sábado, 24 de dezembro de 2011

Democracia, o presente de Natal mais pedido na China

Pela primeira vez, o “modelo China”, baseado na produção de baixo custo destinada ao exterior, mostra os seus limites: o crescimento desacelera, e o governo de Pequim teme que o vírus da instabilidade da zona euro se espalhe pelo Oriente.


Símbolo das revoltas que sacodem a segunda potência económica do mundo é o povoado de Wukan, no condado de Shanwei, coração do riquíssimo Guangdong. Há cinco dias, os 20 mil habitantes da cidade, divididos entre pesca, agricultura e indústria, estão sob o cerco do Exército. Para reprimir a revolta, que começou em setembro, as autoridades ordenaram o bloqueio aos alimentos e, no domingo, ninguém pode entrar ou sair. Mil agentes circundam a região e contínuos confrontos armados com a população ameaçam degenerar num dramático conflito. Postos de bloqueio e de censura impedem a entrada em Wukan. Os habitantes que conseguiram fugir através dos campos, testemunham os ataques das forças armadas de Pequim, que também atacam mulheres e crianças com canhões de água e gás lacrimogéneo. São dezenas de feridos, enquanto 13 líderes da revolta foram capturados e presos.


O que fez explodir a raiva popular foi a morte na prisão do chefe dos insurgentes, Xue Jinbo, de 43 anos. Segundo a polícia, tratou-se de uma paragem cardíaca súbita. Os familiares, aos quais o corpo não foi devolvido, descrevem, pelo contrário, um corpo torturado pelos espancamentos e pelas queimaduras. Pela primeira vez desde os dias do massacre da Praça Tiananmen, imagens captadas por telemóvel mostram uma multidão enfurecida que exibe faixas que invocam “o fim da ditadura” e a “morte dos funcionários comunistas corruptos”. (ler mais)

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