Mário Vargas Llosa, sobre a escrita dos jovens nos chats e nas redes sociais: “Se escreves assim, é porque falas assim; se falas assim, é porque pensas assim, e se pensas assim, pensas como um macaco. E isso parece-me preocupante. Talvez as pessoas sejam mais felizes assim. Talvez os macacos sejam mais felizes que os seres humanos. Não sei”.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
A democracia que não conte com a Justiça
O Tribunal Constitucional declarou hoje a inconstitucionalidade da revogação da avaliação do desempenho docente, cuja fiscalização preventiva tinha sido pedida pelo Presidente da República. Baixar salários continua sem reparos. A apreciação da inconstitucionalidade de um diploma parece que deixou de ser uma questão técnica para passar a ser uma questão de natureza política, quando, supostamente, os Tribunais pertencem a outro pilar, completamente independente, da nossa democracia.
Há quase uma semana que os telefones do Tribunal de Macedo de Cavaleiros servem apenas para receber chamadas. As facturas em atraso levaram a PT a cortar o serviço de telefone, causando constrangimentos ao normal funcionamento do tribunal. A Justiça paga mensalmente 1 milhão de euros de renda só pelo caixote de ratos de Lisboa e não tem dinheiro para pagar telefones. As custas judiciais astronómicas, que fazem dela um serviço de luxo apenas ao alcance dos mais afortunados, iriam resolver imensos problemas. Verifica-se que apenas servem para afastar os cidadãos. O buraco financeiro da Justiça ultrapassa os 300 milhões. E continua a crescer.
Activismos
O activista Diogo Leite Campos faz umas contas à maneira para explicar ao povo o que é uma verdadeira injustiça e aponta a razão pela qual ela é incompreendida pela inveja dos miseráveis. Obviamente que não me refiro nem aos que se enriquecem com a pompa dos casamentos entre príncipes e princesas, nem aos que se entusiasmam com a santificação de quem se auto-flagelava pela calada da noite. Esses, mais que compreender, veneram este mundo em que alguns têm o direito a ser ricos à custa da infinita elasticidade da sua compreensão. Os activistas da riqueza por direito e os activistas da pobreza militante trabalham cada um pela sua causa, mas também em conjunto, uns pela causa dos outros. O altruísmo é tão bonito.
PS. Acabo de ler mais sobre este activista e sobre a sua nobre causa aqui.
