sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ainda sobre a polémica em redor do óvio

Ainda sobre as declarações do deputado do PS Pedro Nuno Santos e também sobre as declarações de Pedro Passos Coelho, hoje, no Parlamento.


Primeira questão: vamos conseguir pagar a dívida nas actuais condições de financiamento e com o estrangulamento económico que é sua consequência directa? Resposta óbvia: não. E fingir que a questão não existe é agravar e adiar um problema.


Segunda questão: os nossos governantes representam o interesse do seu povo ou dos credores do seu povo? Resposta óbvia: do seu povo, embora se esqueçam de onde lhes provém o poder.


Terceira questão: o que é que acontece quando, numa negociação, as duas partes puxam ambas para o mesmo lado? Resposta óbvia: a parte cujos interesses não estão representados sai inevitavelmente prejudicada.


Quarta questão: por que razão, então, as declarações do deputado do PS geraram tanta polémica? Resposta possível: graças ao excelente trabalho desenvolvido em parceria pelo poder político e meios de comunicação social , afastando as questões anteriores de qualquer debate, implantaram-se ideias absurdas, entre as quais a imbecilidade de que há vantagens em mostrarmos que somos devedores amistosos que, a troco do elogio da nossa obediência canina, abdicamos de qualquer negociação.


Quinta questão: o que ganhamos em apresentar-nos como os melhores amigos de quem enriquece à nossa custa? A realidade mostra-o: pagarmos 5, 10, 20 vezes a taxa de juro que os bancos pagam pela liquidez que obtêm junto do BCE para depois nos emprestarem ao preço que querem, oferecer-lhes de mão beijada a diferença e ainda agradecer.


Pagar uma dívida é bem diferente de enriquecer bancos e especuladores. E pagar uma dívida implica ter meios para o fazer, meios que passam por emprego e crescimento económico que a tal estratégia do “empobrecimento necessário” inviabiliza por completo.

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