domingo, 11 de dezembro de 2011

Dois desfechos "históricos" em apenas três dias

Um novo acordo para o clima foi obtido esta madrugada, salvo já à beira do desastre das negociações da conferência de Durban. Ficou estabelecido um roteiro para que em 2015 – note-se bem que não em 2030 ou 2050 – exista pela primeira vez um acordo que comprometa – leia-se possa eventualmente comprometer – todos os países a reduzir as suas emissões de dióxido de carbono para lutar contra as alterações climáticas.


Parece uma anedota, mas não é. Vivemos na era das decisões históricas que, espremidinhas, espremidinhas, são simultaneamente pouco mais do que nada para os cidadãos e muito mais do que milhões para quem enriquece com o tudo que fica na mesma. Nos últimos três dias tivemos duas destas decisões auto-intituladas de “históricas”. A primeira manteve o BCE a fornecer lucros ao sector financeiro e os cidadãos e as sociedades europeias a pagá-los porque “tem que ser e não poderia ser de outra forma”. E esta segunda, que garante dumping social sem restrições ambientais às multinacionais e põe os cidadãos a suportar o desemprego e a regressão social assim gerados, assegura ainda um mundo em degradação ambiental acelerada mas com a suposta virtude de estar globalizado, outra vez "porque tem que ser e não podia ser de outra forma".


E realce-se o facto de nenhuma das soluções, um BCE com funções de banco central e sanções aduaneiras para economias poluidoras, ter sequer estado à discussão. Quem manda em quem manda sabe prolongar o enriquecimento com espectáculos históricos. Ficamos assim, duplamente à espera do desastre.

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