terça-feira, 5 de abril de 2011
Só até dia 5 de Junho
Vamos fazer de conta que foi por iniciativa própria, autonomamente, sem dizer nada a ninguém, que o Governador do Banco de Portugal deu um murro na mesa para dizer aos presidentes das administrações dos principais bancos portugueses: “meus senhores, a ganância tem limites. Os bancos a que vossas excelências presidem estão a financiar-se junto do BCE a 1 por cento e estão a vender essa liquidez ao Estado português a 8 e 9 por cento em troca de títulos de dívida que não valem um caracol.” Sim, vamos admitir que um nomeado pelo Governo, pago por todos nós, foi capaz de prestar os mesmos serviços de pressão sobre os juros que as agências de notação financeira estão a prestar ao empobrecimento da Nação e ao enriquecimento da banca da Nação. Esqueçamos que o Governo da Nação se pôs de acordo com os seus sócios na AR para juntos lhes oferecerem mais de 5 mil milhões do nosso dinheiro.E vamos fazer de conta que ontem o seu patrão Sócrates não sabia de nada disto quando usou o seu tempo de antena para se referir ao pedido de ajuda externa como um cenário remoto.
Vamos fazer de conta que S. Bagão e restantes apóstolos do Conselho de Estado não sabiam que esta semana ocorreria uma conjugação de esforços para encurralar o país e forçar o pedido de ajuda externa. Façamos também de conta que a redução do número de deputados defendida por Pedro Passos Coelho não visa a perpetuação no poder nem é apenas uma gota no oceano que jorra dos cofres públicos para os bolsos destes senhores.
E vamos fazer de conta que toda esta gente não está a esfregar as mãos de contente por poder finalmente pôr em prática uma agenda de desmantelamento de serviços públicos e retirada de direitos sociais e laborais capaz de proporcionar novos recordes na velocidade e no volume dos enriquecimentos de toda a companhia dos farsantes.
Estes são os grandes patriotas das maiorias absolutas milagrosas das televisões e dos jornais. Vamos todos fazer de conta que eles trabalham para o bem comum. Mas só até dia 5 de Junho. Senão, eles vão convencer-se que não estávamos a fazer de conta.
(editado)
Descalço ia para a fonte, Passos pela verdura... ai!
Observa-se que os três períodos com maiores contributos para o aumento do peso da despesa pública no PIB foram os da Aliança Democrática (+4,4), os governos de Cavaco Silva (+4,3) e os governos PSD-CDS (+3,4). Em conjunto, estes três períodos governativos deram um contributo acumulado de crescimento de 12,1 pontos percentuais do total de 16,3 p.p. de aumento do peso da despesa pública verificado nas últimas três décadas. O contributo líquido dado pelos governos liderados pelo PS foi muito menor - apenas 4,2 pontos percentuais (2,2 +3,0 +0,8 -1,8 = 4,2), cerca de ¼ do total. (Jornal de Negócios)
