sábado, 26 de março de 2011

Olha! Aquele ali não é o Pedrito?

As tácticas parecem muito simples. O plano parece milimetricamente elaborado. A voz é forte e transborda confiança. Fala de mercados. A imagem é bastante cuidada. O sucesso é garantido. MAS não, não é o Pedro Passos Coelho.

As revoluções também se fazem com votos



Talvez não tenha havido país onde a crise financeira se tenha feito sentir de forma tão dramática como na Islândia. Com certeza todos se lembrarão da bancarrota que sucedeu à catadupa de bancos que faliram. Pois bem. Depois disso, não houve lá cantigas que falam de responsabilidade, sentido de Estado ou medo dos mercados que surtisse o efeito desejado por quem costuma usar esse expediente para se fazer eleger. Os islandeses souberam fazer uma autêntica revolução, absolutamente democrática, e tiveram a coragem de querer mudar de vida.


Neste processo, os islandeses correram com a direita que então detinha o poder, esvaziaram a esquerda prostituída ao liberalismo que se propunha adoptar as mesmas soluções que os primeiros e fizeram das eleições a oportunidade para mudar de vida, pondo aos comandos do destino do país uma coligação de esquerda formada por social-democratas, feministas, ex-comunistas e Verdes. Em referendo, com aproximadamente 93 por cento dos votos, recusaram que fosse a sua sociedade a pagar o buraco financeiro gigantesco aberto pela ganância de banqueiros delinquentes. Prenderam quantos destes ladrões puderam. Asseguraram o controlo da sociedade sobre o sistema financeiro nacionalizando os três maiores bancos. Mandaram os credores externos esperar. E elegeram uma assembleia constituinte em 27 de Novembro de 2010 incumbida da redacção de uma nova Constituição capaz de limitar os excessos de um capitalismo que lhes provocou um sabor tão amargo e de catapultar de novo a Islândia para uma trajectória de progresso e de justiça social.


A actualidade política islandesa passou a ter tanto destaque como a da lua. Podem experimentar procurar por notícias sobre política islandesa no separador de notícias do Google que não encontrarão nada de nada. Na Europa e no mundo inteiro, manda um capitalismo que também se soube apropriar dos meios de comunicação social e que aponta o caminho da regressão social e da concentração de riqueza como o único possível para evitar um “ainda pior” sentido pela maioria, coincidente com o “ainda melhor” de uma elite, que, verifica-se, crescem a cada dia que passa. Há que limitar a possibilidade do surgimento de outras revoluções pelo voto inspiradas no caso islandês. E isto faz-se blindando a ideia de que é possível, como está a ser na Islândia, reconquistar democraticamente um poder político novamente posto ao serviço de todos.


A Islândia ainda atravessa grandes dificuldades, é verdade que sim. Mas já inverteu a rota descendente. Estão incomparavelmente melhor do que nós. A economia e o emprego dão bons sinais. E, sobretudo, regressou aquela energia para trabalhar que apenas a perspectiva de um futuro melhor para todos é capaz de gerar. A esperança voltou à ilha. Souberam obrigá-la a regressar. As revoluções também se fazem com votos.

Recapitalizá-los

Armando Vara, ex-administrador executivo e vice-presidente do BCP, encaixou 260 mil euros de remuneração fixa e um acerto de contas de 562.192 euros por ter saído antes do fim do mandato, num total de 882.192 euros. Isto em 2010, ano em que não exerceu funções por ter sido constituído arguido no processo Face Oculta. Repete-se para aí que é uma prioridade nacional a recapitalização do “nosso” sistema financeiro. Uns chamam-lhe “nosso” com toda a propriedade. Recapitalizam o sistema com, entre outros, um regime fiscal de favor. O sector, por sua vez, recapitaliza-os a eles. Depois, há os outros. Chamam-lhe “nosso” por mero patriotismo bacoco ou por estupidez natural. Recapitalizam-no perdendo salários, perdendo em impostos, perdendo direitos, perdendo serviços públicos, perdendo os empregos que se vão na torrente das perdas anteriores. Pagam taxas de juro e comissões bancárias que estão entre as mais altas de toda a Europa. Assistem impávidos à nacionalização da delinquência do sector que o país foi chamado a pagar. E ainda votam maioritariamente nos partidos que colocam esta malta toda a ser recapitalizada sem a necessidade sequer de fingirem que trabalham. Esta crise não é importada. Esta resignação e este alheamento são de produção exclusivamente nacional.

UE: uma panela de pressão em lume forte

Cenntenas de milhares de pessoas [mais de meio milhão ], vindas de todo o Reino Unido, desfilam em Londres, contra as medidas de austeridade do Governo, naquela que já está a ser anunciada como a maior manifestação da última década e que já originou conflitos entre manifestantes e polícia. A manifestação, marcada desde Outubro, acontece três dias depois de ter sido apresentado o orçamento de 2011 e é chamada “Marcha pela Alternativa”.

Milhares de trabalhadores manifestaram-se esta Quinta-feira, em Bruxelas, contra as reformas económicas que os sindicatos dizem ser demasiado favoráveis às empresas. O centro da capital belga, onde estão sediadas as instituições europeias e onde esta tarde se reúnem os líderes da União Europeia, ficou completamente bloqueado. Convocada pela Confederação Europeia dos Sindicatos, a manifestação quer mostrar que os trabalhadores europeus estão juntos contra o “pacto para o euro”. Também houve confrontos.

Enquanto níveis extremos de radioactividade são detectados no mar de Fukushima, mais de 200 mil pessoas saíram à rua na Alemanha para exigir o desligamento imediato de reactores nucleares do país.