terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sócrates 2.0, mais um coveiro mediático

Foi um Primeiro-Ministro triunfante aquele que, hoje, anunciou que, no final do ano, teremos um défice orçamental não superior a 4,5 por cento do PIB, número bonito que compara com os 5,9 por cento do compromisso com a troika. Hão-de elogiar.


Foi um Primeiro-Ministro agradecido aquele que, a seguir, apresentou o roubo de subsídios de férias e de Natal de funcionários públicos e pensionistas como contrapartida da generosidade da troika que gentilmente autorizou que o fundo de pensões da banca pudesse ser utilizado para produzir o número do seu orgulho.


E foi um Primeiro-Ministro generoso aquele que, para produzir um resultado artificial, deu como contrapartida ao sector financeiro por algo que nem sequer lhe pertencia, o mealheiro das reformas dos seus trabalhadores, um crédito fiscal que, ao longo dos próximos 20 anos, reduzirá ainda mais os poucos impostos que a banca paga actualmente. Ou seja: para além do que estamos já a sofrer na pele, seremos outra vez nós e toda a restante economia a pagar o efémero pseudo-sucesso de hoje durante duas décadas.


Sócrates enterrou o futuro do país comprometendo as receitas de mais de meio século e contraindo dívidas que pagaremos ao longo de muitas décadas. Sócrates 2.0 segue-lhe os passos. Ainda há quem esteja plenamente convencido que ficámos a ganhar com a troca.


Sem comentários: