segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mais emigração

O número de cirurgias diminuiu drasticamente na maioria dos hospitais, que estão a programar mais operações dentro dos horários normais. O Ministério admite que o fim do pagamento de cirurgias adicionais e horas extras levou a esta situação, mas ainda não recomendou a todos os doentes à espera de cirurgia a emigração em massa que reduziria a zero as filas de espera. Tivemos um Governo que contornou com prémios imorais o fim do regime de ubiquidade que é a excepção ao princípio da exclusividade vigente em toda a Administração Pública, segundo o qual ninguém pode acumular no privado funções conexas com as desempenhadas no público. Temos agora outro Governo que tentou contornar o mesmo princípio com discursos moralistas que encolhem salários e afastam utentes através do preço. O resultado será o regresso à casa da partida ou mais atrás ainda: porque esta tipologia de governantes se recusa a emigrar, os médicos vão continuar a poder angariar no SNS os clientes que depois operam nas clínicas privadas onde trabalham. Paga quem pode, espera quem não. E emigra quem consegue. Não está fácil.

1 comentário:

Kruzes Kanhoto disse...

Eles querem que os velhos morram e que os novos emigrem. Não sei é quem é que lhes vai pagar os ordenados.