segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dois sinais importantes de mudança de ventos

Na falta de governantes com verticalidade e vontade própria para dizer basta ao monopólio do poder franco-alemão, duas centelhas de esperança para o euro e para os europeus surgem de onde menos se esperariam. A primeira, sob a forma de ameaça e sinal de que já nem os sacrossantos mercados têm paciência para dar cobertura a tanta irresponsabilidade junta, chispou da Standard & Poor’s: a agência de notação financeira tenta coagir a dupla Merkozy a inverter a marcha acenando com a revisão de todos os triple AAA que ainda sobrevivem no naufrágio europeu. A segunda, sob a forma de recomendação e sinal de que já nem os bastiões ideológicos estão com a dupla sinistra, disparou-a a OCDE: os Governos da Organização devem combater as desigualdades entre ricos e pobres uma vez que a realidade desfaz o mito neoliberal de que “os benefícios do crescimento económico se transmitem automaticamente aos mais desfavorecidos e que maior desigualdade favorece uma maior mobilidade social”. Dois recados dirigidos também e em especial aos fundamentalistas da moralidade doméstica, não tivesse a OCDE divulgado que somos os campeões das desigualdades entre ricos e pobres.

2 comentários:

José Fernandes disse...

O pior é que as bestas que nos desgovernam acualmente, colocados lá pelo voto do Povo Português, disseram uma coisa e agora fazem outra. Noutros tempos, estariam sujeitas a acordar um dia com o cano de um G3 encostada à cabeça, actualmente, o povo, qual burro de carga, nem com as orelhas tem força para sacudir as moscas, quanto mais dar um coiçe nos políticos....

Filipe Tourais disse...

O moralismo não tem lógica. Este é o ponto. Anda para aí uma grande confusão entre moral e economia. Seria de estranhar é que o resultado fosse outro que não o que está À vista de todos.