terça-feira, 26 de abril de 2011

Os paladinos da revolução tunisina e a plasticidade dos tratados

França e Itália defendem uma “reforma” do Tratado de Schengen “em circunstâncias excepcionais” e pedem a Bruxelas que avalie a possibilidade de restabelecer temporariamente o controlo nas fronteiras. Berlusconi e Sarkozy encontraram-se nesta terça-feira em Roma para debater a questão da imigração.

A troika vai ouvir, vai

Com o propósito óbvio de explorar a recusa daqueles que se negaram a engrossar o grupo de palhaços que andaram empenhados em mostrar ao país que negociavam onde não se negociava coisa nenhuma, esta manhã, circulava para aí a notícia de que o MayDay Lisboa participaria em encenação semelhante e iria reunir-se com a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), a convite desta, tão interessada estaria em ouvir o movimento. A notícia é falsa, mas é mais do que certo que a troika irá ouvir este e muitos outros movimentos no 1º de Maio. Será um protesto a sério, sem a necessidade de enviarem qualquer convite.

Concordo

Passos Coelho, a propósito dos PEC I, II e III, que aprovou conjuntamente com o PS, e dos V, VI e seguintes, a aprovar pela mesma união de facto: a ideia de “fabricar em Portugal uma espécie de União Nacional é uma perversão”, mais ainda quando invocada no 25 de Abril. Eu concordo. Sócrates, não. Dá--lhe, dá-lhes, deu-lhes jeito.

Água e pão duro para a malandragem

Se bem percebi, votar PSD a 5 de Junho é também apoiar uma penalização na reforma a aplicar aos desempregados que não se disponham a continuar a descontar durante os períodos em que não tenham trabalho, é querer que o subsídio de desemprego diminua à medida que a situação de desemprego se prolongue no tempo e pedir que a limitação do período de cobertura do risco de ficar sem trabalho se reduza a 1 mês por cada ano de descontos. E chamar-lhe “mais sociedade”. Os desempregados são todos uns grandes malandros.


Actualização: votar PSD é ainda dar poder a quem quer “reformular” a administração pública, reduzir a taxa social única das empresas, aumentar o IVA, eliminar benefícios fiscais, actualizar os salários indexados a uma produtividade calculada à margem do crescimento dos lucros, taxar os serviços de saúde e de educação públicos segundo os rendimentos, cingir a politica de transportes de passes sociais aos mais pobres, privatizar serviços públicos, facilitar ao máximo os despedimentos e aumentar a idade de reforma para os 67 ou 70 anos.