segunda-feira, 9 de maio de 2011

Euros e votos

Não me lembro de um período pré-eleitoral em que a cadência das sondagens e contra-sondagens decorresse a um ritmo tão alucinante como neste. As sondagens custam dinheiro. Alguém as paga. Por aqui andará uma explicação do fenómeno. O memorando prevê a maior maré negra de privatizações de sempre. Investe-se e o retorno desse investimento sorrirá a quem vença a corrida do assalto ao poder de conduzir as negociatas. Quem parte e reparte e não fica com nenhuma parte… Será tolo quem os deixe à vontade a enriquecer naquela arte. Por aqui andará uma segunda explicação desta chuva de sondagens. A mensagem dos 80 por cento de apoiantes das tais reformas necessárias a mais desemprego e maiores e mais rápidos retrocessos económicos e sociais visa desencorajar o voto na alternativa que querem abafar. Nós sabemos - e eles também sabem - que não vamos ficar em casa. Que somos muitos os que não vão dar-lhes assim o futuro para que brinquem com ele como brincaram até agora. Não podemos voltar atrás, mas podemos andar para a frente. Eles investem o dinheiro que têm no condicionamento das escolhas, moldando-as à sua conveniência. Nós podemos investir os votos que temos no direito, que ainda não roubaram e não podem comprar, de ambicionarmos um futuro em que todos tenhamos lugar. Vamos.

O mundo a avançar

A decisão de reconhecer a homossexuais que vivem uma relação estável os mesmos direitos legais de que disfrutam os casais heterossexuais, tomada por votação unânime dos juízes do Supremo Tribunal Federal (dez votos a favor e nenhum contra e um juiz a declarar incapacidade de voto), reconhece-lhes o direito a pensão de alimentos, direito a herança do companheiro em caso de morte, direito a ser incluído em seguros de saúde como familiar, direito à adopção e ao registo dos filhos do parceiro bem como às técnicas de procriação medicamente assistida como casal.


O humanismo dos terroristas

Dezenas de imigrantes africanos foram deixados à sua sorte no Mediterrâneo, depois de alertarem a Guarda Costeira italiana e terem passado por um porta-aviões da NATO, acusa o jornal britânico "The Guardian". Gritaram por ajuda, mas foram ignorados. 61 acabaram por morrer. O mundo está incomparavelmente mais seguro sem o Bin Laden. Longe vão os tempos em que havia terroristas e ponto final. Hoje, temos terroristas bons e terroristas maus. Os crimes dos terroristas bons, precisamente porque são infinitamente bons, deixam-se na impunidade. Basta que o neguem. E não se fala mais nisso. Os terroristas bons sabem o que é melhor para todos.

(editado)