terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Porrada na democracia

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e, em especial, os casos Freeport e submarinos, são os últimos alvos das milícias populares que fazem uma espécie de justiça feita pelas suas próprias mãos através da rede. Nem a componente tecnológica é uma originalidade, a fuga de informação é coisa antiga, mas há quem se entusiasme com a palavra “hacker”. O “hacker” distingue-se do justiceiro tradicional pelo bastão que não usa para bater em ciganos e pretos. Na sua vez, manuseia teclados e ratos para golpear uma democracia doente. Esta abana, naturalmente, fragiliza-se pelo lado que a cobardia dos portugueses não ousou – voltaria hoje a não ousar – fortalecer pelo voto. Péssima notícia.

9 comentários:

Anónimo disse...

Se pelas suas invasões hackers descobrissem 'buracos da Madeira' ou material mais mediático e de maior utilidade que o documento "Mediatização de processos da competência do DCIAP" já seriam heróis, não era?
A Democracia está doente, não por haver ataques a websites institucionais, mas porque a "justiça feita pelas suas próprias mãos" é prática de gente com cargos políticos. Cobarde é achar que votar chega para termos Democracia.
A Policia política não é coisa do passado. É coisa do presente, e é a 'justiça pelas próprias mãos' do actual governo e de quem no governo manda. Abre os olhos e escolhe melhor o teu alvo.
Concordo com um pormenor: Esperava mais da notícia, mas o que fica é o aviso, mais um, de que a verdade virá à tona.

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

E daí, Filipe? Quer uma revolução bonita? As revoluções nunca são bonitas, mesmo quando são necessárias.

Filipe Tourais disse...

Eu não quero revolução nem bonita, nem feia. Vivemos em democracia e os portugueses não sabem o que fazer com ela. Ok. Vinha a revolução. E depois? Depois o mesmo. Os portugueses têm um défice de cidadania que se revela na indiferença que mostram por serem roubados ou não, serem oprimidos ou não, serem explorados ou não. A batalha é aqui.

Quanto a democracia feita por quem obteve o mandato pela via divina ou pela via da aprendizagem de como furar sistemas de segurança informática, não confio em nenhuma das duas. São uma lotaria capaz de cometer as piores injustiças em nome da sua justiça relativa. Os meus alvos de crítica e de cumplicidades sou eu quem os escolho, escusa de se preocupar em escolher por mim. Em democracia é assim, cada um é livre de fazer as suas opções.

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Longe de mim querer fazer por si as suas escolhas, Filipe. Se as suas escolhas são informadas pela convicção de que vivemos em democracia, é sua a convicção e são suas as escolhas. As minhas escolhas, pelo contrário, resultam da minha convicção de que não vivemos em democracia, mas sim sob uma ditadura oligárquica. Têm que ser necessariamente escolhas diferentes.

Filipe Tourais disse...

Concordo quanto à oligarquia. Já quanto à ditadura, se quiser chamar-lhe assim, é fruto de uma escolha democrática. Como saberá, também não foi a minha escolha, mas, como democrata que sou, não me resta mais que respeitá-la. O que disse sobre fazer as minhas próprias escolhas foi em resposta ao anónimo.

Anónimo disse...

Caríssimos,

Depois destes vilões terem violado crianças (casa pia), roubado câmaras municipais (fátima felgueiras e isaltino), usado do peculato (ferreira torres), movido influências (sócrates), aberto offshores com milhões em acções (sócrates), comprado "submarinos" (paulo portas), vendido "sucata" (armando vara e afins), roubado tudo e todos com o BPN (dias loureiro) e vendido as colónias do ultramar por um punhado de diamantes(família soares) e, depois disto tudo, ainda querem atirar palavras um ao outro... tratem-se pois os hackers fazem muito mais pelo país do que Vas. Exas. os dois juntos... ao quadrado!

Filipe Tourais disse...

"Ter vendido as colónias". AS colónias não eram nossas e não se pode vender o que não é nosso. Portugal foi o último país a dar a independência às suas colónias e já o fez bem tarde. Serve isto para lhe dizer que entendo perfeitamente que goste tanto destas milícias populares dos tempos modernos como das que batem em negros e ciganos. Os trauliteiros são capazes até de sustentar que nos dias de hoje poderiamos ter colónias: com tão visíveis limitações, será muito difícil que entendam a linguagem da democracia. Estou para aqui a gastar o meu latim, mas sei que não vai aprender nada comigo.

Pereira disse...

Sim, vendidas, ou melhor entregues a quem pagou mais, em Angola por ex, não existiam outros movimentos para alem do mpla? Como é que alguem que, supostamente, tinha feito uma revolução porque queria viver em democracia, marginaliza 2 movimentos (fnla e unita) para proveito de um outro que tinha uma idiologia de ditadura? Veja quem conduziu o processo de descolonização e quais são os interesses económicos que cada um deles tem nas ex-colónias.

Filipe Tourais disse...

O MPLA era, de longe, o movimento com maior implantação, não era? Pois era. Mas não vou discutir a descolonização, não é esse o tema aqui.