sábado, 3 de dezembro de 2011

A revolta dos caciques

É um episódio enternecedor. Miguel Relvas foi vaiado no encerramento do Congresso Nacional da Associação de Freguesias. Com certeza não estaria à espera de mimos depois de conhecido o intuito da maioria de fazer uma razia nos tachos que os crónicos três partidos “do arco” distribuíram pela cacicagem local ao longo de mais de trinta anos. É preciso ter lata. Tantos jeitinhos, tantas camionetas cheias de eleitores no dia das eleições, tantas excursões de garrafão para conquistar esses votos e quem beneficia desse labor depois não retribui.


Sem ironias, espero sinceramente que esta reforma seja um choque com a realidade que permita que nasça outra cidadania, menos condicionada pelo bailarico e pela chouriça assada e mais pela percepção de que a política deve responder aos problemas reais das comunidades locais, uma cidadania menos absorvida pelo individualismo chico-esperto e mais por valores colectivos que se rarefizeram assim que o bem comum perdeu terreno para arranjinhos que não hesitam em sacrificá-lo.


Pode ser que me engane, mas a percepção que tenho diz-me que esta reforma pode ajudar a limpar o mapa eleitoral de Portugal de elementos e fenómenos que o sujam. E não estou com isto a querer dizer que o trabalho sujo se faz apenas nas Freguesias ou que nelas não há gente idónea a fazer um trabalho sério . Não tenho dúvidas que as há. Nem todos bons, nem todos maus, a carapuça não tem um tamanho universal.

3 comentários:

Anónimo disse...

De facto as freguesias são um grande problema para o país. Haver eleições em que o representante eleito está tão próximo da população que os elege, e a sua actuação poder ser avaliada de forma tão clara pelos cidadãos... é preocupante para o conceito de democracia dominante nos dias de hoje. Se juntar-mos a esse facto a sugestão delirante que o Governo está realmente interessado em melhorar alguma coisa, que esta reforma de facto corresponde a alguma necessidade do país, ficamos contentes e aplaudimos o sr.Relvas. Tomar a parte pelo todo, os exemplos que existem de autarcas do chouriço pela realidade do país, é um belo serviço à corrupção do actual governo. Mas fretes, são fretes, lambe-botas, são lambe-botas, e sabem o que fazem. Pensar que o mapa eleitoral das freguesias é "limpo" por medidas de gabinete como extinguir quase 2000 freguesias... não é inocência, ou desconhecimento, é lambe-botismo do puro. É verdade... país do burro! Só mesmo num país do burro, um país assiste impávido e sereno, à fuga de ainda mais serviços públicos de lugares onde só já restava a junta de freguesia.

Filipe Tourais disse...

Por acaso o anónimo não é representante da graxa Nugget ou do auto-brilhante Bufalo? Tenho ali umas botas meio estragadas e preciso de uns conselhos.

Anónimo disse...

Diz um cacique local para um governante: "Dá-me um Concelho?" Responde aquele: "mas o senhor nem freguesia tem...."