A “yield” da dívida grega avança 78,6 pontos base para 25,029 por cento, tendo já tocado o máximo histórico de 25,254 por cento, isto um ano depois da “ajuda” europeia e do FMI. Esta taxa representa um máximo desde que foi criada a Zona Euro. As receitas austeritárias do FMI resultam sempre. E Sócrates consegue compatibilizá-las com a defesa do Estado social. Ainda há homens honestos neste país.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
74 anos depois
A pedido de Franco, durante três horas, os bombardeiros alemães da Legião Condor, dando corpo a uma aliança nazi-fascista internacional para liquidação da república Espanhola, bombardearam a cidade basca de Guernica, indefesa e desarmada. Quase dois mil dos seus sete mil habitantes foram mortos, cerca de 900 ficaram feridos e a cidade foi completamente arrasada. Foi há 74 anos.
Manifesto FMI a governar, de Janeiro a Janeiro
Foram três homens do Grupo Jerónimo Martins que tiveram a iniciativa, escreveram e lançaram o manifesto que defende um compromisso nacional entre o PR e “os principais partidos” para no imediato “assegurar a credibilidade externa” e que o futuro Governo seja apoiado por “uma maioria inequívoca”. A história lê-se aqui.
Se os votos se comprassem
Olhando para os orçamentos de campanha, o PS e o PSD serão os que gastam mais e o Bloco e o CDS os que gastam menos. O PS gastará 2,2 milhões na campanha eleitoral, 3,14 vezes mais do que o Bloco e o CDS (704 e 700 mil euros, respectivamente); o PSD gastará 1,9 milhões, 2,71 vezes mais do que cada um dos dois que gastam menos; e a CDU gastará 995 mil euros, 1,42 vezes o orçamento de campanha do Bloco e do CDS. Se o resultado eleitoral de cada partido fosse proporcional ao orçamento de campanha, o PS ganharia com 33,8%, seguido do PSD (29,2%), CDU (15,3%), Bloco de Esquerda (10,83%) e CDS (10,77%). A coligação FMI obteria 73,8 por cento do total. Se os votos se comprassem, o futuro estaria arrumado.
Os bombos da festa
Na última década, os funcionários públicos tiveram uma quebra no poder de compra de 17,14 pontos percentuais. Quem ganha 1600 euros brutos perde 274 euros. E por cada mil euros a mais que se receba acima deste valor o corte é de 170 euros, resultado dos congelamentos e cortes salariais somados à inflação. Valeram a pena as parcerias público-privadas, o BPN, o BPP, os submarinos e outros negócios "responsáveis" feitos com todo o "sentido de Estado". Abaixo os "poderosos interesses corporativos"!
Administração científica na Justiça: demagogia para ignorantes
É mais “uma revolução cultural para mudar mentalidades”. O embrulho modernaço é sempre o mesmo, embora a originalidade deixe muito a desejar. E o que vem lá dentro, quase invariavelmente, é asneira da grossa.
O “mais sociedade”, o tal grupo de pensadores do PSD transbordante de ideias novas para Portugal, propõe que o salário dos magistrados seja indexado ao número de processos despachados, com os factores de ponderação grau de complexidade de cada processo e número de recursos que contrariem uma sentença anterior.
Está-se mesmo a ver: contrata-se alguém embuído deste espírito “inovador” para contar os processos despachados por cada magistrado (uma empresa seria o mais indicado, as empresas têm a racionalidade no seu ADN), outra, ou a mesma, para avaliar a complexidade dos processos segundo um critério que até poderia ser o número de páginas (e punha-se alguém a contá-las) e só depois se contariam os recursos com sentença contrária a da instância anterior, 1, 4, 7, 12 anos depois. Simples!
Já agora, para assegurar que o “inovador” não sinta a experiência traumatizante de viajar até à inovação de há 100 anos, haveria que garantir que tal agente de progresso não conheça o trabalho de Taylor, em tudo idêntico à proposta “revolucionadora de mentalidades” da segunda década do século XXI, mas aplicado à indústria de então. Resta-nos apontar o mérito aos autores da proposta de terem ultrapassado o criador: nem Taylor se atreveria a propor a transformação de um sistema de Justiça numa linha de montagem. Se há coisa que não podemos apontar aos ideólogos do coelhismo é falta de arrojo. Produzem demagogia, da pura. E com intenso cheiro a bolor.
