segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Reformar de bandeirinha na lapela, cruz num bolso e tesoura no outro

À primeira vista, agrada-me a reforma curricular que Nuno Crato acaba de anunciar de bandeirinha na lapela. Observo, porém, o absurdo do desaparecimento da Educação Cívica num país que a tem tão pobrezinha ao mesmo tempo que o mesmo país, por sinal laico, apesar dos cortes brutais na Educação, mantém a disciplina de Religião e Moral a consumir recursos ao seu sistema educativo público.


Realço ainda que não há reforma curricular que faça sentido se o grau de exigência que o Socratismo abandalhou for mantido. Nuno Crato terá ganho o lugar que actualmente ocupa com as críticas pertinentes e sempre oportunas que nunca regateou aos disparates cometidos ao longo das duas últimas legislaturas, mas, agora que é Ministro, para além da desorçamentação da escola pública que fez questão de acompanhar com um aumento do financiamento do ensino particular, minguém o ouve falar na exigência que os seus cortes condicionam ou mesmo impossibilitam. Gostava bem mais do outro Nuno Crato, o do Ministro que intuo este nunca será.

1 comentário:

Nan disse...

Ora aí é que está o gato! E em termos de exigência? Vamos continuar a ter as tais «metas» estatísticas? Vamos continuar a ouvir discursos dos directores, a dizer que escola tem cumprir as metas e portanto, se o menino X não fez ponta de corno todo o ano, não pode ficar retido por isso, que, se fica, lá se vão as metas? hoje já os crianços sabem que têm que passar dê lá por onde der, que se o professor lhes der uma nota baixa o paizinho vai lá e parte tudo, que podem portar-se mal, bater nos colegas, nos empregados, nos professores e nada lhes acontece... é para continuar? É que, se assim for, bem podem fazer reformas...