domingo, 25 de dezembro de 2011

Mensagem do coveiro aos tontos

Explicando o que quer dizer com democratização da economia, o primeiro-ministro utilizou a mensagem de Natal para afirmar que quer “colocar as pessoas, as pessoas comuns com as suas actividades, com os seus projectos, com os seus sonhos, no centro da transformação do país”. E “que o crescimento, a inovação social e a renovação da sociedade portuguesa venha de todas as pessoas, e não só de quem tem acesso privilegiado ao poder ou de quem teve a boa fortuna de nascer na protecção do conforto económico”. Traduzindo a treta de Natal por miúdos, a “democratização da economia” de Passos Coelho é a concretização do sonho de fazer de cada português um precário sem direito a protecção no desemprego, de nos pôr a trabalhar mais de um mês à borla e subtrair-nos mais de dois salários por ano, de aumentar os impostos e os preços de serviços públicos essenciais como nunca ninguém aumentou, não se importar que isso traga atrás de si encerramentos de empresas em barda, uma aceleração record do desemprego e um recuo histórico do PIB, de vender empresas públicas ao desbarato e pôr-nos a pagar uma renda a quem as compre durante as próximas gerações, desmantelar os nossos serviços públicos para abrir negócios aos privados e, democracia das democracias, manter as grandes fortunas e o sector financeiro à margem de qualquer sacrifício, ao mesmo tempo que insulta quem sacrifica dizendo-nos para nos irmos embora do país e lembrando-nos que vivemos acima das possibilidades de uma riqueza que nunca provámos. Prefiro não escrever mais nada. Sinto-me insultado sempre que este tipo abre aquela boca.


Actualização: na meia hora a seguir a escrever este post, no facebook, recebi mais dois pedidos na aplicação Castle Ville e um noutra palermice do género. Afinal, deve estar tudo bem.

3 comentários:

Anónimo disse...

Passos promete reformas para democratização da economia. Todos os passos deste governo nos conduzem a uma economia cada vez menos democrática, cada vez menos compatível com a democracia. Uma economia onde, graças às privatizações de empresas estratégicas ou ao enfraquecimento da provisão pública de bens sociais, o alcance das escolhas democráticas será cada vez mais curto. Uma economia no fundo comandada a partir de fora por funcionários que ninguém elegeu, trabalhando no quadro de instituições que funcionam como o comité executivo do capital financeiro (trans)nacional, oriundo do centro, ao qual se junta algum capital industrial subordinado, apostados na expropriação financeira das periferias. Uma economia onde estão a ser destruídos todos os freios e contrapesos, todas as regras laborais, limitadores do poder das fracções mais reaccionárias do capital, as que dependem de uma acumulação assente em horários de trabalho cada dia mais longos e baralhados, na precariedade ou nos baixos salários. Uma economia de austeridade onde cada vez mais pessoas estarão desempregadas, acedendo, as que conseguirem, a um subsídio de desemprego cuja amputação pode chegar aos 75%, assim se criando as condições para todos os desesperos, para todas as subordinações, para todos os medíocres autoritarismos patronais, ainda para mais tendo em conta o contexto depressivo. Uma economia que será cada vez mais desigual na distribuição das oportunidades e dos activos, do rendimento e da riqueza, com todos os problemas sociais que estão associados a estes padrões. Uma economia onde o cada dia mais escasso crédito, se depender deste governo, continuará a ser controlado pelo mesmo tipo de instituições financeiras, com o mesmo tipo de enviesamentos e de ineficiências, incapazes de canalizar crédito para a economia produtiva e muito menos para projectos cooperativos que desafiem as formas de organização, escassamente democráticas, dominantes. Uma economia socialmente desincrustrada, incompatível com direitos sociais universais, uma economia de pobres e de ricos, de caridade, quando muito, ou seja, de dependência, de heteronomia. Uma economia que não é para cidadãos e que que não forja cidadãos, que não responde perante a soberania democrática. A (re)democratização de uma economia monetária de produção começa precisamente pela moeda, pelo crédito, pelo capital financeiro, recuperando a soberania democrática nesta área, o que significa que o Banco Central, responsável pela gestão monetária, tem de ter prioridades definidas por um verdadeiro comando político democrático, instituindo-se controlos de capitais, tais como os que vigoraram até aos anos oitenta e assegurando-se o reforço das instituições públicas de crédito. Como é também de desglobalizar que se trata, de renegociar o grau de abertura das economias, até tendo em conta o trilema da economia política internacional, a incompatibilidade desta globalização e europeização com a democracia, as tarefas começam pela finança. Tudo o resto virá por acréscimo...

Teófilo M. disse...

O sr. primeiro-ministro só se esqueceu de nos dizer para onde vamos, o que é que ele pretende fazer de nós nofuturo e como conseguiremos sobreviver.
Entretanto o coro que o acompanha em louvaminhas, porque está bem na vida, tem acesso privilegiado ao poder ou que teve a boa fortuna de nascer em berço de ouro continuará a amealhar os tostões que nos vão tirando do bolso com autorização do polícia de servico.

Anónimo disse...

Eles são pagos por nós para provocar as crises e discuti-las, e a gente paga sem discutir e provoca crises familiares...
Mas pronto, temos a casa dos segredos...