terça-feira, 10 de maio de 2011

A coelhada do dia

O líder do PSD mostrou-se hoje contra a baixa de salários para compensar a redução da taxa social única. “Não podemos sacrificar os salários”, defendeu Passos Coelho, sustentando que a compensação financeira para a Segurança Social deve vir do aumento dos impostos sobre o consumo. Mas que grande confusão vai na cabeça deste candidato para se expor a dizer uma alarvidade destas só para ficar bem na fotografia. É certo que, se a TSU baixar, como pretende o seu partido, transferindo as reformas futuras dos portugueses directamente para os balanços das empresas, está a descapitalizar-se a Segurança Social. Mas é um completo disparate admitir que, ao baixar salários, como o PSD fez ao defender a não actualização do salário mínimo e ao pôr-se ao lado do PS aprovando cortes salariais na Administração Pública, está a compensar-se a descapitalização inicial: as contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social são uma percentagem do seu salário e, naturalmente, se este diminuir, aquela percentagem diminui também. Ou seja, combinar uma descida de salários com a diminuição da Taxa Social Única é descapitalizar duplamente a Segurança Social. Passos Coelho mostra que não entende uma relação tão simples como esta. Põe-se na pele do sindicalista que comprovadamente não é e, como se a ridicularia não chegasse, propõe aumentar um imposto que castiga sobretudo os que menos podem. Pôr os pobres a pagar o que as empresas não querem pagar completa a coelhada do dia. Este homem é um génio.



(editado)

Justiça na economia #5


Graças ao clientelismo rentista que se instalou aos comandos dos destinos do país, com vários exemplos de governantes que assinaram contratos em representação do Estado para, pouco depois, se tornarem administradores das empresas com as quais os firmaram, as parcerias público-privadas foram-se tornando um dos maiores cancros das nossas finanças públicas e, simultaneamente, a forma mais fácil de enriquecer dos verdadeiramente representados pelo poder político que fomentou este modelo de transferência de riqueza que os enriquece empobrecendo todos os demais. Curiosamente, a troika e o Bloco de Esquerda coincidem na necessidade da sua renegociação. Porém, a troika quer fazê-lo mantendo no poder quem já mostrou o que vale cada voto depositado nas suas mãos: 60 mil milhões que pagaremos em 30 anos e 12 a 14 por cento de taxa de juro garantidos pelo mesmo período às concessionárias e ao sector financeiro. Justiça na economia é o que vale cada voto nesta e nas demais propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda. Renegociar as PPP é a quinta de uma série de vinte.