanto pagámos. Temos que emagrecer o Estado, temos, temos.

E há quem vá votar numa subida ainda maior

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego entre janeiro e março aumentou 1,3 pontos percentuais face ao último trimestre de 2010, quando a taxa de desemprego se situou nos 11,1 por cento. Em termos homólogos, a taxa de desemprego aumentou 1,8 pontos percentuais. No primeiro trimestre de 2010, esta foi de 10,6 por cento. "Querido desemprego", dirão todos aqueles que vão dar a força do seu voto à renovação de subidas cada vez mais vigorosas. Há gostos para tudo.

(editado)

Um teste simples à nossa democracia representativa

Angela Merkel voltou a chamar preguiçosos a portugueses, gregos e espanhóis. “Todos temos de fazer um esforço, isso é importante, não podemos ter a mesma moeda e uns terem muitas férias e outros poucas” disse, quando na Alemanha a lei consagra 20 dias como período mínimo de férias, apenas menos 2 que em Portugal, e grande parte das empresas concede mais de 30 dias. E “Não se trata só de não contrair dívidas. Em países como a Grécia, Espanha e Portugal, as pessoas não devem poder ir para a reforma mais cedo do que na Alemanha”, quando, actualmente, a idade de reforma é igual nos dois países. Tudo num comício do seu partido. A oposição alemã já reagiu. Vamos esperar para ver que partidos portugueses se vão calar e que partidos vão reagir à utilização deste discurso xenófobo inaceitável e humilhante. Elegemo-los para que nos representem. Essa é a razão pela qual existem. Uns fazem-no bem. Mas outros há que apenas sabem gastar os joelhos. Para ganhar credibilidade, argumentam. Aí está o resultado. Este é um teste simples à nossa democracia representativa. Portugal ainda é um país soberano.


Actualizações:


1. O coordenador do BE, Francisco Louçã, acusou hoje Angela Merkel de "mesquinhez", depois da chanceler alemã ter proposta a uniformização da idade da reforma e do período de férias na União Europeia. (…) "Precisamos de generosidade e não da mesquinhez que Ângela Merkel quer para a Europa". (…) "Desde há muito tempo que a Alemanha tem uma regra: impor sempre a sua palavra", notou o responsável, acrescentando que o aumento da idade de reforma significará o "degradar da vida das pessoas que trabalharam uma vida inteira". (…) "O Bloco de Esquerda contrapõe com uma Segurança Social sustentável e uma reforma que está vinculada ao salário de uma vida inteira".


2. O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje que a chanceler alemã, Angela Merkel, se esqueceu de comparar também os salários dos trabalhadores alemães e portugueses, tal como fez em relação a férias e idade de

Passos e a incoerência congénita



Tal como havia sucedido no debate com José Sócrates, esta noite, Francisco Louçã voltou a cilindrar no frente-a-frente com Passos Coelho. Louçã jogou na incoerência do seu oponente. São muitas, pelo que apenas teve que ir esperando pela oportunidade de as expor. Elas foram aparecendo, com naturalidade, como teria que acontecer. Ia falar-se de política.

Pedro Passos Coelho bem tentou afastar o debate para os terrenos da mera aritmética, com frases lapidares como “temos a obrigação de vencer”, e para comparações com o PS que há-de julgar abonatórias para o seu partido. O Coordenador do BE não aproveitou a oportunidade para dizer que ser melhor do que é mau não faz do PSD nem melhor, nem pior. Não se podem ganhar todas. Mas Louçã soube tirá-lo rapidamente dali, bombardeando-o com argumentos e com os números que realmente interessam, os do descalabro provocado pelos PEC aprovados pela aliança PS-PSD.

Foi assim que, paulatinamente, uma a seguir à outra, as incoerências foram aparecendo. Cito de memória, Passos Coelho foi exposto como o candidato a governante mais “responsável” que assinou de cruz um empréstimo de 78 mil milhões sem conhecer a taxa de juro; como a única alternativa a um Governo liderado por José Sócrates que anda com ele de braço dado desde que assumiu a liderança do PSD; como o homem de convicções que há um par de dias dizia que renegociar a dívida é um impossível típico do radicalismo de esquerda e que hoje também já o defende; como o grande homem dos mercados, que quer emagrecer o Estado, que emudece quando o confrontam com a gordura e os negócios escuros dos 35 anos no poder de Alberto João Jardim; como o homem de projectos grandiosos para o país que defende políticas que, porque agravam decisivamente a nossa situação económica, comprometem, nessa mesma medida, a nossa capacidade de pagar o empréstimo que firmou de cruz. Neste último ponto, Passos ainda balbuciou para ali uma conversa de recuperar a credibilidade externa para ganhar poder negocial, mas não soube dizer como, com políticas que acrescentam profundidade ao buraco em que nos encontramos.

Passos Coelho abanou quando Louçã o confrontou com os insultos que dispensou aos alunos do Novas Oportunidades e aos desempregados que quer pôr a trabalhos forçados para terem direito ao subsídio que os próprios pagaram. E ainda houve tempo para o golpe de misericórdia. Louçã relembrou que a política não faz sentido se a sua prioridade das prioridades não for a de servir as pessoas. Passos, aí, acabou.

Gostei particularmente do minuto final de Louçã. 60 segundos muito bem utilizados para resumir o tanto que está em jogo nas próximas eleições e as escolhas alternativas que são colocadas aos eleitores. Espero poder publicá-lo aqui.