Sábado, 30 de Abril de 2011

Excelente entrevista




Quem não queira ver os que nunca pagaram a pagar a crise, quem não queira deixar de ver quem cobra juros astronómicos aos contribuintes a deixar de contar com o enriquecimento proporcionado por negócios firmados com Governos por si capturados, quem não queira uma diferenciação, de uma vez por todas, entre o que é dívida pública e o que são dívidas dos privados, essencial para que cada um de nós não seja posto a pagar o que não gastou, quem não queira ver justiça na economia e uma política económica orientada para a criação de emprego e para as pessoas, quem não queira ver os recursos que são de todos a gerar riqueza para todos e quem queira que Portugal seja transformado numa colónia de um império opaco há-de ter-se decepcionado com a entrevista de ontem de Francisco Louçã. Foi uma excelente entrevista. A agressividade dos entrevistadores foi a habitual.

Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Animais em vias de extensão: o SMSopitecus, o chatopitecus e facebookopitecus

Mário Vargas Llosa, sobre a escrita dos jovens nos chats e nas redes sociais: “Se escreves assim, é porque falas assim; se falas assim, é porque pensas assim, e se pensas assim, pensas como um macaco. E isso parece-me preocupante. Talvez as pessoas sejam mais felizes assim. Talvez os macacos sejam mais felizes que os seres humanos. Não sei”.

A democracia que não conte com a Justiça

O Tribunal Constitucional declarou hoje a inconstitucionalidade da revogação da avaliação do desempenho docente, cuja fiscalização preventiva tinha sido pedida pelo Presidente da República. Baixar salários continua sem reparos. A apreciação da inconstitucionalidade de um diploma parece que deixou de ser uma questão técnica para passar a ser uma questão de natureza política, quando, supostamente, os Tribunais pertencem a outro pilar, completamente independente, da nossa democracia.

Há quase uma semana que os telefones do Tribunal de Macedo de Cavaleiros servem apenas para receber chamadas. As facturas em atraso levaram a PT a cortar o serviço de telefone, causando constrangimentos ao normal funcionamento do tribunal. A Justiça paga mensalmente 1 milhão de euros de renda só pelo caixote de ratos de Lisboa e não tem dinheiro para pagar telefones. As custas judiciais astronómicas, que fazem dela um serviço de luxo apenas ao alcance dos mais afortunados, iriam resolver imensos problemas. Verifica-se que apenas servem para afastar os cidadãos. O buraco financeiro da Justiça ultrapassa os 300 milhões. E continua a crescer.

Activismos

O activista Diogo Leite Campos faz umas contas à maneira para explicar ao povo o que é uma verdadeira injustiça e aponta a razão pela qual ela é incompreendida pela inveja dos miseráveis. Obviamente que não me refiro nem aos que se enriquecem com a pompa dos casamentos entre príncipes e princesas, nem aos que se entusiasmam com a santificação de quem se auto-flagelava pela calada da noite. Esses, mais que compreender, veneram este mundo em que alguns têm o direito a ser ricos à custa da infinita elasticidade da sua compreensão. Os activistas da riqueza por direito e os activistas da pobreza militante trabalham cada um pela sua causa, mas também em conjunto, uns pela causa dos outros. O altruísmo é tão bonito.

PS. Acabo de ler mais sobre este activista e sobre a sua nobre causa aqui.

Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

Temos favorito

Um Benfica muito desgastado obteve uma vantagem tangencial, comprometedora, por 2-1 contra o Braga e um FC Porto fulgurante cilindrou, em casa, o Villareal por 5-1. A final portuguesa parece garantida mas, com este Benfica, duvido que não seja o Braga a ganhar a eliminatória. Seja lá qual for, qualquer das duas equipas que se defrontaram hoje na Luz, principalmente o Benfica, no momento actual, está mais para umas boas férias do que para erguer uma taça. Como dizia o outro, prognósticos, só no fim do jogo, e faltam dois. Mas temos favorito.

A ler

«(…) Seria justo que, ao lado de uma notícia que diz "Mercados consideram que o país está a um patamar do lixo", houvesse outra cuja manchete fosse: "Portugal tenta renegociar a dívida junto dos chulos". O problema é que os mercados, além de deterem o capital financeiro, detêm ainda o capital semântico. Tudo o que seja capital, eles açambarcam. Um insulto na boca dos credores é realismo económico, na boca dos devedores é primarismo ideológico. (…)». Vale a pena ler, “Os três porquinhos e o subprime mau.”

Contos de embalar, Ano XXXVII

Dezenas de entidades públicas assinaram nos últimos anos contratos por ajuste directo no valor global de cerca de 800 mil euros com empresas que ainda não tinham sido constituídas, revela o novo serviço online Despesa Pública. Aqui está mais um exemplo para mostrar para que servem os cortes salariais na Administração Pública, o processo em curso de desmantelamento de serviços públicos e demais austeridade selectiva. De vez em quando, lá aparece alguém nomeado nos mesmos moldes que o são os inimputáveis a quem nunca são pedidas contas do que fazem a exigir a sua responsabilização, mas tudo se fica por aí. É apenas a aflição pré-eleitoral a produzir contos de embalar. Resultam, há 37 anos. Não há sucessão de histórias cabeludas de má gestão e negócios ruinosos, com ou sem cheiro a corrupção, que não se apague com meia dúzia de lérias e duas semanas de bandeirinhas e concertos do Toni Carreira.

A cientificidade dos F*s

Um grupo de investigadores britânicos chegou à conclusão que a tendência para dizer palavrões em caso de dor não se trata de falta de educação mas sim de um alívio real. E eu que já tinha decidido logo à noite dizer “oh, que grande percalço!” de cada vez que o Roberto volte a escancarar o aviário.

Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

A receita que eles querem consensual

A “yield” da dívida grega avança 78,6 pontos base para 25,029 por cento, tendo já tocado o máximo histórico de 25,254 por cento, isto um ano depois da “ajuda” europeia e do FMI. Esta taxa representa um máximo desde que foi criada a Zona Euro. As receitas austeritárias do FMI resultam sempre. E Sócrates consegue compatibilizá-las com a defesa do Estado social. Ainda há homens honestos neste país.

74 anos depois






A pedido de Franco, durante três horas, os bombardeiros alemães da Legião Condor, dando corpo a uma aliança nazi-fascista internacional para liquidação da república Espanhola, bombardearam a cidade basca de Guernica, indefesa e desarmada. Quase dois mil dos seus sete mil habitantes foram mortos, cerca de 900 ficaram feridos e a cidade foi completamente arrasada. Foi há 74 anos.

Manifesto FMI a governar, de Janeiro a Janeiro

Foram três homens do Grupo Jerónimo Martins que tiveram a iniciativa, escreveram e lançaram o manifesto que defende um compromisso nacional entre o PR e “os principais partidos” para no imediato “assegurar a credibilidade externa” e que o futuro Governo seja apoiado por “uma maioria inequívoca”. A história lê-se aqui.

Se os votos se comprassem

Olhando para os orçamentos de campanha, o PS e o PSD serão os que gastam mais e o Bloco e o CDS os que gastam menos. O PS gastará 2,2 milhões na campanha eleitoral, 3,14 vezes mais do que o Bloco e o CDS (704 e 700 mil euros, respectivamente); o PSD gastará 1,9 milhões, 2,71 vezes mais do que cada um dos dois que gastam menos; e a CDU gastará 995 mil euros, 1,42 vezes o orçamento de campanha do Bloco e do CDS. Se o resultado eleitoral de cada partido fosse proporcional ao orçamento de campanha, o PS ganharia com 33,8%, seguido do PSD (29,2%), CDU (15,3%), Bloco de Esquerda (10,83%) e CDS (10,77%). A coligação FMI obteria 73,8 por cento do total. Se os votos se comprassem, o futuro estaria arrumado.

Os bombos da festa

Na última década, os funcionários públicos tiveram uma quebra no poder de compra de 17,14 pontos percentuais. Quem ganha 1600 euros brutos perde 274 euros. E por cada mil euros a mais que se receba acima deste valor o corte é de 170 euros, resultado dos congelamentos e cortes salariais somados à inflação. Valeram a pena as parcerias público-privadas, o BPN, o BPP, os submarinos e outros negócios "responsáveis" feitos com todo o "sentido de Estado". Abaixo os "poderosos interesses corporativos"!

Administração científica na Justiça: demagogia para ignorantes

É mais “uma revolução cultural para mudar mentalidades”. O embrulho modernaço é sempre o mesmo, embora a originalidade deixe muito a desejar. E o que vem lá dentro, quase invariavelmente, é asneira da grossa.


O “mais sociedade”, o tal grupo de pensadores do PSD transbordante de ideias novas para Portugal, propõe que o salário dos magistrados seja indexado ao número de processos despachados, com os factores de ponderação grau de complexidade de cada processo e número de recursos que contrariem uma sentença anterior.


Está-se mesmo a ver: contrata-se alguém embuído deste espírito “inovador” para contar os processos despachados por cada magistrado (uma empresa seria o mais indicado, as empresas têm a racionalidade no seu ADN), outra, ou a mesma, para avaliar a complexidade dos processos segundo um critério que até poderia ser o número de páginas (e punha-se alguém a contá-las) e só depois se contariam os recursos com sentença contrária a da instância anterior, 1, 4, 7, 12 anos depois. Simples!


Já agora, para assegurar que o “inovador” não sinta a experiência traumatizante de viajar até à inovação de há 100 anos, haveria que garantir que tal agente de progresso não conheça o trabalho de Taylor, em tudo idêntico à proposta “revolucionadora de mentalidades” da segunda década do século XXI, mas aplicado à indústria de então. Resta-nos apontar o mérito aos autores da proposta de terem ultrapassado o criador: nem Taylor se atreveria a propor a transformação de um sistema de Justiça numa linha de montagem. Se há coisa que não podemos apontar aos ideólogos do coelhismo é falta de arrojo. Produzem demagogia, da pura. E com intenso cheiro a bolor.

Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Os paladinos da revolução tunisina e a plasticidade dos tratados

França e Itália defendem uma “reforma” do Tratado de Schengen “em circunstâncias excepcionais” e pedem a Bruxelas que avalie a possibilidade de restabelecer temporariamente o controlo nas fronteiras. Berlusconi e Sarkozy encontraram-se nesta terça-feira em Roma para debater a questão da imigração.

A troika vai ouvir, vai

Com o propósito óbvio de explorar a recusa daqueles que se negaram a engrossar o grupo de palhaços que andaram empenhados em mostrar ao país que negociavam onde não se negociava coisa nenhuma, esta manhã, circulava para aí a notícia de que o MayDay Lisboa participaria em encenação semelhante e iria reunir-se com a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), a convite desta, tão interessada estaria em ouvir o movimento. A notícia é falsa, mas é mais do que certo que a troika irá ouvir este e muitos outros movimentos no 1º de Maio. Será um protesto a sério, sem a necessidade de enviarem qualquer convite.

Concordo

Passos Coelho, a propósito dos PEC I, II e III, que aprovou conjuntamente com o PS, e dos V, VI e seguintes, a aprovar pela mesma união de facto: a ideia de “fabricar em Portugal uma espécie de União Nacional é uma perversão”, mais ainda quando invocada no 25 de Abril. Eu concordo. Sócrates, não. Dá--lhe, dá-lhes, deu-lhes jeito.

Água e pão duro para a malandragem

Se bem percebi, votar PSD a 5 de Junho é também apoiar uma penalização na reforma a aplicar aos desempregados que não se disponham a continuar a descontar durante os períodos em que não tenham trabalho, é querer que o subsídio de desemprego diminua à medida que a situação de desemprego se prolongue no tempo e pedir que a limitação do período de cobertura do risco de ficar sem trabalho se reduza a 1 mês por cada ano de descontos. E chamar-lhe “mais sociedade”. Os desempregados são todos uns grandes malandros.


Actualização: votar PSD é ainda dar poder a quem quer “reformular” a administração pública, reduzir a taxa social única das empresas, aumentar o IVA, eliminar benefícios fiscais, actualizar os salários indexados a uma produtividade calculada à margem do crescimento dos lucros, taxar os serviços de saúde e de educação públicos segundo os rendimentos, cingir a politica de transportes de passes sociais aos mais pobres, privatizar serviços públicos, facilitar ao máximo os despedimentos e aumentar a idade de reforma para os 67 ou 70 anos.

Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

25 de Abril



Hoje, celebra-se a liberdade. Pelo menos para quem a valoriza e lhe dá uso, com ou sem cravo na lapela, o 25 de Abril é um dia de alegria. Mas é também o dia da esperança esbanjada por um povo que deixou e continua a deixar que, em muitos planos, a opressão regresse ao que foi antes daquele que poderia ter sido o tiro de partida para uma sociedade mais justa e um país de todos e para todos.



“uma na Bravo, outra na ditadura”, de André Valentim Almeida, é um documentário que aborda precisamente o tema dos sonhos desfeitos pelo desleixo de um povo incapaz que fez por desmerecer o legado de Abril. A futilidade, a moda do “a política é uma seca” e a ligeireza com que as gerações filhas daqueles que fizeram a revolução trataram o passado, está lá tudo.



Falta o pós-FMI e a incógnita sobre se se terão ou não perdido os genes que souberam dizer não à ditadura, à guerra colonial e a uma oligarquia que enriquecia à custa da pobreza de quem partilhava uma sardinha entre dez. Este 25 de Abril é especial. Essa oligarquia, que nunca deixou verdadeiramente de aí estar, volta à carga, em força, a exigir a reconquista em definitivo do direito a enriquecer empobrecendo. Ao mesmo tempo, em vez de colonizadores que querem deixar de negar o direito à auto-determinação das suas colónias, muito em breve, caberá aos portugueses decidirem se querem ou não que Portugal se transforme numa colónia de um império onde não terão voz, que fique à espera de outro 25 de Abril. Vem já a seguir. Umas no voto, outras na estupidez das cavalgaduras.



“Uma na Bravo, outra na ditadura” – PARTE I


“Uma na Bravo, outra na ditadura” – PARTE II


(Duplo click sobre o video para ecrã inteiro)



Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

Bom povo português

Olhando para a última sondagem, observamos que as soluções FMI reúnem 78.9 por cento das intenções de voto. Portugal corre o risco de se tornar uma monarquia islâmica ou o que quer que seja que a “troika” de lá mande fazer à troika de cá. Eles fazem. E 78,9 +por cento são mais do que suficientes para enterrar a Constituição da República Portuguesa, se essa for uma “reforma necessária”.

A esquerda LGBT

Leiria, essa bela localidade com o seu castelo altaneiro. É no círculo de Leiria, mesmo no centro de Portugal, que o PS inaugura um novo conceito de esquerda. Basílio Horta, o fundador do CDS, foi o escolhido para cabeça de lista. Virou. A vida tem destas coisas, a esquerda mora agora no seu coração. E como um gajo quando se vira pode sempre “desvirar-se”, lá está o Telmo do big brother para abrilhantar a lista e dar aquele toque de classe a esta nova esquerda. A esquerda LGBt é leviana, golpista, bimba e trapaceira. “É boá pá-trópá. Tócá butarê!” (1)


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(1) expressão utilizada em parolês de significado variável segundo o parolo que se deixe comer.

Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Finalmente, a ERC dá sinais de vida

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) quer tempo de antena igual em debates e entrevista para todos os candidatos às legislativas de 5 de Junho, numa altura em que as televisões já acordaram debates apenas com os partidos com assento parlamentar. Nada mau. Sem dúvida alguma, é uma excelente notícia para a democracia. Mas o equilíbrio, ainda assim, fica bem longe de ser uma garantia.



Desde logo, a capacidade de atenção de quem assista a um telejornal não é constante. Vai decrescendo e, como sabemos, o alinhamento das reportagens tem sempre a mesma ordem: primeiro PS ou PSD, que beneficiam ainda da percepção de um grau de importância que está implícito, e só depois os outros, quase sempre com peças de duração inferior. Haveria que assegurar que a ordem não seja sempre a mesma e que os tempos das reportagens se equiparem.



Depois, temos os “auxiliares de digestão” das mensagens de cada candidatura. Refiro-me, obviamente, aos comentadores de serviço, quase todos homens da situação que ganham a vida vendendo opiniões formatadas com a ideologia dominante, encostando-se o mais possível ao poder e trabalhando em coro na descredibilização de qualquer alternativa que surja fora do tom. Para que houvesse mais equilíbrio, haveria também que contrariar esta realidade.


Para já, temos apenas que a ERC finalmente deu sinais de vida. Mas nada garante. É notar que nada é dito sobre o que acontecerá a quem não cumpra com a recomendação. É esperar para ver.

Ler os outros - "A economia moral da dívida"

«Os portugueses vivem acima das suas possibilidades”. É uma proposição moralista vinda de quem gosta de dizer que a economia é amoral.



Em Portugal o saldo da conta corrente tem sido negativo, isto é, a balança de pagamentos é equilibrada com empréstimos contraídos no exterior pela banca, o estado e as grandes empresas públicas e privadas. Este saldo negativo acentuou-se desde a entrada no Euro. Portugal viveu a crédito e isso só é possível durante algum tempo. O moralista pergunta: quem é responsável? E responde: “Todos”.



Não, não somos todos responsáveis.



A história dos países periféricos da Europa reproduz em escala macro o drama do “subprime”. Um pobre endivida-se quando lhe oferecem crédito ao preço da chuva e acredita que poderá pagar porque a coisa que adquire com o dinheiro emprestado se está a valorizar e se irá continuar a valorizar no futuro. O dinheiro emprestado irá torná-lo mais rico e sendo rico pagará com facilidade. O usurário por acaso até sabe que o pobre irá explodir um dia e por isso mesmo passa a batata quente da dívida a outros pobres (e ricos) impingindo-lhes produtos “derivados” recheados de hipotecas duvidosas. Quem é responsável? O pobre ou o usurário?



Como é esta história na versão macro? Os bancos e outras instituições financeiras tendo em mãos recursos financeiros abundantes, cujos donos não querem, ou não podem, canalizar para a “esfera real”, emprestam-nos aos estados, aos bancos e às grandes empresas das economias deficitárias a juro baixo. Estas economias esperam crescer com o investimento privado e público e a expansão da procura interna. Essa era a promessa da convergência na UE. Crescendo poderão fazer face à divida. Os credores por acaso até sabem, ou suspeitam, que o crescimento não é garantido e que o processo de endividamento não se pode prolongar indefinidamente. Mas isso não lhes interessa nada porque no fundo acreditam que se a coisa não correr bem lá estarão as instituições internacionais para garantir que os Estados dos países endividados obrigam os pobres desses países a pagar a dívida privada e pública. Quem é responsável?» - José Castro Caldas, no Ladrões de Bicicletas.

Francisco Louçã, sobre a tal "negociação"

««Alguns dos comentários aqui publicados insistem neste apelo ao Bloco de Esquerda: por favor, vão depressa ter com o FMI e negociar com eles o pacote da intervenção externa. Representem-nos, dizem os mais aterrorizados, sejam amigos uns dos outros.


Venho aqui responder directamente a este apelo: representar quem nos elegeu e quem quer uma alternativa para o país começa por esse elemento mínimo de decência e de respeito pelas pessoas que é não as enganar. Exige a capacidade de alternativas e nunca promover uma fraude sem soluções.


Por isso, escrevo com toda a clareza: os partidos que fingem que estão a “negociar” estão a enganar os portugueses. É uma desonestidade e uma baixeza. E isso é lastimável e condenável, porque substitui a política séria por uma farsa para mesquinhos efeitos eleitorais. No momento mais difícil, esses partidos – o PSD e o CDS – estão a fugir à responsabilidade e a propor uma encenação.


Perguntemos-lhe por isso que “negociação” é esta que anunciam com fanfarra.


Tiveram uma reunião. Vão ter mais alguma? Não.


Sabe-se o que propuseram? Não.


Sabe-se o que o FMI respondeu? Nada, presume-se: tomaram nota e despediram-se educadamente.


Esperam alguma resposta? Não.


Vão fazer novas propostas, procurar entendimentos? Não.


Há então três negociações paralelas em curso, uma de Sócrates, outra de Passos Coelho, outra de Portas? Cada uma dela com resultados, com um contrato final, com um acordo, com conclusões? Não há.


A negociação não existe nem podia existir.


Chamam a isto “sentido de Estado”, falando de si próprios. É simplesmente uma aldrabice. Esqueceram-se todos do mais importante: há eleições e é a democracia que vai decidir: ou aceitar o governo FMI e portanto desistir do país, ou levantar o povo por uma economia em que todos pagam o que devem. É no dia 5 de Junho que se decide, não é nesta operação de chantagem.




E a pergunta essencial é esta: havia alguma coisa para negociar entre cada partido e o FMI com a Comissão Europeia?»



Continuar a ler.

Terça-feira, 19 de Abril de 2011

Todos de mãos dadas para o buraco

O consenso anda no ar. Ouve-se, lê-se, até se consegue cheirá-lo. Parece que é como se dependesse de darmos todos as mãos pela amada Pátria. De os partidos se unirem em torno de uma saída política que será boa para todos. É como se as políticas pudessem ser neutras, como se fosse possível haver políticas sem haver beneficiados e prejudicados, como se houvesse uma fórmula universal para uma riqueza e para uma felicidade que vai sorrir a todos. É como se tivéssemos todos andado a viver em pecado, como se agora tivesse chegado a divindade castigadora para cobrá-los com juros a quem ouse cair na tentação de negar qualquer culpa e como se do seu pagamento, com ou sem juros, fosse resultar o direito ao lugar ao lado do Pai todo-poderoso.




Os turistas portugueses ocupam o quarto lugar no ranking das despesas realizadas com alojamento no estrangeiro, mas são dos que menos gastam quando fazem férias em Portugal. É como se o turismo fosse pecado, como se fossemos todos turistas, como se todos fizéssemos férias, como se os que têm dinheiro para fazer férias no estrangeiro fossem os mesmos que fazem férias em Portugal e como se tivéssemos todos que pagar com uma redistribuição do rendimento ainda mais desigual a pobreza que há muito proíbe férias à grande maioria.




As confederações patronais exigem à troika salvadora que os ajude a rasgar o acordo que firmaram de subida do salário mínimo para 500 euros. É como se o futuro do país dependesse de um enriquecimento feito à custa da fome de quem, apesar de trabalhar no duro, se vê cada vez mais agarrado à miséria.




A austeridade vai ter que continuar, mas não pode ser para as pessoas e sim para o Estado, que precisa de emagrecer. Temos que apostar na economia e no emprego”. É como se despedimentos mais fáceis não afectassem a vida das pessoas, como se o Estado não tivesse já emagrecido nas prestações sociais de quem mais dele precisa, como se a austeridade não tivesse levado salários a nenhum funcionário público, como se este poder de compra não tivesse reflexos na economia e no emprego, como se o Estado não fossem também pessoas e como se o desmantelamento de serviços públicos não afectasse a vida de ninguém.




Lamento muito a atitude da liderança do PSD que, em vez de se concentrar na defesa dos interesses do país, parece que continua com uma orientação que apenas tem como objectivo os seu interesses eleitorais mais próximos”, diz alguém, como se há muito não estivesse a fazer precisamente o mesmo.




Há partidos que se dispõem a participar em simulacros de negociações onde não se negoceia coisa nenhuma. Outros negam-se a fazê-lo. Mas é como se ser “responsável” se resumisse à arte de bem representar, como se não houvesse caminhos alternativos, como se os portugueses não tivessem o direito de conhecê-los tão bem como os da austeridade, como se estivesse tudo já resolvido antes das eleições, como se as experiências grega e irlandesa não bastassem para comprovar o erro, como se estivéssemos agora melhor se a "ajuda" externa tivesse sido pedida mais cedo, como se as políticas do FMI tivessem um único caso de êxito a assinalar.




Tantos “é como se”. Dou comigo para aqui a escrever sem parar, como se a maioria não estivesse já enredada neste jogo do “é como se”. Se PS, PSD e CDS não tiverem pelo menos 80 por cento dos votos nas próximas eleições, é como se o sol deixasse de nascer, as plantas se enterrassem em vez de crescerem e os rios e o mar evaporassem de uma só vez. O consenso anda no ar. Vamos todos de mão dada para o buraco. É como se fosse preciso ir ainda mais ao fundo para que se torne mais fácil sair dele. Mas a saída é do outro lado.

Menos de dois submarinos

Os hospitais devem à indústria farmacêutica mais de mil milhões de euros e os prazos médios de pagamento são superiores a um ano quando deviam ser de um máximo de três meses, revelou a associação do sector. Menos do que dois submarinos muito bem negociados.

Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Sempre a jogar em casa: FMI, sim 285 - FMI, não 180

Calendário dos debates televisivos





6 Maio: FMI, sim –FMI, não (45 mins)



9 Maio: FMI, sim – FMI, sim (45 mins)



10 Maio FMI, sim – FMI, não (45 mins)



11 Maio: FMI, sim – FMI, não (45 mins)



12 Maio: FMI, não – FMI, não (45 mins)



13 Maio: FMI, sim – FMI, sim (45 mins)



16 Maio: FMI, sim – FMI, não (45 mins)



17 Maio: FMI, sim – FMI, não (45 mins)



19 Maio: FMI, sim – FMI, não (45 mins)



20 Maio: FMI, sim – FMI, sim (1 hora)





FMI, sim: 285 minutos



FMI, não: 180 minutos



Diferenças: 105 minutos + o FMI joga sempre em casa.



É esticar até partir

A ministra da Economia francesa, Christine Lagarde, considerou hoje que seria “catastrófico” reestruturar as dívidas públicas da Grécia, Irlanda e Portugal, porque mostraria que estes países têm problemas para se financiarem nos mercados. Catastrófico para quem? Não o disse, mas com toda a certeza que não para Portugal, Grécia Irlanda. Faltava Espanha. Esta manhã, a especulação decidiu atacar de novo. Com as três anteriores vítimas entregues à terapia do choque, a Espanha é a próxima vítima da ditadura dos mercados aplicada pelo directório europeu. A crise chegou para fazer fortunas e para impor a agenda liberal de “reformas necessárias” para maximizar este enriquecimento. É esticar até partir.

Comovente prova de humildade

Depois do desconforto gerado pela sua tentativa de transformação das legislativas de Junho no círculo de Lisboa numa espécie de eleição do Presidente da Assembleia da República, Fernando Nobre recuou na decisão de renunciar ao cargo de deputado caso não fosse escolhido para presidir ao Parlamento. Em entrevista à RTP1, ontem à noite, Nobre, cabeça de lista do PSD por Lisboa, admitiu ter afirmado que recusaria ficar no Parlamento apenas como deputado, argumentando que essa renúncia “demonstra desapego completo a qualquer cargo de poder”. “Nunca quis ser deputado e Presidente da Assembleia da República. Eu só quis ser uma coisa: Presidente da República”, afirmou, sublinhando que, nas conversas com Pedro Passos Coelho, não impôs quaisquer condições. Que bonita e sincera prova de humildade. Este novíssimo “desapego ao poder” de Fernando Nobre, contou-nos o Capuchinho Vermelho, passa agora pela total disponibilidade manifestada a Pedro Passos Coelho de, caso este assim o entenda, vir a ocupar aquele lugar que todos os deputados de todos os partidos tentam evitar a qualquer custo: ao lado do desapegado do alheio larápio-deputado dos gravadores. Nobre já está por tudo.

Gostei de ler - "A gente bem precisa"

Hotel Tivoli? Daqui, do aeroporto, é um tiro... Então o amigo é o camone que vem mandar nisto? A gente bem precisa. Uma cambada de gatunos, sabe? E não é só estes que caíram agora. É tudo igual, querem é tacho. Tá a ver o que é? Tacho, pilim, dólares. Ainda bem que vossemecê vem cá dizer alto e pára o baile... O nome da ponte? Vasco da Gama. A gente chega ao outro lado, vira à direita, outra ponte, e estamos no hotel. Mas, como eu tava a dizer, isto precisa é de um gajo com pulso. Já tivemos um FMI, sabe? Chamava-se Salazar. Nessa altura não era esta pouca-vergonha, todos a mamar. E havia respeito... Ouvi na rádio que amanhã o amigo já está no Ministério a bombar. Se chega cedo, arrisca-se a não encontrar ninguém. É uma corja que não quer fazer nenhum. Se fosse comigo era tudo prà rua. Gente nova é qu'a gente precisa. O meu filho, por exemplo, não é por ser meu filho, mas ele andou em Relações Internacionais e eu gostava de o encaixar. A si dava-lhe um jeitaço, ele sabe inglês e tudo, passa os dias a ver filmes. A minha mais velha também precisa de emprego, tirou Psicologia, mas vou ser sincero consigo: em Junho ela tem as férias marcadas em Punta Cana, com o namorado. Se me deixar o contacto depois ela fala consigo, ai fala, fala, que sou eu que lhe pago as prestações do carro... Bom, cá estamos. Um tirinho, como lhe disse. O quê, factura? Oh diabo, esgotaram-se-me há bocadinho. (daqui)

Sábado, 16 de Abril de 2011

Orelhas de Burro

Craft Spells - "Sun Trails"


Craft Spells - "After the Moment"

Marinho no país das maravilhas

Todos os dias tropeçamos num daqueles iluminados que descobriram que o mundo mudaria para melhor se ninguém votasse. E cá está mais um. O visionário do dia é Marinho Pinto. Utiliza os ideais da mestre Manuela de suspensão da democracia para aperfeiçoá-la num apelo a uma abstenção maciça nas próximas eleições.


A ideia é pôr os outros a escolher por nós os 230 que serão sempre 230, independentemente do número de votos que os eleja. A proposta é sujeitarmo-nos à lotaria dessa escolha, em vez de participarmos nela e sermos nós próprios a escolher também. Confiar na sorte. A participação cívica de Marinho Pinto diz-nos que confiemos na sorte.


Tudo para expor os eleitos à vergonha de uma eleição com poucos votos. Basta esquecer as últimas presidenciais, em que Cavaco foi eleito com pouco mais de 25 por cento. Marinho pede-nos que descubramos a vergonha de Cavaco ou de outro qualquer que nunca mais tenha sido visto fora de casa, tal a vergonha de ter sido eleito com poucos votos.


Finalmente, subjacente a este caminho para o mundo perfeito, há uma suposta pressão que a abstenção tem sobre os políticos no sentido de torná-los melhores. Só com políticos melhores teremos um país melhor. Ora, como é conhecido, desde que há democracia e há eleições que a abstenção foi sempre aumentando. A ser como aponta o visionário do dia, já estaremos no paraíso e não sabemos. Marinho convida os portugueses a descobrirem um país das maravilhas que se esconde na república da resignação.

Em Lisboa, diz alguém, vota-se para Presidente da AR


Fernando Nobre revela este sábado ao “Expresso” que se não “for eleito presidente da Assembleia da Republica” renuncia “imediatamente ao cargo” de deputado para o qual é proposto enquanto cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Lisboa.

Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

®M12M

Para todos aqueles que temiam ou que acreditavam que o protesto “Geração à Rasca”, que encheu no passado mês várias ruas do país, tinha os dias contados e morreria por si próprio, chegou uma resposta: os criadores do protesto acabam de fundar o “Movimento 12 de Março – M12M”.

Depois do FMI

Veio o FMI, pôs tudo na ordem e foram muito felizes. Esta é uma versão que anda a circular por aí. Para os indecisos e para aqueles que optaram por acreditar que será assim, fica esta: a agência de notação Moody’s baixou hoje em dois níveis a classificação da Irlanda.


Como sabemos, a Irlanda foi intervencionada pelo FMI, que desde logo aumentou brutalmente a dose de austeridade que já era imposta aos irlandeses. Quase de imediato, a actividade económica quebrou e o desemprego disparou. A notícia mostra como nem sequer o festival de especulação dado pelas agências de rating desapareceu de cena. Mesmo depois da entrada do FMI na Irlanda, O ataque dos especuladores continua a gerar uma bola de neve de juros sobre juros que sobem pela pressão destas agências detidas por fundos que beneficiam com a rendibilidade gerada pelas suas participadas.


E a vítima seguinte foi Portugal. Os portugueses preparam-se para passar pelo mesmo que irlandeses e gregos, mas agora com uma agravante adicional: a inflação está a aumentar na zona euro e o BCE dá sinais de querer responder aumentando a sua taxa de juro de referência. Reflexos imediatos: o investimento e o financiamento das empresas vão ficar mais caros e a apreciação do euro, que resultará da opção do BCE, fará com que as exportações fiquem mais caras, logo, menos competitivas. É tudo a ajudar.


Com certeza que ninguém estará à espera que PS ou PSD batam o pé e exijam uma inversão nesta marcha. Farão o que sempre fizeram, curvarem-se diante dos eurocratas e inventarem novos sacrifícios a impor a quem é mais fraco, com umas encenações pelo meio. Subserviência para cima, teatro e insensibilidade despótica para baixo. Isto só pode mudar com o poder em boas mãos. Noutras, limpas.

Passos Coelho em silêncio (eles não querem uma campanha de "casos")

A 5 de Abril de 2001, Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, contraiu um empréstimo de 3,5 milhões de euros junto do Banco Português de Negócios (BPN) para adquirir o offshore EMKA, sendo que não devolveu esta quantia até à data. Cerca de 3 milhões foram efectivamente utilizados na aquisição do offshore, sendo que os restantes 500 mil euros foram transferidos para a conta da EMKA no BPM Cayman e, posteriormente, foram levantados por Duarte Lima. Segundo fonte próxima da administração do BPN citada pelo jornal Sol, “os três milhões e meio de euros ainda se encontram em dívida”, sendo que, “estranhamente, ainda nada foi feito para accionar o pagamento desta quantia, que faz parte do buraco financeiro que todos nós estamos a pagar”.


Nota: 3,5 milhões actualizados a uma taxa média de 5 por cento em 10 anos dá cerca de 5,7 milhões de euros, uma estimativa por baixo do valor actualizado do calote deste senhor, que nos é oferecido pagar.

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Bem vistas as coisas, isto tudo não passa de uma faca de dois legumes

O Benfica vai a Braga e o Braga vai a Lisboa nas meias finais da Liga Europa. São duas viagens para o estrangeiro que se poupam. Cada um fez o que lhe competia no esforço nacional de contenção que nos é imposto-recomendado. Estarão, portanto, mais do que explicadas a subida de rating e a consequente descida de juros da dívida portuguesa que, sem margem para dúvidas, ocorrerão amanhã. Sim, que não me acredito que os mercados não estejam atentos ao feito e não saibam recompensá-lo, ainda mais agora que no Estádio da Luz começou um rigoroso plano de poupança de energia. Poupa-se, logo, é bom para o país.


Bem sei que esta conversa dos mercados e da poupança remelosa é uma faca de dois legumes, mas não custa nada fazer um esforço para ajudar o país. Se roubarmos um legume à faca, podemos esquecer que a TAP vai poupar em bilhetes vendidos e em pessoal, os restaurantes em comida e em pessoal, os bares em bebida e em pessoal, os hotéis em dormidas e em pessoal, só para dar três exemplos, e já estou a poupar um, se repararem bem. É bom nem mencionar mais nenhum, o país está bem lançado num consenso alargado em redor das receitas poupadinhas dos mágicos do FMI, é proibido destoar. Temos todos que acreditar com muita força que vão tirar o país da crise. Quando ficarmos todos em casa sem o trabalho gerado pelos gastadores da Nação, também havemos de fartar-nos de poupar. Ninguém vai dar conta que andaram a cortar os legumes à má fila a toda a gente. Estava tudo a dormir.

Esta espécie de política

A REFER anuncia que vai despedir 500 trabalhadores em dois anos, mas nada diz sobre a manutenção dos modelos de recrutamento partidário e remuneração e demais mordomias dos seus administradores. Pedro Passos Coelho diz que quer os encargos das parcerias público privadas a contar para o défice, mas nada diz sobre a sua renegociação . O mesmo PPC fala em “défice tarifário” que há que pagar, mas nada diz sobre os preços e crescimento dos lucros do sector da energia, dos mais elevados de todo o mundo. Os juros da dívida pública portuguesa continuam a bater recordes, mas PS e PSD continuam apostados na estratégia comprovadamente fracassada de “acalmar” o Deus dos mercados sacrificando mais ovelhas do rebanho, sem querer falar sequer na renegociação da dívida, fazer o uso devido ao banco público ou dar outra abordagem à integração europeia que não a de pobrezinho agradecido. O mesmo clientelismo, o mesmo rentismo, a mesma subserviência e a mesma austeridade selectiva.


Será para manter os factores que a foram cavando e para prolongar a sucessão de estratégias erradas que precipitaram toda a crise que necessitamos de uma “maioria alargada” capaz de reunir “consensos”? Esta seria a questão que ocuparia um debate político que se quisesse minimamente útil na formulação de escolhas. Na sua vez, servem-nos a disputa da paternidade e da maternidade da crise. O PS diz que o PSD é o pai. O PSD diz que o PS é a mãe. A órfã é que não quer saber da disputa. Cresce a olhos vistos. Que linda que está.


Nota: se achar que o PS é o pai, ligue 67020111. Se achar que o PSD é a mãe, ligue 67020112. Promoção válida apenas no dia 5 de Junho. Concurso restrito a assalariados e reformados que aceitem sacrificar-se para que tudo fique cada vez mais na mesma.

Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Eles são a torcida independente: "está tudo cercado, não tem para onde correr!"


Consenso alargado, mais austeridade, "maiorias necessárias ", mais austeridade, mais desemprego, mais austeridade, mais privatizações, ainda e sempre mais austeridade. E “mau ambiente entre Governo e PSD”. Nada que ver com as “reformas necessárias”. Salários mais baixos, mais facilidade para ser despedido, mais desemprego, menos e piores serviços públicos e protecção social. Em tudo isto – e saberão eles no que mais – há acordo absoluto e nada os incomoda. A rota está traçada. Obedecer ao FMI, à Sra. Merkel e ao Sr. Salgado. O mau ambiente deve-se unicamente a uma restrição: há apenas uma vaga para dois candidatos a passar 4 anos a dar cabo do que falta desmantelar e a dizer umas quantas larachas sobre patriotismo de cada vez que a Nação necessite ouvir aquela palavra de alento. Não podemos baixar os braços, temos que reerguer Portugal. "Está tudo cercado,não há para onde correr".Vídeo recuperado daqui.

Magistratura com influência

Respondendo a perguntas dos juízes do julgamento no caso do Banco Português de Negócios (BPN), Paulo Jorge Silva, inspector fiscal que colaborou com a Polícia Judiciária no âmbito deste caso e que é testemunha do Ministério Público, disse “não ter explicação” para o facto de o principal arguido, José Oliveira Costa, ter perdido 1,10 euros em cada acção que vendeu a Aníbal Cavaco Silva e à filha do actual Presidente da República, Patrícia Cavaco Silva Montez.

Nunca visto em animais rastejantes



Áté os burros sabem dizer BASTA!

Terça-feira, 12 de Abril de 2011

Outra vez o Querido líder, sempre ela

Dentro de momentos, Ricardo Salgado vai dar a segunda entrevista em pouco mais de uma semana à televisão pública. O tempo de antena da primeira não chegou para tudo. Faltavam os mimos da Fátima Campos Ferreira. Quem tenha dúvidas onde está o lado mais forte, não tem como perder-se. Ela nunca se perde.

E se não comes, levas com a Tazer

A partir de agora, qualquer preso que queira iniciar uma greve de fome tem de declarar essa intenção por escrito e esperar que a sua pretensão seja confirmada por um funcionário do respectivo estabelecimento prisional. Este, por sua vez, tem de passar ao papel as razões que levam a o recluso a privar-se dos alimentos.

O outro caminho

“O problema de liquidez dos últimos dias podia ter sido resolvido se a Caixa Geral de Depósitos tivesse pedido um empréstimo de urgência ao BCE, como antes fez a banca privada”. Mas agora, com o mal feito, Louçã propõe atacar as PPP, até porque elas representam hoje “um pacote do mesmo tamanho que o do FMI, quase 60 mil milhões de euros, mas para os próximos 40 anos e com juros maiores”. E cobrar impostos à banca, cujas dificuldades desvaloriza: “Se está descapitalizada é porque os seus accionistas distribuíram dividendos e não recapitalizaram a sua própria empresa, como deviam ter feito”.

Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

Os patriotismos não são todos iguais

Um grupo de economistas – constituído por José Reis, José Manuel Pureza, Manuel Brandão e Maria Manuela Silva – entregou hoje ao Procurador-Geral da República uma queixa contra as agências de rating, com vista a abertura de um inquérito pelo crime de manipulação do mercado (…) [com vista a] apurar “a prática dos actos abusivos que são imputados” às três agências de rating, “a existência de graves prejuízos produzidos nos interesses do Estado e do povo português” e a “identificação dos quadros directivos das ditas agências e os autores” desses actos abusivos.(…)


Na base da queixa estão várias críticas que põem em causa a actuação das agências de rating e a imparcialidade com que avaliam a situação dos países. Os economistas consideram, nomeadamente, que há uma questão de falta de concorrência e abuso de posição dominante no sector, visto que “estas três agências de rating representam mais de 90 por cento do mercado”. A isso junta-se a possibilidade de conflitos de interesse, visto que “duas destas agências têm, na sua estrutura accionista, um mesmo fundo de investimento, sendo que as suas decisões têm efeito directo na retribuição que os fundos de investimento obtêm”, adianta o professor José Reis.


Os economistas consideram ainda que as agências podem incorrer no crime de inside trading (informação privilegiada), além de porem em causa a “racionalidade” do quadro económico que está por detrás das constantes revisões em baixa dos ratings, nomeadamente de Portugal.


Retirado daqui. Por casualíssima distracção, em nenhuma parte do texto se lê que José Manuel Pureza é o líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda e encabeça a lista por Coimbra nas próximas eleições.

Os momentos altos do Congresso




Sem cunhas, o nosso homem não ia lá.

Apouca lipes nau

O populismo juntou-os para os separar mais adiante. Enquanto a separação não acontece, há uma dúvida que varre o país: será que foi Nobre que cedeu à tentação de poder presidir à Assembleia que disse ter demasiados deputados imprestáveis ou será apenas uma nova fase apolítica e supra-partidária do PSD? Insttala-se a algazarra. No meio da multidão, uma velhinha desdentada, amarrotando uma receita fora de prazo contra o xaile negro, diz qualquer coisa sobre uns filhos não sei de quem que não voltam a enganá-la. "Ao pote, vamos ao pote, todos ao pote", gritam três operários cerâmicos atrasados para o trabalho. O pote já voava pelos ares quando, de dentro de uma taberna ranhosa, se ouve uma voz abagaçada a dizer: "majólha cu pêiésse tamãi ucria, óbistech". E viveram muito felizes.


A candidatura de Fernando Nobre às legislativas de 5 de Junho, pelas listas do PSD, motivaram muitas críticas ao presidente da AMI no Facebook. A página criada para a corrida a Belém estava a ser inundada, desde ontem, com mensagens de seguidores desiludidos. Até hoje à tarde, quando desapareceu.Puf!


FIM


(actualizado ao minuto)


Um minuto pelas vítimas da grande manjedoura

Começo a semana cheio de pena duns fornecedores do Estado e de empresas públicas que se queixam de receber tarde e a más horas. Primeiro, é uma trabalheira conseguir um “conhecimento” que informe que há negócio. Em seguida, há que conseguir alguém que mexa os pauzinhos para que não seja outra a empresa escolhida para o ajuste directo. Depois, é uma maçada fazer acrescentos ao preço de forma a precaver atrasos de 20 ou 30 anos no pagamento das facturas. Finalmente, é uma chatice quando não se recebe a menos de 30 dias. Há vidas bem duras.

(editado)

Domingo, 10 de Abril de 2011

Pornografia

Quando, em política, ouço políticos a dizerem-se apolíticos, a encabeçarem candidaturas auto-intituladas de “cidadãs” e que tresandam a inconsistência e incoerência de ideias, estremeço e desconfio. Um dos últimos que por aí se passearam é um bom exemplo do cuidado a ter com esta sub-espécie de farsolas. Poucos meses depois de perder as presidenciais, Fernando Nobre despe-se diante dos ingénuos que lhe confiaram o voto. Para trás ficam as vestes de cordeiro humanista. É a hora de ser carrasco, empunhar o chicote do FMI e pôr-se ao serviço do PSD. Uma decisão difícil, longamente ponderada e tomada em nome da Pátria. O costume.


Fernando Nobre, presidente da AMI, será o cabeça-de-lista por Lisboa do PSD e será indigitado presidente da Assembleia da República se o partido ganhar as eleições.

E se Portugal reeditasse a revolução islandesa?

"Quanto maior for o desentendimento [em Portugal], mais rigorosos seremos na exigência de um compromisso firme entre os diferentes partidos para a aplicação rigorosa do programa" de ajustamento económico”. A ameaça saiu da boca de um eurocrata no final de uma reunião de dois dias dos ministros das finanças da União Europeia na qual, no maior secretismo, o Governo português foi negociar, entre outros, os nossos empregos, os nossos salários, os nossos direitos laborais e os nossos serviços públicos a troco da “ajuda” económica exigida pelo sector financeiro.


A pressão aumenta para que PS, PSD e CDS se ponham de acordo em suspender a nossa democracia pelos breves momentos que demoraria à legitimidade democrática que não têm assinar a capitulação ao cardápio de malvadezes que este poder não eleito nos quer impor. Trabalha-se para antecipar uma decisão que apenas a legitimidade que é dos portugueses pode tomar, pelo voto, em eleições que, entre ameaças, se esforçam para esvaziar de quaisquer consequências práticas. E entende-se por quê.


A contestação anda à solta na Europa. Meio milhão contra a austeridade em Londres, 200 mil "à rasca" em Lisboa e 80 mil no Porto, 50 mil a exigir uma Europa social em Budapeste, dezenas de milhar a reclamar o direito a um futuro em Espanha e em Itália, mais umas quantas dezenas de milhar contra o “pacto pro-euro” em Bruxelas. Mais pacíficas ou mais violentas, houve e haverá cada vez mais manifestações de desagrado. Mas há uma ameaça ainda mais terrível a fazer tremer as cadeiras dos eurocratas.


Refiro-me ao exemplo islandês, claro. Nada pior para um autocrata do que um protesto consequente e levado até ao fim. O seu maior pesadelo, as revoluções que também se fazem com votos, como vimos e como eles também viram. E voltaram a ver ontem. É que os islandeses bateram novamente o pé a uma solução que comprometeria irremediavelmente o seu futuro e votaram maioritariamente a rejeição da nacionalização dos custos da delinquência banqueira pela segunda vez.


É esta centelha de esperança que querem apagar. É esta reacção o que o directório europeu tenta a todo o custo evitar que alastre e aconteça pela primeira vez em Portugal. Há que decidir tudo antes de 5 de Junho e limitar as escolhas que os portugueses façam nesse dia à cor das gravatas dos candidatos e ao timbre da sua voz. Daí a ameaça reiterada. E daí o secretismo que envolve as negociações. A prioridade é evitar uma derrota nas urnas que poria tudo em causa e seria o rastilho de uma mudança que temem: a Europa devolvida aos cidadãos. Acontecerá, mais cedo ou mais tarde, com ou sem violência, dependendo do que a irresponsabilidade decida arriscar. Oxalá me engane, palpita-me que o processo será tudo menos pacífico.

Sábado, 9 de Abril de 2011

Até aqui chegámos

A culpa da crise é do PSD, Sócrates é o maior, Passos Coelho é que é um grande mentiroso e os partidos à esquerda não prestam. Cavaco devia era dar umas palmadas em Teixeira dos Santos. Parece uma troca de bocas infantis entre putos de 5 anos com pouca imaginação, mas não é. Eles chamam-lhe e estarão convencidos de que isto é política. A imprensa não vê nada de estranho na cena e chama aos dois grupos de garotos os partidos do “arco governativo”. Não encontro palavra melhor. Estamos bem fodidos, é o que é.

E ainda há quem diga que os políticos são todos iguais





A emenda 3 ao “relatório Fernandes” (proposta por Miguel Portas, deputado do Bloco de Esquerda, em nome do grupo Esquerda Unitária Europeia, que defendia a alteração dos critérios de viagem de modo a que as deslocações aéreas inferiores a quatro horas fossem feitas em classe económica) acabou rejeitada pela maioria dos membros do Parlamento Europeu (por 402 votos contra, 216 a favor e 56 abstenções).


Há 22 eurodeputados portugueses. Nove votaram a favor da emenda 3. Ou seja, estiveram ontem a favor do fim (com ressalvas) das viagens em primeira classe para deslocações inferiores a quatro horas. A saber: os três deputados do Bloco de Esquerda (Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares), os dois deputados da CDU (Ilda Figueiredo e João Ferreira) e quatro eurodeputados do PS (Luís Paulo Alves, Elisa Ferreira, Ana Gomes e Vital Moreira).


Contra esta emenda, ou seja, a favor da continuação das regalias de voos em executiva, estiveram sete eurodeputados sociais-democratas e dois eurodeputados socialistas. Do lado do PSD votaram contra os seguintes deputados: José Manuel Fernandes (o relator), Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira. Do lado do PS, votaram contra os socialistas Luís Manuel Capoulas Santos e António Fernando Correia de Campos.


A social-democrata Maria da Graça Carvalho não votou. Os dois eurodeputados do CDS-PP, Nuno Melo e Diogo Feio, também faltaram à votação. (Público)

Orelhas de Burro

A Caruma – “Nossa Senhora do SIS”

O manifesto da geração junk à rasca

Clamam por "uma maioria inequívoca” composta pelos “principais partidos”. Traduzido por miúdos, o manifesto que 47 famosos conseguiram, com suor e lágrimas, fazer chegar à estampa do Expresso, mais não é do que a exigência dos amigos de uma geração à rasca unida em todo da reivindicação de estabilidade dos seus vínculos laborais, que querem prolongar até à eternidade. É bonito. Mas adivinham-se dificuldades. Remediados & poor têm-nos referenciados como junk da República. Reflexo dos serviços prestados à Nação, sente-se a pressão dos mercados de Norte a Sul. Por toda a parte, reina uma nervoseira incontida suscitada pelo downgrade da maioria dos postos de venda do país para “galerias de exposição de artigos de consumo frequentadas quase exclusivamente por tesos e moscas”. A geração junk tem justa causa e mil razões inequivocamente atendíveis para fazerem o favor devido.

(editado)

Justa causa ( razões atendíveis) para despedimento

Para obter os fundos de Bruxelas, Portugal, em sintonia com o BCE, Comissão Europeia e FMI, terá de apresentar um plano de ajustamento para equilibrar as contas públicas, com medidas de austeridade.


O PEC IV é o ponto de partida das negociações, mas o programa terá de ir mais longe. De acordo com Olli Rehn, o pacote vai incluir um "ambicioso programa de privatizações" e um ajustamento orçamental igualmente "ambicioso". Além disso, vai implicar a execução de reformas para flexibilizar o mercado do trabalho e produtor. Serão ainda adoptadas medidas para manter a liquidez e solvência do sector financeiro.

Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

Os velhos clichets na pré-campanha à esquerda da direita e muito à direita do centro

O Sócrates ainda diz aquela do voto útil na esquerda que se esconde no PS para derrotar a direita ultra-liberal. A direita liberal “pelo menos” está à esquerda da direita ultra-liberal, balbuciam alguns. O pior é que o centro foi fugindo para a esquerda e no PS nunca mais ninguém o viu.

A coligação da Esquerda Grande



Ao que vou lendo, da reunião entre bloquistas e comunistas transpareceram apenas “convergências” e “diálogos” à esquerda. A apresentação de uma lista única às legislativas ficou fora do horizonte. É pena.


Será pacífico que há diferenças grandes entre os dois partidos. Mas há também as reconhecidas convergências. Vivemos tempos dificílimos. Paira no ar uma ameaça que, dependendo do que aconteça na véspera, se abaterá com violência sobre o país, concretizada em tragédia social, no dia imediatamente a seguir às eleições. Impõe-se, como tal, uma resposta firme e responsável ao desafio, que valorize o que une e dê tréguas ao que separa. Uma resposta que passa por não deixar que se perca um único voto no caminho até ao entendimento pós-eleitoral com que os dois partidos se acenam mutuamente.


E não me refiro apenas aos que sempre se perdem na repartição dos restos eleitorais em cada círculo. Apontava também, e sobretudo, para os votos que desaparecem naqueles terrenos onde a esperança esmorece, para aquele abstencionismo apenas reversível quando a crença de que um futuro melhor é possível se instala no terreno e o sonho impulsiona dinâmicas de vitória. A vitória da esquerda grande sobre os sonhos roubados. Da União da esquerda grande. Até o nome me agrada. Entendam-se os homens grandes.


(editado)


Em vez de brincar "patrioticamente" aos mercados

“Neste momento, as três mais importantes agências de notação financeira (...) noticiam e divulgam, diariamente, classificações de ‘rating’ que, com manifesto exagero e sem bases rigorosamente objectivas, penalizam os interesses portugueses, estimulando uma subida constante dos juros da dívida soberana”. Daqui decorrem “comportamentos presumivelmente criminais”, indiciadores, nomeadamente, do crime de manipulação do mercado.



O alerta vem de quatro economistas - José Reis e José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, e Manuela Silva e Manuel Brandão, do ISEG – que vão apresentar uma denúncia ao Procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, no início da próxima semana. Os alvos são a Moody’s, a Fitch e a Standard and Poor’s. (continuar a ler aqui)


O TGV da especulação

Desde que o Governo PS começou a trabalhar conjuntamente com o PSD e as agências de rating, com a pressão sobre os títulos da dívida a aumentar, Portugal já se comprometeu com oito mil milhões de euros em juros. Um valor que terá de ser pago em prazos muito diferentes, variando entre os três e 11 anos. No total, os oito mil milhões correspondem a 4,65% do PIB (Produto Interno Bruto), sensivelmente o mesmo custo estimado para as três redes de alta velocidade previstas pelo governo de José Sócrates. É ver como, em vez de TGV, a alta velocidade que todos pagámos foi a da engorda dos lucros do sector financeiro. Ganharam antes da intervenção externa para ganharem ainda mais depois dela.

Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

Os alquimistas do lixo


Ainda há dois ou três dias eram notícia por serem considerados “lixo” pelas agências de rating, mas, hoje, no fecho da sessão em bolsa, as mesmas empresas, sem qualquer divulgação de resultados extraordinários mais do que a redistribuição de riqueza antecipada pelo anúncio de ontem, terminaram com valorizações espectaculares: os accionistas do BCP viram as suas acções valorizar 4,24%, os do BES 3,50% e os do BPI 3,48%. Efeitos da tal ajuda externa. A eles ajudou-os. Os restantes portugueses têm prometidos mais cortes salariais, mais instabilidade nos vínculos laborais, menos protecção em situações de vulnerabilidade, menores pensões, menores comparticipações na Saúde, desmantelamento de serviços públicos, desemprego, aumento de impostos e o que o diabo se venha a lembrar. Andam para aí uns alquimistas que juntam desgraça ao lixo para lhe fazer disparar o valor.


Naturalmente, todos aqueles que beneficiaram desta ajuda estarão satisfeitos. Fazem muito bem em votar nos partidos que lhes proporcionaram a rentabilização do tal “lixo”, que, como os números o demonstram, afinal, era conversa fiada. Os restantes, não seria má ideia de todo se direccionassem o poder dos seus votos para quem os represente tão bem como PS, PSD e CDS representam este enriquecimento agora revigorado. A cavalgada deles apenas acaba de recomeçar.

Baixar salários é absolutamente constitucional, mas...

Cavaco Silva requereu ao Tribunal Constitucional (TC) a fiscalização preventiva do diploma que suspendeu o modelo de avaliação de desempenho dos professores, de acordo com uma nota publicada no site oficial da Presidência da República.

A menos que isto mude


Os banqueiros exigiram-no. José Sócrates cedeu e anunciou a intervenção externa. Passos Coelho deu-lhe total apoio na decisão. E ambos falaram de “ajuda” externa em vez de “intervenção” externa. Medida da responsabilidade do acto, nenhum dos dois roçou sequer ao de leve quanto vai custar a sua “ajuda” ao povo que os mandatou pelo voto para representarem os seus interesses. E quem os elegeu não foram os bancos, nem tão-pouco existe coincidência entre os interesses do sector financeiro e o interesse comum. O que aconteceu ontem foi mais uma traição.

Para a maioria, "intervenção" será bem diferente de "ajuda". Aqui, lê-se sobre o ano de atrocidades que a “ajuda” externa custou aos gregos. E aqui, uma reportagem em áudio fala sobre o mesmo preço.

O passo seguinte será agora tentar vender uma brutalidade mais branda e passar para a opinião pública a mensagem de que o caso português nada terá que ver com o grego. A apresentação do total da factura vão guardá-la para depois do dia em que esperam garantir a tal “estabilidade para o país”. A deles, a dos amigos banqueiros e a de todos aqueles para quem a intervenção se revelará uma verdadeira ajuda. A menos que isto mude. E pode mudar. Tem que mudar. Porque já chega.

(editado)