Esteve um gajo o dia inteiro à espera das oitimeia, a ver se o senhor presidente anunciava que tinha convencido os amigos do BPN a devolverem o que roubaram aos seus compatriotas, para nada! Só disse o que todos previamos: dissolução da AR e eleições antecipadas, que marcou para 5 de Junho. Ainda falou em responsabilização e em responsabilidade e disse que podemos todos contar com ele para ajudar a resolver os problemas do país, mas notícias dos amigos, nada. Paciência. Fica para a próxima. Um dia ele ainda os põe a todos na ordem. Ouvi dizer que o Dias Loureiro fugiu para Cabo Verde porque anda borradinho de medo deste Cavaco.
quinta-feira, 31 de março de 2011
É a democracia a falar alto, pá!
“Não tratem as pessoas como números e os mercados como pessoas”. O Bloco de Esquerda fez a sua parte, dando voz aos votos das pessoas que os elegeram. Ler aqui sobre o projecto de resolução que apresentou. Sobre o uso que os outros partidos dão aos votos que lhes são confiados, fala o deputado João Semedo, no video junto.
Licenciado por convicção
Como sempre pensou que era licenciado, Marcos Baptista, o agora ex-administrador da empresa pública CTT sentiu-se na necessidade de confirmar as suas mais vincadas convicções. Tudo bem que haja pessoas que possam sentir-se licenciadas desde sempre. E até é bom. Licenciar-se ao Domingo é ideia que jamais passaria pela cabeça de alguém que se sinta licenciado desde os 2 ou 3 anos de idade. Mas que alguém assim consiga convencer quem tem poder para nomeá-lo de que detém habilitações que apenas sente que detém, passar uns anos valentes a ganhar uma fortuna a ocupar um cargo para o qual não tem qualificações, descobrir, pelos jornais, que afinal não é licenciado, demitir-se por motivos pessoais que nada têm que ver com a descoberta, não ter que repor o que ganhou, não ter um processo crime pela fraude que o possibilitou e que o padrinho que o nomeou também saia ileso da história… é fenómeno que só acontece em países onde uma repetição infindável de histórias rocambolescas como esta não tem qualquer reflexo nos resultados eleitorais dos partidos que, por excesso de responsabilidade e sentido de Estado, até são chamados partidos do "arco governativo".
Estes não são os gémeos dos PEC
O prémio da resignação
Quando o sistema de carreiras da função pública foi objecto da fúria reformista que se vivia então, para mitigar as reacções que seriam normais em face a uma nova realidade na qual, em média, cada trabalhador seria promovido apenas 3 vezes ao longo de toda a sua vida activa, ainda por cima com acréscimos remuneratórios ridículos, o Governo acenou com a cenourinha: a reforma condenava todos a auferir o mesmo vencimento durante toda a vida mas, em compensação, anualmente, os melhores receberiam prémios de desempenho. Um apertado sistema de quotas restringia à partida o número destes “melhores” a 5 por cento do total de efectivos. Depois, a não aplicação do sistema de avaliação de desempenho fez com que não houvesse sequer “melhores” em grande parte dos serviços públicos. Os prémios eram apenas uma miragem.
Após verem desmantelada a carreira que lhes foi proposta quando ingressaram na função pública, com apenas um ano de tréguas por motivos eleitorais conhecidos, a regra dos congelamentos salariais sentou-se com violência sobre o poder de compra dos funcionários públicos. Como se não bastasse, este ano, para além de congelados, os salários foram ainda cortados. E os prémios? Também. Lê-se aqui que nem depois de cortada a verba prevista para prémios de desempenho foi executada. O valor total de prémios de mérito atribuídos não chegou a metade das dotações inicialmente previstas.
Não será difícil de imaginar os efeitos de toda esta longa sucessão de cortes e recortes sobre a motivação dos servidores do Estado. Ou sobre as facturações do restaurante do Sr. José, do pronto-a-vestir da D. Conceição e do cabeleireiro do Sr. Carlos, que tiveram que despedir pessoal. Fiquemo-nos pela constatação da regra do prémio da resignação. Quem se habitua a resignar-se e se dá a conhecer como sempre conformado, perde para continuar a perder. Esta, sim, é uma verdadeira inevitabilidade.
