quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um Presidente positivo

“Esta minha visita tem várias componentes, mas em todas elas existe o mesmo fio condutor: afirmar internacionalmente Portugal pela positiva, como país credível, como país respeitado, como país que é capaz de ultrapassar as suas dificuldades e corrigir a imagem um pouco distorcida que às vezes se projecta do nosso país aqui nos Estados Unidos.” Foi desta forma elegante que o nosso Presidente da República justificou a visita que hoje inicia aos Estados Unidos.


E temos que concordar, todos os dias se constrói uma imagem bastante distorcida de Portugal que há que contrariar sendo positivos ao máximo. Só hoje, ao ler que Duarte Lima foi mais um dos amigos a juntar-se à mesa do Presidente no banquete BPN com um empréstimo de 6,8 milhões, dos quais 5,8 estão a ser pagos pelos portugueses com salários, direitos e serviços públicos, Obama poderia pensar que isto é um país de ladrões. Não se trata de nada disso: há que explicar ao presidente americano que o BPN foi nacionalizado para evitar um risco sistémico e não para encobrir os negócios de muitos dos que agora dizem que vivemos acima das nossas possibilidades. Temos que ser positivos, aquilo do assassinato da Rosalina Ribeiro também não foi bem um assassinato, basta olhar para a idade da senhora para concluir que tudo se tratou, afinal, de um caso de eutanásia.


O problema de Portugal é meramente semântico. Obama que o confirme olhando para as sondagens. Os portugueses são positivos por natureza. É verdade que há para aí umas más-línguas carregadas de negatividade, que mudam os nomes Às coisas e distorcem a imagem do país. É não lhes dar débito.

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