Quando faltam as ideias e as soluções, resta a imagem. E é o que conta. A lata também é importante. Ai, ó pá, o FMI já cá canta, ó Ricardo.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Que vergonha
O país ouviu até ao fim a comunicação de José Sócrates na televisão pública. Depois, ouviu até ao fim a comunicação de Pedro Passos Coelho. Imediatamente a seguir, falava Francisco Louçã. Os portugueses não puderam ouvi-lo até ao fim. A televisão pública cortou-lhe a palavra. É inacreditável que já nem se preocupem em disfarçar como viciam as regras do jogo.
O fim da linha
Ontem, Ricardo Salgado exigiu ajuda externa. Hoje, ainda não se sabe se numa declaração conjunta com Pedro Passos Coelho, José Sócrates irá anunciá-la às oito da noite. E ainda levam um ralhete por não ter sido logo de manhã. É a política no seu pior. Sem soluções, despida de qualquer mandato de representação democrática, ajoelhada ao poder económico, falida de soluções, demitida. O centrão estourou.
Olha, olha!
Portugal acordou com os berros de uma pole composta por banqueiros e por servidores de banqueiros que faziam o seu trabalho para criar a ideia da inevitabilidade de um pedido de ajuda externa. Outra ideia, partilhada por alguns deles, é a da criação de um Governo de salvação nacional. Mas para salvar-nos do quê e de quem? Ajuda externa para remediar os excessos de quem? Responde o próprio Director-geral do FMI: o principal problema de Portugal é o financiamento dos bancos e a dívida privada. Os salvadores propõem-se salvar o país deles próprios? Olha os impostores.
Portugal Uncut, em blogue
“Obviamente, há alternativa. Ao contrário do que afirma o dominante, ultra-liberal, pensamento único. (...) A redução da despesa em períodos de desemprego elevado é um erro. Os defensores da austeridade prevêem que esta produza dividendos rápidos sob a forma de aumento da confiança económica, com poucos ou nenhuns efeitos negativos sobre o crescimento e o emprego; o problema é que não têm razão. Cortar na despesa numa economia em recessão acaba por ser contraproducente nem que seja em termos fiscais: quaisquer poupanças na despesa são anuladas pela redução da receita fiscal resultante da contracção da economia. É por isso que a estratégia correcta é emprego primeiro e défice depois (...) Toda a gente pode compreender com facilidade esta simples evidência económica. Excepto se for banqueiro e estiver a engordar com juros agiotas cobrados ao Estado. Ou se estiver interessado em surfar a crise para desmantelar o estado.”
Arrancou o blogue do Portugal Uncut. Sejam muito bem-vindos. A acompanhar, na coluna da direita.
Essa chatice chamada democracia
O líder parlamentar do Partido Socialista, Francisco Assis, admite um consenso pré-eleitoral para pedir ajuda externa, justificando que “uma situação de emergência exigirá soluções de emergência”. Mandar a democracia e a CRP às malvas e Prescindir de eleições seria uma "solução de emergência". Só faltou concretizar.
A banca em mãos privadas e a banca de todos nós
Cabe ao Governo negociar um empréstimo já, diz, peremptório, Ricardo Salgado. Mas é possível haver um apoio de liquidez realizado através do banco público para ultrapassar a situação de urgência que actualmente existe ao nível da dívida pública, os estatutos do BCE permitem-no, diz o Bloco de Esquerda. Comprovadamente, a CGD tem que ser privatizada. Para que deixe de haver dúvidas sobre quem manda aqui. E para ficarmos definitivamente nas mãos de quem manda aqui.
