em seis meses, 645.559 crianças deixaram de receber abono de família no país mais envelhecido da Europa e oitavo da OCDE com maior taxa de pobreza infantil. Ao mesmo tempo, no mesmo país, um fluxo de sentido contrário fazia chover milhões nas contas bancárias da Associação Portuguesa de Bancos, Automóvel Clube de Portugal, Mota-Engil, Parkalgar e Colecção Berardo, entre outras entidades com necessidades especiais de enriquecimento. Números são números, não são de esquerda, nem de direita. Ao contrário da governação PS. A esquerda deles é perene, sempre esquerda, independentemente do tamanho das injustiças que vão alimentando com o dinheiro dos contribuintes. Mais de 557 milhões. Ler aqui.
(actualizado)
segunda-feira, 2 de maio de 2011
A esquerda deles
Como no velho Oeste, mas no século XX1
Esta manhã, liguei o rádio no preciso momento em que um daqueles “analistas” que sabem de tudo encaixava a morte de Osama bin Laden no comportamento dos mercados de títulos. As flutuações eram ligeiras. Os mercados não se comoveram com a notícia inesperada. A voz que ia debitando os números da sorte e do azar dos apostadores do grande casino transparecia desapontamento.
Mas o mundo rejubilava, li e ouvi pouco depois, no bloco noticioso que também passou a gravação da mensagem ao mundo de um Presidente comovido com a inflexão no gráfico da sua popularidade. Contava, com enternecimento pátrio, como as forças do bem tinham desferido um golpe terrorista letal sobre as forças do mal, do qual resultou uma vitória que sorria no rosto ensanguentado do cadáver do líder da Al Qaeda. Esta manhã, o troféu era utilizado pelas primeiras de todo o mundo para ilustrar a notícia de que o número 1 do bem despachou o número 1 do mal para o quarto mais apertadinho e quente de todo o inferno. Como no velho Oeste, desfecho de um qualquer “procura-se, vivo ou morto”, com a habilidade dos justiceiros a gozar de toda a liberdade para poder optar pela segunda possibilidade.
Apesar de Bin Laden definitivamente não ser o meu herói, não sou dos que pularam de alegria com a notícia, como há-de perceber-se pelas linhas anteriores. Para mim, não é vitória nenhuma da democracia reconhecer aos Estados Unidos o papel de donos do mundo e muito menos o é ser-lhes dada liberdade para utilizarem a mesma metodologia que é usada por aqueles a quem chamam de bandidos. Depois, a grande fábrica de Bin Ladens que é a miséria daqueles povos não encerra assim, apenas porque ele, que nem sei se era o líder, se foi encontrar com as dezenas de virgens a que tinha direito. Pelo contrário, para os seus seguidores, Bin Laden está onde qualquer deles gostaria de estar, num daqueles paraísos que será sempre impossível proibi-los de ambicionarem. Entusiasmar-me-ia, sim, se o mundo lhes possibilitasse terem outros sonhos. Vibraria, sim, se os bandidos parassem de encolhê-los, aos deles e aos nossos. E ainda não consigo congratular-me com a morte de ninguém.
