quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Histórias da nossa terra

O governo tem argumentado que não deve ser papel do estado a produção e distribuição de energia, função que, segundo a argumentação utilizada, os privados desempenham com mais eficiência. Contudo, na lista de empresas candidatas à compra da EDP o que vemos são três empresas estatais e uma privada que tem influência decisiva do estado alemão.


Os candidatos são: a Eletrobras, uma empresa controlada pelo governo federal brasileiro; a Cemig, controlada pelo governo do Estado de Minas Gerais, também do Brasil; a China Three Gorges Corporation empresas estatal chinesa; e finalmente a alemã E.ON. Esta última é a única privada, mas o estado alemão possui alguns direitos especiais sobre ela, nomeadamente o de impor um veto caso a empresa decida vender a sua participada Ruhrgas, ou alterar a gestão desta empresa distribuidora de gás, ou ainda no caso de haver uma alteração no controlo da E.ON. Estes direitos especiais têm o objetivo de impedir que a E.ON seja adquirida por uma outra empresa que possa pôr em perigo o acesso alemão aos gasodutos, e, assim, ameaçar de qualquer forma o acesso da Alemanha ao estratégico fornecimento de gás. É esta ameaça ao interesse estratégico nacional que o Governo português imprudentemente ignora.


Conclusão óbvia, o inconveniente não será a eléctrica estar nas mãos do e proporcionar rendimentos ao Estado e sim o de proporcionar rendimentos ao Estado português. E, com uma probabilidade razoável de não me distanciar demasiado da verdade, a questão resume-se a mais uma negociata daquelas tão nossas conhecidas: a preferida alemã oferece metade do valor oferecido pela concorrente chinesa. Estaremos a fabricar outro caso da tipologia submarinos, face oculta ou Freeport, daqueles que não produzem mais do que notícias escabrosas,, com alemães ou outros quaisquer a comprarem o direito a uma renda que pagaremos ao longo de décadas. Uma renda de 5 milhões de euros diários que poderia servir para financiar melhor e mais Saúde, Educação, Cultura ou protecção social, mas não seria a mesma coisa. Histórias da nossa terra.

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