O líder do PSD mostrou-se hoje contra a baixa de salários para compensar a redução da taxa social única. “Não podemos sacrificar os salários”, defendeu Passos Coelho, sustentando que a compensação financeira para a Segurança Social deve vir do aumento dos impostos sobre o consumo. Mas que grande confusão vai na cabeça deste candidato para se expor a dizer uma alarvidade destas só para ficar bem na fotografia. É certo que, se a TSU baixar, como pretende o seu partido, transferindo as reformas futuras dos portugueses directamente para os balanços das empresas, está a descapitalizar-se a Segurança Social. Mas é um completo disparate admitir que, ao baixar salários, como o PSD fez ao defender a não actualização do salário mínimo e ao pôr-se ao lado do PS aprovando cortes salariais na Administração Pública, está a compensar-se a descapitalização inicial: as contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social são uma percentagem do seu salário e, naturalmente, se este diminuir, aquela percentagem diminui também. Ou seja, combinar uma descida de salários com a diminuição da Taxa Social Única é descapitalizar duplamente a Segurança Social. Passos Coelho mostra que não entende uma relação tão simples como esta. Põe-se na pele do sindicalista que comprovadamente não é e, como se a ridicularia não chegasse, propõe aumentar um imposto que castiga sobretudo os que menos podem. Pôr os pobres a pagar o que as empresas não querem pagar completa a coelhada do dia. Este homem é um génio.
(editado)
