quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Maioridade só aos 25

As propostas de alteração ao Código da Estrada, enviadas pela Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) e pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP), já estão a ser analisadas pelo Governo. Para os condutores dos 18 aos 24 anos, aquelas entidades propõem a redução da taxa de alcoolemia permitida de 0,5 g/l para 0,2 g/l, devido ao elevado grau de sinistralidade rodoviária que se verifica nesta faixa etária.

4 comentários:

Anónimo disse...

Esta proposta é curiosa. Acredito sem dificuldade que entre os 18 e os 24 se verifique a tal "elevada sinistralidade rodoviária", e não há dúvidas de que o álcool provoca o aumento da sinistralidade rodoviária. Mas pergunto-me quantos acidentes serão causados por jovens entre os 18 e os 24 com taxas de alcoolémia entre os 0.2g/l e os 0.5g/l que fossem evitados se estes jovens tivessem menos 0.3g/l de álcool no sangue.

Ainda que não tenha qualquer dado para sustentar estas hipóteses, eu conjecturo que comportamentos de risco nestas idades e com estes graus de alcoolémia poderão estar mais relacionados com o próprio estado de espírito / companhia habitualmente associados ao consumo de álcool do que ao próprio álcool. Pergunto-me ainda se o efeito de tal quantidade de álcool não será menos significativo do que conduzir, digamos, às 4h da manhã, cansado e com sono - e também não tenho dificuldade em imaginar que as duas coisas estejam correlacionadas.

Mas muito mais importante do que as respostas a estas questões é saber como é que as damas e cavalheiros que governam as nossas instituições se sentam todos juntos e chegam a estas conclusões, e se se colocam alguma destas perguntas.

A impressão que me causa tal proposta é muito semelhante à que me é causada pela triste triste medida do "mais meia-hora de trabalho por dia":
Um punhado de indivíduos ressabiados (sabe-se lá porque motivo) com algum grupo da sociedade a argumentar agressivamennte e usando como principais argumentos o vizinho ou as histórias que ouviram na rua, debatem-se por legislação que satisfaça os seus preconceitos próprios, e as pessoas fazem-lhes a vontade sem que qualquer deles gaste realmente o seu tempo a pensar nos efeitos de tal medida e qual a sua relevância para a sociedade.

Eu quase os consigo ouvir: "É uma rebaldaria! Os chavalos andam para aí bêbados às tantas da noite, é um perigo!", ou "Em Portugal ninguém quer trabalhar, é por isso que o país está como está! Tenho um vizinho que está desempregado há 10 meses e não aceita ofertas de emprego porque prefere receber o subsídio!"...

Filipe Tourais disse...

O subsídio, direito que pagou com os seus próprios descontos, esquece-se de referi-lo, tal como negligencia que nos centros de emprego existem, para todo o país, menos de 9500 empregos disponíveis. Não há emprego e os que há são mal pagos e em condições terríveis. Pergunte ao seu vizinho quanto lhe oferecem e se a oferta cobre o que está a receber. Depois ponha-se na posição dele e diga lá o que faria, porque falar sobre os outros é o mais fácil.

Anónimo disse...

Lol, o Filipe parece não ter lido o meu comentário...

Filipe Tourais disse...

Reli. Pois, tem razão...:P