sábado, 16 de abril de 2011
Marinho no país das maravilhas
Todos os dias tropeçamos num daqueles iluminados que descobriram que o mundo mudaria para melhor se ninguém votasse. E cá está mais um. O visionário do dia é Marinho Pinto. Utiliza os ideais da mestre Manuela de suspensão da democracia para aperfeiçoá-la num apelo a uma abstenção maciça nas próximas eleições.
A ideia é pôr os outros a escolher por nós os 230 que serão sempre 230, independentemente do número de votos que os eleja. A proposta é sujeitarmo-nos à lotaria dessa escolha, em vez de participarmos nela e sermos nós próprios a escolher também. Confiar na sorte. A participação cívica de Marinho Pinto diz-nos que confiemos na sorte.
Tudo para expor os eleitos à vergonha de uma eleição com poucos votos. Basta esquecer as últimas presidenciais,
Finalmente, subjacente a este caminho para o mundo perfeito, há uma suposta pressão que a abstenção tem sobre os políticos no sentido de torná-los melhores. Só com políticos melhores teremos um país melhor. Ora, como é conhecido, desde que há democracia e há eleições que a abstenção foi sempre aumentando. A ser como aponta o visionário do dia, já estaremos no paraíso e não sabemos. Marinho convida os portugueses a descobrirem um país das maravilhas que se esconde na república da resignação.
