sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Adeus, 2011

Termina 2011, um ano que, à semelhança do anterior, foi melhor do que será o seguinte. E aqui seguem os meus destaques do tradicional balanço que sempre fazemos em cada final de ano.


Figura do ano (internacional): Merkozy. A dupla formada por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy soube aproveitar o que resta de mandato a cada um deles para, através de uma blindagem do BCE providencial para proporcionar lucros fabulosos à banca dos respectivos países, obter um sucesso retumbante na condução de uma reconfiguração social na Europa que levará gerações a recuperar. Terão sentenciado a morte do euro, é certo, mas conseguiram enriquecer e empobrecer quem e como quiseram por muitos e bons/maus anos.


Figura do ano (nacional): Passport. Passos Coelho e Paulo Portas, outra dupla com objectivos em tudo iguais à da dupla anterior mas bastante mais subserviente e menos centrada no melhor para o seu país. Como o próprio nome indica, Passport, a dupla não tem pejo algum em promover a emigração de cérebros para países com governantes competentes para aproveitá-los e em trazer para Portugal abutres que saibam converter em riqueza a pobreza de um povo que, por acção ou abstenção, voltaria a deixar cair-lhes nas mãos o poder de lhes continuarem a roubar o futuro.


Super brand (internacional): A ®Goldman Sachs tomou de assalto o BCE, a Itália, a Grécia e ainda semeou um moedas em Portugal.


Super brand (Portugal): 80 por cento de portugueses preferiram ®troika.


Pragas do ano: borbulhas tecnocráticas na democracia, demagogia moralista na política, inevitabilidades na regressão social e civilizacional e o voluntariado nas relações de trabalho já tendencialmente gratuitas.


Idiotas do ano: apareceram por aí uns campistas que se dizem reinventores da democracia que nunca conheceram para garantir um sono tranquilo a um poder político que conhece a sua alergia a boletins de voto.


Profissão do ano: um misto de ladrão de subsídios de Natal, de prestações sociais e de horas de trabalho não pagas, de demolidor de serviços públicos, de inventor de impostos e de vendedor de empresas públicas ao desbarato.


E a lista já vai longa. Fico-me por aqui. Desejo-lhes um 2012 melhor do que 2013.

5 comentários:

Kaos disse...

Sei que os tempos não estão para grandes optimismos mas o futuro pode estar nas nossas mãos se soubermos exercer os poucos direitos que ainda nos restam. Aqui deixo o meu desejo de um 2012 tão bom quanto o possível.
Kaos
Wehavekaosinthegarden.blogspot.com

Daniel Santos disse...

bom 2012.

Bruno Santos Ribeiro disse...

Apesar de ser um pouco pessimista concordo no geral com destaque para a rubrica do idiota do ano. Bom ano de 2012.

Gi disse...

Feliz Ano Novo, Filipe.

Filipe Tourais disse...

Lamento não conseguir inventar optimismo com a núvem negra que nos ensombra as vidas.

Um abraço a todos e um bom ano dentro do que for possível.