sábado, 16 de abril de 2011

Orelhas de Burro

Craft Spells - "Sun Trails"


Craft Spells - "After the Moment"

Marinho no país das maravilhas

Todos os dias tropeçamos num daqueles iluminados que descobriram que o mundo mudaria para melhor se ninguém votasse. E cá está mais um. O visionário do dia é Marinho Pinto. Utiliza os ideais da mestre Manuela de suspensão da democracia para aperfeiçoá-la num apelo a uma abstenção maciça nas próximas eleições.


A ideia é pôr os outros a escolher por nós os 230 que serão sempre 230, independentemente do número de votos que os eleja. A proposta é sujeitarmo-nos à lotaria dessa escolha, em vez de participarmos nela e sermos nós próprios a escolher também. Confiar na sorte. A participação cívica de Marinho Pinto diz-nos que confiemos na sorte.


Tudo para expor os eleitos à vergonha de uma eleição com poucos votos. Basta esquecer as últimas presidenciais, em que Cavaco foi eleito com pouco mais de 25 por cento. Marinho pede-nos que descubramos a vergonha de Cavaco ou de outro qualquer que nunca mais tenha sido visto fora de casa, tal a vergonha de ter sido eleito com poucos votos.


Finalmente, subjacente a este caminho para o mundo perfeito, há uma suposta pressão que a abstenção tem sobre os políticos no sentido de torná-los melhores. Só com políticos melhores teremos um país melhor. Ora, como é conhecido, desde que há democracia e há eleições que a abstenção foi sempre aumentando. A ser como aponta o visionário do dia, já estaremos no paraíso e não sabemos. Marinho convida os portugueses a descobrirem um país das maravilhas que se esconde na república da resignação.

Em Lisboa, diz alguém, vota-se para Presidente da AR


Fernando Nobre revela este sábado ao “Expresso” que se não “for eleito presidente da Assembleia da Republica” renuncia “imediatamente ao cargo” de deputado para o qual é proposto enquanto cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Lisboa.